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O outro lado da moeda do Burnout: conheça a Síndrome de Boreout

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A Síndrome de Burnout se tornou um termo cada vez mais difundido dentro do ambiente corporativo. Também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, a condição é causada pela exaustão extrema - seja física ou mental - e foi recentemente reconhecida como doença pela Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, seus números preocupam e justificam que as empresas olhem com maior atenção para a saúde de sua equipe de trabalho. Estima-se que 30% da população já enfrentou o Burnout, o que faz da nação a segunda em número de casos no mundo.

Porém, do mesmo modo que mergulhar demais no trabalho pode levar alguém ao seu limite, o oposto carece de igual preocupação. Os totais desinteresse e desânimo pela própria carreira podem remeter a um transtorno tão devastador quanto o Burnout - a Síndrome de Boreout (Síndrome do Aborrecimento ou do Tédio, aportuguesando).

Estudos recentes da Udemy, plataforma de cursos online, apontam que cerca de 50% dos entrevistados afirmam se sentirem entediados com seu trabalho em mais da metade da semana. Além disso, o levantamento também identificou que 43% dos respondentes estão completamente desmotivados e descontentes com o emprego atual.

"O trabalhador entediado acaba se sentindo desvalorizado, começa a acreditar que sua função na empresa é ineficaz, que poderia ser facilmente substituído, o que o leva a cometer erros e a desacreditar do seu potencial e de suas habilidades profissionais", comenta Uranio Bonoldi, consultor em gestão, governança corporativa e planejamento estratégico. Sem incentivo positivo para realizar suas atividades, o tédio pode ser tão prejudicial para o trabalhador quanto a exaustão .

De acordo com a consultora e especialista em Recursos Humanos, Célia Lourenço, enfrentar o Boreout é também lutar contra a pejoratividade que a desinformação impõe sobre o tema. “O tédio e o desinteresse são muitas vezes tratados como preguiça, má vontade. Há quem diga que o Boreout é a ‘doença de quem não gosta de trabalhar’, quando na verdade ela é totalmente o oposto". 

Em diversos casos, ela atinge quem se sente subutilizado, desvalorizado, quem quer oferecer muito mais ao negócio, mas não tem a perspectiva de uma porta em aberto que faça isso acontecer. Ninguém gosta de estar entediado, frustrado, aborrecido, desinteressado, e a constância desses sentimentos pode acarretar em perigosas consequências ao corpo e a mente”, pontua.

Como superar o Boreout

O tédio pode levar à ansiedade, que por sua vez acaba desencadeando comportamentos viciosos, como dependência das redes sociais para se distrair - um círculo perigoso para quem está de home office e precisa organizar sua própria rotina. "Não podemos esquecer que um pouco de tédio é completamente normal, e inclusive, saudável para arejar a mente, porém, quando é algo crônico, constante e afeta negativamente a vida, é preciso procurar uma saída", explica Uranio.

Evitar a procrastinação, adiantar tarefas e fazer pequenas pausas durante o expediente pode ajudar. "Vale, inclusive, conversar com os superiores para assumir outras funções. Novos desafios são ótimos recursos para vencer o tédio e se sentir valorizado, aumentando a motivação e o desempenho profissional", acrescenta o especialista. Com pequenas mudanças de prática, a motivação no trabalho deixa de ser apenas um longínquo objetivo para tornar-se uma meta alcançável e com sucesso.

Segundo Célia, outra opção importante para lidar com a doença é o auxílio psicológico. O apoio de um profissional pode ajudar a identificar todos os reais motivos por trás do desestímulo. Além disso, a especialista recomenda que haja constante comunicação com as lideranças.

“O mercado de trabalho está quebrando os tabus que envolvem doenças mentais. Líderes e RHs entenderam o quanto tais condições são reais e prejudiciais à produtividade e ao crescimento do negócio. Uma vez que você identifique ter alguma síndrome ou sinta que possa estar desenvolvendo sintomas relacionados a uma, busque uma fonte de apoio na organização. Seja com o líder ou com a área de Recursos Humanos, dialogue para que uma solução possa ser encontrada.”

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