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O Mito Do Funcionário Perfeito

Valores

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Ele é flexível, ágil e rápido. Cuida da aparência, mantém o vigor lá em cima e gasta toda a energia extra no trabalho. Não se importa em entrar mais cedo e sair mais tarde, mesmo que isso aconteça quase todos os dias. Mantém uma boa comunicação com todos e media conflitos, sem jamais se envolver em algum. Não erra. Não tem críticas à organização, jamais se queixa. Coloca o trabalho acima de qualquer projeto ou compromisso pessoal e familiar – inclusive dos cuidados com a saúde. Desconhece momentos de mau humor ou irritação. Usa o pouco tempo livre para a qualificação, que mescla formação nas mais prestigiosas instituições nacionais e internacionais. E coloca o dinheiro em segundo, terceiro e quarto plano. O que importa é a missão cumprida e a satisfação da empresa.

Para muitos gestores, talvez a definição de um funcionário perfeito seja exatamente essa.  Para as empresas, poderia ser maravilhoso encontrar um colaborador assim, a questão é que ele não existe. Pense bem: quantos empregados você conhece que reúnem todas as características do primeiro parágrafo deste texto? Mas todas mesmo, sem exceção. Talvez seja difícil encontrar até mesmo quem reúna algumas poucas.

O funcionário perfeito é um mito, e como tal deve ser encarado. Embora não haja problema em estabelecer requisitos indispensáveis àqueles que desejam ter em uma equipe – e tirar do jogo quem não mantém um desempenho satisfatório –, cuidado para não usar uma régua alta demais.  Não existem pessoas sem defeitos, dispostas a entregar tudo sem se preocupar com o que receberão em troca.

Já perdi a conta de quantos profissionais excelentes, com grande potencial, vi serem descartados por não corresponderem a expectativas impossíveis de alcançar. Nessas situações, o foco está sempre no que o colaborador não tem, não é ou não faz, jamais naquilo que ele efetivamente entrega. Sempre há um “mas” que invalida todos os pontos positivos. 

Para evitar esse tipo de situação, procure fazer avaliações balanceadas. Considerando aquilo que precisa ser melhorado, claro, sem esquecer tudo que o mesmo colaborador já trouxe de bom, de positivo, de estimulante. As metas que cumpriu, os processos que melhorou, os clientes que cativou, os conflitos que ajudou a mediar, as ideias que apresentou, os momentos em que agiu pelo bem da empresa. São inúmeros fatores a considerar. Vale a pena elaborar uma listinha e ver qual lado se sobressai: o positivo ou o negativo?

Não se trata de relevar a displicência, a desatualização, a descortesia, a falta de comprometimento com as tarefas e tantas outras atitudes inaceitáveis.  Mas sim compreender que a relação profissional é de troca, em que os dois lados precisam negociar, ceder e avançar a todo instante. O convívio profissional exige disposição para lidar com falhas e defeitos, nossos e dos outros. Evite comprometer parcerias que podem ser duradouras na busca de um profissional perfeito que não existe.

Por Allessandra Canuto, especialista em gestão estratégica de conflitos, sócia da AlleaoLado, focada em consultoria e coaching para empresas, e coautora do livro “A culpa não é minha”

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