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O mercado pós-COVID-19: o que muda e o que fica?

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Uma mudança social e econômica em escala global inevitável aconteceu e exige de você – dono de negócio ou não – aceitar esta realidade ou sucumbir nadando contra a maré da história – ou tsunami da história neste caso. As regras já mudaram e você precisa ficar conectado e adaptável e estas mudanças para surfar na direção certa.

E, para isso, você precisa entender que mudaram as regras, o ambiente, os acessos, as dores de mercado, as conexões com o público e originando aceleradamente inovações que vão substituir os conceitos do que é mercado e o que é uma empresa – e para isso, tal como Hércules, é necessário iniciar uma jornada de reinvenção e transformação para provar seu valor e ser um dos heróis deste panteão de empresas que vai nascer pós-COVID-19 e deixar muita gente para trás.

E antes de falar de tendências, é preciso ter clareza do momento e dos únicos fatos confirmados.  A COVID-19 manda no mercado no momento e ninguém sabe se ela vai embora ou vai evoluir ou por quanto tempo vai estar entre nós. Aceite o fato que ninguém tem controle no momento da situação e empresário que é empresário constrói sobre evidências e não sobre opiniões.

Separei aqui alguns fatos e fortes tendências como resultado de todo este atual momento:

Modelos de negócio

  • Muda o modelo de negócio tradicional por soluções rápidas, utilizando inovação, metodologia vertuous, design thinking, metodologias ágeis, economia colaborativa ou cooperativa para encontrar soluções rápidas e eficientes.
  • Mudam modelos de produto, canal de distribuição, canal de vendas, precificação e relacionamento com o cliente, principalmente na área de educação e alimentos - para atender um ticket médio que será mais baixo que antes da COVID-19 por um bom tempo.
  • Mudam formas de pagamento, relações trabalhistas e queda de obstáculos e resistência aos modelos digitais de negócio.
  • Muda o modelo comercial, com maior atenção em retenção e desenvolvimento de produtos de venda recorrente e menos foco em produtos de vida curta, funcionais e pontuais que, em uma crise, tornam-se irrelevantes ou inviáveis.
  • Nascem modelos de negócio com abordagem startup, criando novos mercados e novos segmentos em substituição ao que não funcionou neste período de crise.
  • Nascem modelos de negócio preparados para adaptarem-se a outras crises futuras ou usando a digitalização do negócio como evolução de segmento e produtos.
  • Nascem novos modelos trabalhistas com novas necessidades e relações em muitos setores, afetando desde a relação com o trabalho até o setor de benefícios, onde benefícios como “computador com internet dedicada ao trabalho” vão substituir coisas como vale alimentação e transporte.
  • Nascem produtos centrados na jornada do cliente e de grupos culturais com a visão de que cliente é investidor e recorrência de venda é relação e aprendizado destas necessidades.
  • Nascem novos modelos de fintechs, de trocas e transações econômicas, menos burocráticas, mais humanas e competitivas, levando as atuais iniciativas a um novo modelo. 

Mobilidade regional e internacional

  • Muda a logística e políticas de monitoramento e controle, tornando-se mais severas devido políticas de prevenção.
  • Muda a política de certificações e exigências sanitárias futuras, principalmente para mercados foodservice relacionados à proteína e subprodutos animais.
  • Mudam as relações com seguradoras e planos de saúde que terão maior exigências e novas demandas para clientes que viajam muito.
  • Mudam as estratégias de higienização e relação entre deliverys e sistemas locais de entrega, assim como a relação do modelo de negócios destes devido à redução abrupta do ticket médio dos clientes de seus clientes.
  • Nascem novos modelos e necessidades de moradia no mercado da construção civil.
  • Nascem novos modelos de cultura e turismo, focados no público regional.
  • Nascem ou fortalecem novos modelos de mobilidade e de entregas locais, acelerando as iniciativas atuais para um novo patamar.
  • Nasce novo modelo fiscal para atender às novas necessidades criadas. 

Cultura de mercado e comportamento

  • Mudança e redução do ticket médio dos mercados nacional e global, mudando também a visão do que é essencial e relevante para o consumidor e para a comunidade, seus hábitos de consumo, relações sociais, financeiras e ambientais dos clientes.
  • Muda a exigência do consumidor que foca em preço + bom atendimento + comportamento e colaboração social empresarial para escolher as marcas de quem continuará comprando.
  • Mudam e crescem as preocupações com propósito, saúde mental e física, da importância com a alimentação saudável, da necessidade de produtos orgânicos e crescimento de um mercado “faça você mesmo”.
  • Nasce um cliente mais informado e conectado com modelos digitais de compras, trabalho e relações.
  • Nascem dos clientes novas exigências e políticas socioculturais, cobrando um comprometimento das marcas com a comunidade.
  • Nasce uma nova geração de empresas que entregarão ao mercado novas soluções e produtos originados do propósito, virtudes, comportamento e cultura de sustentabilidade e inovação.
  • Nascem novas relações com bancos com novos modelos econômicos, oferecendo melhores negociações e outros modelos de crédito.
  • Nasce um novo modelo de marketplace, e-commerce e delivery focado em “consultoras digitais” e fidelização por relacionamento.
  • Nascem novos modelos de saúde e de cadeia de alimentação, descentralizados e focados em customização.

Neste breve cenário e frente a estes acontecimentos já em andamento, é necessário entender que, nesta jornada, não sairá vencedor quem tem mais recursos para aguentar a crise. Estes quando muito serão sobreviventes como nossos primos símios durante nosso processo de evolução.

Os vencedores pós-crise são aqueles que estão agindo agora com clareza e criatividade, mudando seu modelo de negócio, ajustando ou criando novas ofertas de produto para atender um ticket médio reduzido, adaptando sua cadeia logística e produtiva aos novos momentos, simplificando a operação sem perder qualidade de entrega, focando na retenção de clientes mais do que em venda desenfreada, aprendendo no processo e criando novos mercados e, acima de tudo, construindo sua marca usando o pertencimento comunitário e pertencimento por grupos culturais sendo uma empresa participativa do ponto de vista social da vida de seus clientes e empregados.

Nesta jornada fica a dura lição que negócios são feitos entre pessoas e pessoas valorizam a qualidade das relações que tem antes de valorizar aquilo que você pode fazer ou vender para elas. Que viver na segurança de soluções datadas e “seguras” é abraçar um risco mortal grande demais para o seu negócio e que isso tem consequências.

A crise mostrou a fragilidade dos modelos comerciais e econômicos em uso hoje e como a necessidade é a mãe da invenção, o que realmente nasce após o novo coronavírus é que, nesta jornada, alguém vai tomar a frente e mudar todas as regras do jogo - e esse alguém pode ser você. Então, cabe a nós reconhecer a realidade e iniciar essa jornada de adaptação e evolução para uma era pós-COVID-19.

Por Vagner Almeida, criador e embaixador da metodologia Vertuous de inovação de negócios, marcas e de produtos

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