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O impacto do Coronavírus nas pequenas e médias empresas

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Se ao final de 2019 havia o otimismo de crescimento nas principais economias do mundo, os primeiros meses de 2020 mudaram drasticamente o cenário. Em alguns casos, as projeções antes positivas se tornaram previsões de crescimento próximas a zero. E a mudança de panorama tem um culpado a ser apontado: o novo Coronavírus.

Hoje, com o dólar superior a R$ 5 na cotação oficial, a crise internacional e a recessão que está a caminho por causa da paralisação dos meios de produção em todo o mundo, muitas incertezas pairam sobre os investidores, acionistas e também sobre não investidores. Afinal, como deve ficar a economia brasileira e mundial após o surto de coronavírus? O que se sabe é que para pequenas e médias empresas, principalmente, o desafio de sobreviver durante a pandemia é árduo.

O advogado tributarista e especialista no mercado financeiro, Eliézer Marins, acredita que é preciso se adequar e buscar meios de seguir em frente: "O desconhecido e o medo de suas consequências caiu cedo demais sobre a economia global e por causa deste inesperado fato o mundo está sem chão, sem um ponto de referência. O coronavírus se tornou muito pior para a economia mundial do que guerra comercial entre Estados Unidos e China e pode nos arrastar a um Crash igual ou até mesmo de maiores proporções que o da grande depressão de 1929 da Bolsa de Nova York. O impacto é sequencial como se fosse um dominó, da China ao Irã e à Coreia do Sul e agora toda a Europa ocidental, que virou o epicentro da epidemia e está paralisada frente ao desconhecido, e tudo isto é algo nunca vi, nem a maioria de nós”.

De acordo com a associação econômica da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP), as pequenas e médias empresas (PMEs) tendem a ser as mais prejudicadas com as medidas de segurança contra o vírus, como o isolamento e a quarentena. Dentre os motivos estão a interferência no volume de vendas, a estrutura de negócios (nem todas as empresas têm facilidade em, por exemplo, aderir a práticas como home office).

“Por mais que empresas de maior porte também estejam passando por dificuldades com o coronavírus, elas têm uma base estrutural mais forte para lidar com uma crise e arcar com um prejuízo. Para uma PME, perder mil pode representar um estrago muito maior do que uma multinacional perder milhão”, comenta o analista financeiro Luis Shibatta.

De acordo com o especialista, pequenas e médias empresas não podem parar mesmo em período de quarentena. E a recomendação é para que elas aproveitem esse momento para traçar novos planos de ação. 

“Primeiro, todos nós temos que seguir as orientações do Ministério da Saúde e de órgãos de saúde em geral referentes às ações para se tomar durante a pandemia. É responsabilidade de todos. Contudo, não podemos fechar os olhos para o fato de que a quarentena não é transtorno para alguns negócios, enquanto pode ser o fim de outros. Nesse momento, negócios que não podem para precisam reforçar suas medidas de segurança em relação à saúde, com cartilhas, palestras, e-mails diários com atualizações sobre o vírus, além de pensar em novas estratégias. Talvez, seja o momento de uma loja física começar a se estruturar para o ambiente virtual, restaurantes explorarem mais o delivery, gestores montarem uma dinâmica de trabalho remoto, e assim por diante”, orienta.

Para Claudio Roca, Diretor Geral da NerdMonster Digital Retail, empresa de soluções digitais, é fundamental que as empresas usem os seus canais digitais não só para atualizar a equipe sobre o momento vivido e as ações tomadas, mas também os clientes. “Neste momento é fundamental que as PMEs utilizem seus canais digitais para se comunicarem com seu público consumidor. Mudanças de horários, dias especiais ou até mesmo fechamentos temporários são informações cruciais para saídas às compras mais assertivas nesse difícil momento”.

Também da NerdMonster, Marcos Lavorato, Diretor de Operações da empresa, reforça que “se empresas nativas digitais como a Amazon AWS e o Google já sentem os impactos da onda gerada pelo novo coronavírus, os estabelecimentos físicos têm na atualização de canais importantes como o Google Meu Negócio e o Facebook suas medidas mínimas recomendadas”.

Auxílio governamental

O Ministério da Economia anunciou ontem (17) em seu portal duas medidas do governo federal para reduzir o impacto da pandemia na economia das PMEs. A primeira é o adiamento da parte da União no recolhimento do imposto do Simples Nacional, pelo período de três meses, o que deve corresponder a uma renúncia de R$ 22,2 bilhões em período temporário.

Já a segunda ação é a liberação de R$ 5 bilhões pelo Programa de Geração de Renda (Proger), mantido com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O valor será repassado aos bancos públicos com o intuito deles promoverem empréstimos voltados ao capital de giro das PMEs.

“Focamos nas micro e pequenas empresas porque são elas que têm mais dificuldade em obter capital de giro e acessar linhas de crédito. Além disso, as pequenas empresas vivem para o pagamento de salários e de fornecedores, e dependem do dinheiro que está entrando todo mês. Então, optamos por criar duas medidas muito fortes para resguardar o caixa dessas empresas que foram as responsáveis pela criação de novas vagas de emprego nos últimos meses”, explicou em entrevista coletiva o secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do Ministério da Economia, Carlos da Costa.

Será mesmo necessário tomar medidas como diminuir as taxas da linha de capital de giro e aumentar os prazos de carência, para que o empreendedor possa se recuperar. Isto é uma tendência a ser seguida não apenas por governos, mas por grandes instituições financeiras em todo o mundo, que mais do que nunca precisarão aumentar a oferta de crédito e acreditar no empreendedor”, acrescenta Yasmim Melo, especialista em crédito e consultora.

E a conta?

Apesar de muitos governos tomarem medidas para impactar positivamente nas economias, Eliézer Marins questiona quem pagará a conta por estes incentivos: “algo que já é perceptível é que as pessoas já não estão mais consumindo ou saindo como antigamente. Já tínhamos no Brasil um cenário de recuperação lenta de uma recessão econômica, ainda mais agora com o coronavírus, que obrigará muitos destes estabelecimentos comerciais a estarem fechados, acumulando prejuízos. Então mediante a essa retração do consumo, que reflete diretamente no lucro dos empresários, eu pergunto quem vai pagar essa conta. Será que os governos irão aliviar a carga tributária ou adiar o recolhimento dos impostos de empresários que foram afetados por essa paralisação causada pelo vírus até que a situação se realize? Os impostos sobre os salários vão ser pagos? É importante que nós façamos esta pergunta”, finaliza.

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