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O Desafio De Tentar Recomeçar Em Uma Nova Carreira

Mercado de trabalho

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Aos 29 anos, Leandro Alvarenga vive um momento de recomeço profissional. Ex-cozinheiro, o hoje estagiário de publicidade se frustrou com a gastronomia e abandonou o curso e a profissão. Tudo para seguir por um caminho diferente do qual pensou que trilharia toda a sua trajetória profissional.

Leandro deixou para trás o passado nas cozinhas de um buffet e de um restaurante. A frustração com a antiga profissão veio à tona quando ele se deu conta de que gostaria de algo diferente para sua vida. Além disso, outros fatores também pesaram na mudança, como o dia a dia puxado e a exigente carga horária de seu trabalho. “Quando você chega perto dos 30 anos, começa a enxergar as coisas de outro jeito. A área de gastronomia é gratificante e conta com uma boa união entre as pessoas. Mas trabalhar de domingo a domingo é muito cansativo. Sem contar toda a pressão”, ressaltou.

Embora a ideia da mudança amadurecesse cada vez mais, um planejamento prévio era necessário. Três anos antes de oficializar sua matrícula na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Leandro começou o seu planejamento financeiro. Ele conseguiu uma bolsa do Prouni (Programa Universidade para Todos) para prosseguir com o curso, mas já tinha em mente que, qualquer que fosse o estágio que conseguisse, o valor da bolsa-auxílio seria baixo e pouco ajudaria nas despesas da casa.  “Se você não for alguém com uma condição financeira mais confortável, precisa fazer alguns esforços a mais. Essa foi a principal razão para eu adiar a minha mudança de área”, comentou.

Como usar a idade a seu favor

Após um ano de procura, Leandro conseguiu sua primeira oportunidade para trabalhar com comunicação social e o seu planejamento financeiro foi de grande importância nessa fase, pois o bolsa-auxilio que recebia era limitador. A analista e consultora de marketing,Dayane Marques explica que o valor baixo das bolsas pode ser um fator prejudicial para a inserção de pessoas mais velhas em novas carreiras. “Estudantes nessa faixa etária podem sofrer com a necessidade de precisar correr atrás de algum prejuízo. E concorrentes mais jovens com apoio financeiro dos pais têm menos problemas para se submeter a salários baixos”.

Para Célia Lourenço, especialista em Recursos Humanos que há 10 anos atua com departamento pessoal e recrutamento, o principal problema em relação à pouca remuneração está na questão da consequente desmotivação. Célia acrescenta que, embora com o passar do tempo a tendência seja evoluir profissionalmente e melhorar o salário e os benefícios, o início pode ser bem complicado e desgastante.

Para quem sente que a idade pode pesar em relação ao mercado, tanto Dayane quanto Célia ressaltam que, na verdade, a idade pode ser a principal aliada. Para a profissional de marketing, muitos jovens saem na frente por terem “nascido na era digital”, mas a situação pode ser contornada por quem procura se atualizar e se manter atento às inovações. Isso, aliado ao fator experiência, tende a agregar consideravelmente.

A especialista de RH faz a ressalva de que a mudança julgada tardia de carreira é um investimento de tempo e energia. E com o mercado cada vez mais exigente e vivendo uma forte crise econômica, o foco e a disposição devem ser ainda maiores. Além disso, ela enfatiza a importância de explorar o marketing pessoal como chave do sucesso. “Nunca é tarde para mudar. No caso do profissional com mais idade, seu diferencial é a maturidade, a experiência de vida que ele deve “vender” ao participar de um processo seletivo. Neste sentido, somado à busca por sempre se atualizar, tal combinação é algo com o que as empresas podem se beneficiar. Ou seja, ter alguém maduro, vivido, mas também atualizado e aberto a inovações”, diz.

As empresas levam em consideração, também, projetos futuros e quais os objetivos que o profissional busca em sua nova carreira. “Minha principal dica é que todas as decisões sejam tomadas dentro de um planejamento prévio. Analisar as situações contribui com as melhores escolhas”, conclui Leandro.

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