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O Ciclo Do Playground Corporativo

Coluna 443

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Vejo nas empresas profissionais de 30, 40, 50 anos de idade agindo como verdadeiros adolescentes. Chefes imaturos comportam-se como se estivessem no “colegial” flertando com a menina mais bonita da turma. Brincadeiras em excesso e muitas vezes inoportunas reforçam essa visão. Não é incomum encontrar fotos de colegas compartilhadas em grupos privados de WhatsApp com comentários pejorativos sobre vestimentas, cortes de cabelo, dentre outra, por exemplo: em uma posição pra lá de constrangedora.

Arrisco dizer que o bullying está muito mais presente em algumas organizações do que em certos ambientes escolares. Isso sem falar nas brigas e ofensas entre colegas que ficam se digladiando publicamente pelo simples fato de terem opiniões diferentes. Aliás, enquanto escrevia este artigo, recebi um vídeo com dois funcionários de uma das maiores redes de fastfood saindo literalmente na mão, com direito a socos e tudo mais. E pior, na frente do cliente, que filmou tudo e obviamente compartilhou nas mídias.

Esse comportamento infantil, onde uma pessoa quando contrariada só falta se jogar no chão e fazer birra igual uma criança de dois anos, evidencia a falta de maturidade e equilíbrio existentes em lidar com questões simples do dia a dia, seja no aspecto pessoal ou profissional.

Por sinal, foi-se o tempo em que questões pessoais eram tratadas de forma privada e sempre que possível fora do ambiente de trabalho. Hoje é comum discussões entre cônjuges ao telefone, ganharem livremente os ares das baias e corredores do escritório.

E tudo isso vai parar aonde?

Em mais um dos grupos de WhatsApp. Sim, existem vários formados por colegas de trabalho e você pode ter certeza... em algum deles, o assunto principal já foi você – mesmo sem ter tido a opção de participar ou não desse “debate”.

Precisamos urgentemente quebrar esse ciclo, acabar com esse playground corporativo.

Recentemente, o CEO do LinkedIn disse em uma entrevista que as empresas estão mais preocupadas com as habilidades do que com os diplomas. Concordo com ele, e acrescento. Contrata-se pelas habilidades, demite-se pelo comportamento e pelas atitudes.

Um bom ambiente de trabalho, sadio e produtivo, requer antes de mais nada, respeito e profissionalismo. Isso não quer dizer que você não possa criar vínculos e amizades dentro da companhia, muito pelo contrário.Ter um local mais agradável e produtivo é responsabilidade de todos. Seja você um líder ou um estagiário recém contratado.

A quebra do ciclo do playground corporativo depende de cada um de nós e você pode começar simplesmente não compactuando com esse tipo de comportamento infantil e adolescente.Te convido a fazer reflexão sobre o tema, afinal segundo enquete que fiz no Instagram, 90% das pessoas disseram já ter presenciado esse tipo de comportamento em suas empresas. E aí, vamos acabar com esta atitude de adolescência estendida?

Por Milton Camargo, sócio co-fundador do Grupo Empreenda e EdE. É um dos colunistas do RH Pra Você. 

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