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Nosso protagonismo no mundo depende da conexão com a nossas origens

Coluna 1012

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O século XXI parece nos despertar para um nível de consciência mais elevado, algo que nos ajuda a ter clareza sobre nós, sobre o que nos impede de atingir a nossa plena potencialidade como indivíduos.

No âmbito das organizações, os programas de desenvolvimento pessoal e de lideranças atingiram um grau de excelência, principalmente naquelas empresas mais bem estruturadas, contudo, nos seus aspectos mais técnico-funcionais. Há um enorme repertório de técnicas e boas práticas nesse sentido.

Entretanto, nota-se, cada vez mais, um número crescente de pessoas infelizes e desajustadas na vida, com impactos significativos nos ambientes de trabalho e, consequentemente, na produtividade das pessoas e das empresas. Há, a meu ver, uma lacuna a ser ocupada pelas áreas de desenvolvimento organizacional, no sentido de liderarem, dentro das suas empresas, programas de autoconhecimento que contemplem a compreensão dos indivíduos, no seu cerne. A coragem para entender que somos humanos e, portanto, vulneráveis aos nossos medos, traumas e toda a sorte de experiências emocionais que caracterizaram nossa jornada na vida. Criar espaços de conforto psicológico que propiciem conforto emocional para as pessoas tratarem seus traumas. Terminar com a hipocrisia de pessoas totalmente felizes e perfeitas “em nossa empresa”, afinal, estamos entre as 150 Melhores Empresas para as Pessoas Trabalharem.

Segundo a autora Edith Cassal, “a herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.”

No seu livro, Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez retrata como o medo é repetido através de diferentes gerações até tornar-se realidade e terminar com toda uma linhagem familiar. A herança dos nossos antepassados atravessa gerações. Trata-se de um processo que permeia as gerações de forma inconsciente, via de regra, causando situações confusas ou que provocam vergonha ou, até mesmo, medo nos descendentes daquela família. Tal herança familiar pode se manifestar em forma de doença. Como explica o psicanalista francês Françoise Dolto, “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo.”

Há um inconsciente familiar no qual estão armazenadas todas as experiências que foram omitidas por questões de tabu, tais como suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, dentre tantas experiências difíceis. Esses traumas escondidos, tendem a se repetir na geração seguinte, até que sejam tornados conscientes, respeitados e, portanto, resolvidos.  Por que não incluir essa temática nas agendas de desenvolvimento de pessoal das organizações?

Por Américo Rodrigues de Figueiredo, Professor de MBA, Certificate in Business Administration e Certificate in Health Management do Insper em Gestão de Pessoas e Organizações, Conselheiro de empresas, Mentor Executivo e de Jovens. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação