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No olho da pandemia, campanha Janeiro Branco nunca foi tão importante

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As campanhas que associam cores aos meses têm obtido sucesso ao engajar pessoas em torno de temas relacionados à saúde e que merecem atenção. Como o início de um novo ano marca a projeção de novas metas, e melhorar a qualidade de vida é um objetivo comum de grande parte da população, há sete anos foi criado no Brasil o Janeiro Branco, uma campanha que convida as pessoas a refletirem sobre a saúde mental, promovendo a conscientização sobre a importância da prevenção ao adoecimento emocional - algo que gera impactos preocupantes em nossa sociedade.

Segundo pesquisa do ISMA (International Stress Management Association), 72% dos brasileiros que estão no mercado de trabalho sofrem alguma sequela causada pelo estresse: do total, 32% apresentam a Síndrome de Burnout (esgotamento físico e mental intenso). A mesma pesquisa também revelou que 9 em cada 10 brasileiros que trabalham têm sintomas de ansiedade e 47% deles convivem com a depressão em algum nível.

No mês dedicado à reflexão sobre a importância de cuidar da saúde mental, é primordial abordar o papel das empresas na promoção do bem-estar dos funcionários, especialmente no contexto da pandemia e das adaptações aos modelos de trabalho. Afinal, de modo geral, as pessoas passam a maior parte do seu dia no ambiente de trabalho. E a pressão nas organizações, somada ao ritmo intenso das atividades, pode comprometer a saúde mental dos colaboradores.

Saúde mental é prioridade para 2021

Em tempos de pandemia, falar sobre saúde mental ganhou um sentido de urgência. Isolamento, perda de entes queridos, medo do futuro, tudo isso passou a fazer parte da vida das pessoas nos últimos meses, ampliando a necessidade de debater ações em prol do tema.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Psychiatry Research sobre os impactos da Covid-19 na saúde mental da população mundial, a incidência de ansiedade e de depressão foi, respectivamente, quatro e três vezes mais frequente quando comparada aos dados levantados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nos últimos anos.

O levantamento com mais de 190 mil pessoas constatou constatou a prevalência de insônia em 24%, do transtorno por estresse pós-traumático em 22%, da depressão e da ansiedade em 16% e 15%, respectivamente, entre a população afetada pela Covid-19.

A psicóloga Natália Reis Morandi, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, alerta para os efeitos deste aumento em médio e longo prazo. “Alterações na qualidade do sono e da alimentação, bem como a perda de interesse nas atividades cotidianas, além da dificuldade para lidar com problemas do dia a dia e tomar decisões, estão entre os sinais mais relatados entre os pacientes”, destaca.

A especialista ressalta que sintomas como estes podem evoluir para problemas mais graves e tendem a aumentar quando a pessoa deixa de procurar ajuda profissional. Natália explica que a mudança nos hábitos sociais pode afetar a forma como as pessoas se organizam no dia a dia e os efeitos disso são devastadores quando não há um acompanhamento.

“A saúde mental pode gerar danos sérios à saúde de maneira geral, como doenças cardíacas, alterações na pressão arterial e problemas digestivos, por exemplo, impactando a qualidade de vida das pessoas”, alerta.

No Hospital São Camilo, a adesão ao Janeiro Branco envolve a iluminação das fachadas durante o mês e também o reforço nas comunicações interna e externa sobre os devidos cuidados que todos devem tomar. A campanha é uma forma de trazer informação à população, além de divulgar dicas de prevenção com o objetivo de mostrar que a saúde mental deve ser levada a sério. Durante ela, a Instituição fará divulgações voltadas para seus colaboradores, através dos seus canais internos. Já o público geral poderá conferir informações sobre prevenção, diagnóstico e formas de tratamento nas redes sociais do Hospital.

O apoio do mindfulness

Ainda com base no estudo divulgado na Psychiatry Research, os pesquisadores não identificaram diferença significativa entre gênero ou região geográfica, e nem entre a população geral e os trabalhadores da saúde (exceto em relação à insônia, pois o segundo grupo relatou duas vezes mais dificuldade para conciliar o sono do que os demais participantes). 

Mais do que nunca, é preciso discutir gatilhos capazes de desencadear ansiedade, estresse, angústia, medo e até depressão, desmistificando esses temas tão importantes (e tratáveis) para a saúde como um todo, e reforçar a necessidade de acesso a atendimento psicológico, psiquiátrico e outras técnicas que podem ser um poderoso aditivo ao tratamento. Método criado pelo médico Jon Kabat Zinn, em 1979, o mindfulness é uma técnica que promove efeitos positivos em pessoas com problemas que afetam a saúde mental.

"A prática de atenção plena é uma ótima ferramenta e todos podem praticar, é simples de implementar na rotina e possui inúmeros benefícios", ressalta Luiza Bittencourt, instrutora sênior de mindfulness pelo MTI (Mindfulness Trainings International). De acordo com estudo da Universidade da Califórnia, durante a meditação, a enzima telomerase (ligada ao sistema imunológico) tem sua ação intensificada, então a pessoa que medita tem suas defesas ampliadas e consegue lidar melhor com o estresse também. "Não podemos controlar muitas coisas na vida, mas uma coisa que podemos (e devemos) fazer neste período de pandemia do Covid-19 é redobrar o autocuidado e fortalecer o sistema imunológico", aponta Luiza.

Entre os desafios da quarentena com isolamento social, home office (e para os pais também o homeschooling), além da preocupação constante com saúde e finanças, a pandemia exigiu bastante da população mundial. Muitas mudanças repentinas aliadas às incertezas do cenário contribuíram negativamente para o estado mental.

"Se você está em casa sem trabalhar, segue de home office ou possui horários flexíveis, aproveite para desacelerar e tirar um tempo para sua prática de meditação. Isso é como tomar remédio, faça disso um compromisso diário e leve tão a sério quanto. Quando você está em tratamento, deixa de tomar seu remédio diariamente? Não. Então a mesma ideia serve para a sua prática diária de mindfulness. Bem-estar psicológico traz também bem-estar físico. Precisamos de ambos fortalecidos nesse momento", reforça Luiza.

Entre os benefícios do mindfulness, a especialista destaca a redução do estresse e da ansiedade, o aumento da sensação de bem-estar, e a prática ainda ensina a lidar melhor com as emoções e desafios diários. Além disso, a prática também melhora a qualidade do sono e sintomas de depressão, fortalecendo o sistema imunológico e desenvolvendo gratidão e (auto)compaixão, bem como o foco e concentração. O mindfulness propõe exercitar o cérebro, e consegue modificá-lo através da neuroplasticidade.

Tecnologia nos cuidados com a mente

Os riscos psicossociais constituem um grande desafio de segurança e saúde no trabalho. Esses riscos, diferentemente dos físicos, químicos e biológicos, não são facilmente identificados. Somados ao estresse, repercutem negativamente na saúde dos indivíduos, das organizações e no desenvolvimento das nações. Apesar de custarem cerca de 1 trilhão de dólares à economia global todo ano, segundo dados da OMS, as questões relacionadas à saúde mental são negligenciadas em termos de investimento, tanto pelo tabu atrelado a este tema, mas também porque muitos gestores não sabem como agir diante disso.  

No entanto, as empresas podem atuar de forma efetiva, abordando o tema como uma questão organizacional e não um problema individual. Os riscos psicossociais podem ser geridos como qualquer outro risco de saúde e segurança no trabalho. No Brasil, isso ainda é um tema novo. Foi para auxiliar as organizações a construírem uma cultura de atenção primária à saúde mental que surgiu a BeeTouch, empresa na mensuração digital de risco psicológico e em avaliações psicológicas digitais. Desde 2012, a startup oferece ferramentas ágeis e eficientes para gerir o risco em saúde mental dos colaboradores por meio de data science, aliando inteligência, precisão e qualidade na análise de resultados. 

"Ainda estamos sensibilizando os gestores sobre a necessidade de “abrir” canais para abordarmos o tema da saúde mental, para redução do estigma e estímulo à busca precoce de ajuda. Mas, não podemos reduzir a complexidade que envolve o tema da saúde mental à discussão de transtornos mentais comuns, como a depressão e a ansiedade. Tais transtornos devem ser abordados, mas temos muito a explorar e a realizar neste âmbito. Especialmente, no que tange às estratégias preventivas, ao rastreio precoce e à gestão dos riscos psicossociais" - pontua Ana Carolina Peuker, psicóloga e fundadora da BeeTouch. 

Informações da Agência Europeia de Saúde e Segurança no Trabalho mostram que cerca de metade dos trabalhadores europeus considera o estresse uma situação comum no local de trabalho, que contribui para cerca de 50% dos dias de trabalho perdidos. Da mesma maneira que outras questões de saúde mental, o estresse não é rastreado adequadamente nas organizações. Existem muitas condições de trabalho que agravam tais riscos psicossociais, por exemplo, cargas de trabalho excessivas, insegurança laboral, comunicação ineficaz, falta de apoio da parte de chefias e colegas, assédio psicológico ou sexual, preconceito racial, de gênero, religioso, classe social, entre outros. 

As organizações devem ser responsáveis por instituir medidas, cumprir medidas legais, definir padrões de conduta de ação, sistemas de identificação de demandas, que garantam a integridade destes trabalhadores. É necessário uma abordagem sistêmica, com método e acompanhamento longitudinal de indicadores, com ciclos de melhoria contínua. Um ambiente psicossocial positivo ou um “ambiente psicologicamente seguro” favorece a produtividade, o engajamento, o desenvolvimento pessoal, além do bem-estar integral (físico e mental) dos trabalhadores. 

A Bee Touch rastreia, através de software, os riscos psicossociais para garantir sua rastreabilidade e gestão. Por meio da tecnologia, é possível diagnosticar as fontes de estresse, entre as quais podem estar escondidas o preconceito, o mobbing, a insegurança laboral, o assédio e a violência no trabalho.

Uma abordagem preventiva, integrada e sistemática da gestão dos riscos psicossociais é a “regra de ouro” para garantir a competitividade dos negócios e a saúde dos trabalhadores. Os riscos psicossociais são mais complexos e difíceis de gerir do que os riscos – físicos, químicos e biológicos - amplamente abordados pela área de saúde e segurança no trabalho. A Bee Touch tem como missão contribuir para que as empresas disponibilizem um “EPI” - equipamento de proteção – neste caso, o “i” é de invisível, que protege contra os danos psicológicos aos colaboradores. O “estressômetro”, por exemplo, é uma ferramenta com um caráter lúdico, que permite o rastreio dos níveis e fontes de estresse. 

"Entendemos que os riscos que podem culminar em problemas psicológicos são dinâmicos. Por isso, precisamos de tecnologia e metodologias ágeis  para rastreá-los e geri-los de forma eficiente. Hoje, os efeitos negativos do trabalho remoto e da hiperconectividade, são vivenciados por muitos trabalhadores e gestores. Nosso trabalho pode envolver mais de uma etapa, que vai desde a sensibilização, diagnóstico, elaboração de um “mapa” digital dos riscos, análise preditiva até a implementação do plano estratégico e o monitoramento dos indicadores, tudo através de uma plataforma digital que consolida os dados e permite o acompanhamento e melhorias contínuas" destaca a CEO Ana Carolina.

A neuroarquitetura também pode ajudar

"É comprovado que o ambiente físico pode impactar nosso cérebro, que trabalha a partir de estímulos externos. A neuroarquitetura, aplicada em projetos, obras e construções, consiste na observação e compreensão dos impactos arquitetônicos sobre o cérebro e o comportamento humano. Por isso, é importante pensar em espaços corporativos mais humanizados e atrativos. Um ambiente funcional e, ao mesmo tempo, harmonioso contribui com o bem-estar dos colaboradores, melhora a qualidade de vida e ainda é capaz de extrair a melhor performance das equipes", explica Denise Moraes (capa), diretora de projetos e sócia da AKMX Arquitetura Corporativa.

A especialista relaciona soluções para promover o equilíbrio nos ambientes corporativos: "Uma copa com mais cara de cozinha, espaços com materiais mais acolhedores e confortáveis, poltronas e sofás com uma luz mais aconchegante, que permitem a realização de reuniões on-line, são alguns exemplos que trazem um diferente tipo de estímulo, trazem conforto. Espaços colaborativos também são muito importantes, pois fazem com que as pessoas tenham mais contato humano e, assim, trabalhem mais satisfeitas e sejam mais produtivas", afirma.

Baseada nesta teoria, a empresa tem se desafiado a projetar ambientes com funcionalidade, conforto, eficiência e natureza. Recentemente, a AKMX apresentou o Neuro-bio-ux: Neurociência, Biofilia e User Experience (experiência do usuário), um novo conceito em arquitetura que conecta a rotina de um escritório, baseada na neuroarquitetura, na biofilia e na customização dos ambientes, de acordo com as necessidades específicas de cada empresa.

A proposta traz a natureza para dentro dos ambientes, provocando reações cerebrais positivas e resultando em uma grande mudança na experiência do usuário. "É possível, com o Neuro-bio-ux, que o escritório passe a ser reconhecido pelo seu papel fundamental na saúde e bem-estar dos colaboradores", conclui Denise Moraes.

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