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Neuroprodutividade: A neurociência a favor da produtividade

Coluna 1096

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Produtividade é um assunto corriqueiro no mundo organizacional, existe uma preocupação constante com o tema por empresários e executivos. As tecnologias vêm aprimorando a execução do trabalho e tornando a rotina mais prática e simples, mesmo assim, a complexidade das tarefas está cada vez maior. Então como lidar com essa demanda de uma maneira eficaz?

A chave pode estar no cérebro, órgão do sistema nervoso. Conhecer seu funcionamento ajuda a melhorar a tomada de decisões, o nível de atenção e de comportamento social.

Sob a ótica da neurociência, o cérebro é um sistema operacional. Isso significa que recebemos informações externas (ambiente) e internas (desejos e necessidades), as processamos e interpretamos, as quais transformamos em comportamento. Para ficar gravada em nossa mente essa atitude, ela precisa ser repetida e reforçada positivamente. Mas esqueça a história de punição, o castigo não faz um comportamento deixar de existir. É mais fácil criar e reforçar positivamente um hábito novo.

Se o recurso é limitado, a nossa melhor opção é usá-lo de maneira eficaz!

O que mais observamos nas lideranças é a punição ao erro, mas é impossível aprender algo novo sem se permitir o engano. Parece que esquecemos o quanto caímos para aprender a andar. O adulto muitas vezes se sente infantil frente à própria falha ou até mesmo menos valorizado. E por esse motivo muitas vezes que se limita a fazer tão somente o que sabe. Sem perceber, coloca-se um uma bolha de proteção.

O córtex pré-frontal, nosso centro executivo, parte do nosso cérebro responsável pela tomada de decisão, gasta muita energia, e ao automatizar comportamentos, evita esse desperdício energético. Se o recurso é limitado, a nossa melhor opção é usá-lo de maneira eficaz. Automatizar comportamentos positivos e utilizar a energia para focar no aprendizado dos novos.

Pude notar ao longo da minha experiência que a produtividade muitas vezes é impactada pelo medo de deixar de acertar. Sem notar, a pessoa começa a evitar se envolver com determinadas tarefas, surge um enorme temor de não ser capaz de executar e, principalmente, um receio da exposição. Só que alimentamos nossa mente a partir de novas informações, eu diria, de novas experiências. O próprio ato de se proteger para não se expor impede a criação de novas conexões e aprendizados. Ou seja, é melhor se arriscar a acreditar nessa falsa sensação de proteção.

Não arriscar nada.... é arriscar tudo!

Nada mais confortável que saber que você e eu somos iguais. Sim, podemos pensar e ver o mundo sob perspectivas diferentes, mas por outro lado, somos seres humanos e funcionamos da mesma forma, acredite você ou não. E, claro, como estudiosa da neurociência, entender o funcionamento do cérebro me faz minimizar as inquietações e maximizar as recompensas. E quem não deseja viver dessa forma? Aposto que todos nós queremos um balanço positivo nas nossas vidas profissionais e pessoais.

Então vamos explorar como lidamos com o mundo que nos rodeia. Podemos dizer que a principal função do nosso cérebro é garantir a sobrevivência. O tempo todo nós captamos as informações externas e internas com a intenção de nos mantermos vivos. Além de suprir nossas necessidades básicas como fome, sede, sono, também desejamos suprir nossas necessidades sociais. Sim, somos seres sociais e desejamos ter essas necessidades alimentadas também. E quem já não notou o quanto colocamos energia em buscar prever o futuro?

Saber o que pode acontecer no momento seguinte e até mesmo em um futuro próximo é uma necessidade que nosso cérebro busca o tempo todo. Acontece que algumas pessoas se sentem mais compelidas do que outras. Nem sempre temos condições de traçar rotas perfeitas, naturalmente imprevistos irão acontecer ao longo do caminho. A coragem para arriscar nos faz ir mais longe. E isso faz muito sentido quando pensamos em produtividade. Talvez quando não arriscamos nada, estamos arriscando tudo!

Por Katia Gaspar, especialista em Desenvolvimento do Potencial Humano. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação