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Nem tudo é culpa do Coronavirus nos negócios

Coluna 418

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As empresas já vinham sendo desafiadas por uma economia frágil que tentava se recuperar da recessão dos últimos anos. Além disso, e diria principalmente, diversos setores e empresas tinham que enfrentar a disrupção em seus negócios por conta da mudança de comportamento dos consumidores, o surgimento de novas tecnologias, startups etc etc etc.

Como se isso tudo já não bastasse, chega então o tal do Coronavírus!

O vírus exponencializou toda essa turbulência deixando não apenas o mundo dos negócios ainda mais imprevisível, mas também a vida das pessoas e da sociedade como um todo.

Inicia-se, então, de forma emergencial e muitas vezes improvisadas, as necessárias iniciativas para gestão de riscos e crises nas empresas. Sabemos que esse é um tema não muito valorizado no Brasil e que temos poucos líderes preparados de fato para lidar com tais desafios.

Desta vez a crise não é por conta de um fato isolado, como um acidente ambiental, o envolvimento em um ato de corrupção, uma propaganda mal interpretada, uma estratégia equivocada... Também não é algo que afete apenas uma empresa, setor ou cadeia de valor! Agora, afeta todos e de uma só vez!!!  

E tem uma pitada extra de pânico, depressão, medo, angústia, fake news e muitos outros temores.

Mas convenhamos... será que o vírus é o único culpado? Sinceramente acho que não, afinal nossa fragilidade social, empresarial, familiar, política e humana ficou muito mais evidente agora.

Não preciso dizer o quanto estamos carentes de líderes em todas as esferas da sociedade não é mesmo? Há anos pesquisas que nós do Grupo Empreenda realizamos com CEOs das maiores empresas que atuam no Brasil apontam o “apagão de líderes”. Há anos que vemos que os jovens estão sem referência de líderes em que possam se inspirar!

Mais do que nunca é preciso coragem e velocidade para lidar com essa nova força destruidora e fazer o que precisa ser feito! As empresas precisam entender que para muitas delas não adianta mais trocar o curativo, precisam urgentemente de uma intervenção cirúrgica.

Antes do Coroanvírus era possível continuar insistindo em certas questões, postergando certas decisões, mas agora não dá mais. Resta saber como essas empresas vão agir agora.

Elas podem ficar se lamentando, usando o Coronavírus como pretexto perfeito para justificar seu insucesso e perda de competividade ou reinventarem-se, a partir de medidas muitas vezes drásticas, mas necessárias!!!

As empresas que melhor têm se saído neste momento são aquelas que já vinham enfrentando o Pré-Covid de maneira estruturada. Já tinham decido e estavam implementando as mudanças necessárias para tornar o negócio mais competitivo e sustentável perante os “novos concorrentes com soluções disruptivas”

Essas empresas já tinham alterado sua forma de gestão, seu modelo de negócio! Já estavam em processo avançado de transformação digital. Já tinham voltado seu mindset para o Cliente!

Isso se evidencia pela velocidade e tipos de repostas que essas empresas adotaram.

Num primeiro momento, de forma repentina e emergencial várias empresas agiram com o objetivo de proteger seus colaboradores e manter o essencial de suas operações funcionando. Providências como adoção de home office, flexibilização de horários, plantões, higienização de instalações, novas regras de convivência social, dentre inúmeras outras iniciativas foram adotadas.

O segundo tipo de resposta dessas empresas foi a implantação estruturada de um comitê multidisciplinar com regras de governança para gerir a crise de forma rápida e organizada.

Puderam então expandir sua atuação para outros pilares como por exemplo o pilar jurídico, pilar financeiro, pilar de infraestrutura, pilar de operações, pilar de marketing e comunicação, dentre outros. Esses pilares definem ações a partir do impacto que o negócio pode ter perante seus stakeholders (pessoas, clientes, parceiros, comunidades, formadores de opinião, governo etc)

Fica fácil exemplificar isso... no pilar jurídico, as ações a serem implantadas junto aos colaboradores, precisam atender pré-requisitos legais de home office. Junto a clientes, precisam gerenciar possíveis rupturas nos contratos, e assim por diante.

Agora, muitas dessas empresas já estão formulando a terceira resposta ao Covid-19. Já tem o curto prazo administrável e precisam olhar para o futuro! Garantir a sustentabilidade do negócio e a empregabilidade de sua força de trabalho a médio e longo prazo.

O desafio agora é buscar o reequilíbrio da equação financeira em termos de custos, excelência operacional, níveis de endividamento, liquidez, estrutura de capital... e também identificar novas oportunidades de negócio a partir das profundas mudanças no comportamento dos clientes e consumidores. Com certeza muitos hábitos adquiridos durante a pandemia serão mantidos após seu término!

Então como podemos perceber, nem todos os males sofridos pelas empresas é culpa do Coronavirus, mas ele pode ser um impulsionador das mudanças positivas que essas empresas carecem.

Sendo assim, todas as empresas, sem exceção, vão precisar decidir de que lado do balcão estarão. Se irão ficar refém do medo, optando pelo muro das lamentações tendo diversos bodes expiatórios, ou do lado daquelas empresas que farão as reflexões estratégicas sobre seu futuro e terão coragem e velocidade de agir e fazer o que precisa ser feito, definindo o rumo, o foco daqui em diante e quais oportunidades precisam identificar abraçar de uma vez por todas!

Não é hora de se esconder e sim de apresentar iniciativas estruturadas e coerentes com o objetivo único de alinhar e comprometer as pessoas com uma visão compartilhada de futuro.

A você leitor, eu desejo coragem, determinação, disciplina, criatividade e perseverança para que esteja preparado para desfrutar as oportunidades quando os novos ventos começarem a soprar.

Sucesso e até breve!

Por Milton Camargo, sócio co-fundador do Grupo Empreenda, consultor & palestrante. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista.

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