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Necessidade por habilidades comportamentais exige mudanças no processo de seleção

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De acordo o relatório “Futuro do Trabalho”, desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial, é previsto que, entre 2015 e 2020, 7,1 milhões de empregos sejam perdidos por conta dos avanços tecnológicos e fatores socioeconômicos. No Brasil, esse cenário atinge principalmente os mais jovens. Uma pesquisa do IBGE mostra que a taxa de desocupação na faixa etária entre 16 e 24 anos é de 28,1% no país, quase o dobro da média mundial, segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Pode soar clichê dizer que o mercado carece de maior qualificação por parte dos candidatos, contudo, a máxima precisa ser ressaltada. E os números apresentados só reforçam isso. A tecnologia evolui, os processos inovam, as empresas se modernizam e as relações de trabalho mudam. Portanto, não há mais espaço para profissionais que não procurem se reinventar.

Em meio a esse processo, as competências técnicas (hard skills) ainda são constantemente enxergadas como prioridade no processo de desenvolvimento de um profissional.  Não é incomum que as habilidades comportamentais (soft skills) sejam um pouco – ou totalmente – deixadas de lado. No entanto, como indica Maíra Pimentel (capa), cofundadora e diretora da Tamboro, startup que oferece soluções on-line de desenvolvimento das habilidades, o cenário mercadológico atual clama por colaboradores capazes de equilibrar as soft e as hard skills.

 A importância das soft skills

Habilidades comportamentais (comunicação, criatividade, pensamento crítico, capacidade de se relacionar, etc.) simplesmente não podem ser deixadas de lado. “Elas fazem parte da nossa vida desde o nosso nascimento, mas acabamos não as desenvolvendo de forma sistêmica e estruturada. Hoje elas são competências-chave para o sucesso profissional”, diz Maíra.

Dentro das organizações, a ausência desses profissionais impacta de modo negativo no ambiente, prejudicando a comunicação interna e externa e dificultando a resolução de problemas.

Mudanças no processo seletivo

Uma pesquisa da Capgemini Digital levantou que 60% das empresas sofrem com carência de soft skills. Tal contexto passa pelo processo atual de recrutamento e seleção de boa parte das organizações. “Por uma dificuldade de fazer uma avaliação precisa de soft skills, as empresas acabam priorizando a análise de hard skills, seguindo os modelos mais tradicionais de processos de recrutamento e seleção”, aponta a especialista. “Não diria que é uma falha, mas é, sim, um grande desafio identificar no mercado ferramentas e soluções que mudem isso”, acrescenta.

Um levantamento feito pelo Linkedin mostra que 63% das empresas admitem a dificuldade em analisar as competências referentes a comportamento nos modelos tradicionais de entrevista. Para 56% dos participantes – 67% quando filtradas somente as companhias brasileiras -, inovar o processo das entrevistas é de extrema importância para o futuro das contratações.

“Se estamos discutindo evolução nas mais diferentes áreas, é fundamental repensar os processos de recrutamento e seleção. Eles precisam ajudar não só os candidatos a conseguirem vagas que sejam suas caras e feedbacks mais consistentes que um simples sim ou não, como também as empresas na identificação de um talento alinhado com o propósito do negócio”, comenta Maíra.

A atuação do RH no desenvolvimento das habilidades

Para a especialista, o RH tem papel essencial no que diz respeito ao desenvolvimento das soft skills dos colaboradores. “O RH deve pesquisar o que há de mais importante e atual no mercado envolvendo as competências comportamentais e mapear quais são as habilidades que possuem maior aderência com a cultura e as demandas da empresa”. Feita a pesquisa, o próximo passo dos recursos humanos é sugerir e oferecer caminhos e estratégias que ajudem o colaborador a desenvolver essas skills.

“Os RHs precisam entender, e é isso que a Tamboro defende que, quando falamos em soft skills, todos nascemos com essas habilidades e, ao longo da vida, temos maiores ou menores chances de desenvolvê-las. Ou seja, todos podem desenvolver uma atitude mais criativa, a capacidade de resolver problemas complexos e uma comunicação mais eficiente”, finaliza Maíra.

 

Foto de capa: Divulgação