- Início

- Conteúdo

Não Deixe A Chuva Dar Um Banho De Água Fria No Seu Salário

Compartilhe Este Post

Em pleno 2020, a chuva ainda é um drama para a população brasileira. Dias como ontem (10) em São Paulo e cidades próximas mostram o quanto ainda existe um impactante despreparo para se lidar com o clima chuvoso. Foram vários os pontos de alagamento - mais de 80 só na capital paulista - que culminaram em vias fechadas, transporte público interrompido ou lento, trânsito acima da média, excesso de sujeira nas ruas (o que não é muito diferente dos dias sem chuva) e, claro e consequentemente, milhares de profissionais impossibilitados de chegar ao trabalho.

Com uma rápida busca pelas redes sociais é fácil identificar que a dificuldade para se locomover às empresas é, para muitas pessoas, desesperadora. Contudo, há também aqueles mais “alegrinhos” que em nada desgostam da ‘folga forçada’. O fato é que, sem trocadilhos, tanto os preocupados quanto os empolgados estão no mesmo barco em relação a um detalhe importante: fortes chuvas não obrigam o empregador a abonar o dia não trabalhado.

O advogado trabalhista Felipe Meireles ressalta que, de acordo com a legislação, não há nada que determine a obrigatoriedade em não descontar um dia de trabalho perdido por conta da chuva. É por isso que a situação exige comunicação entre empregado e empregador e, especialmente, bom senso. “Segundo a CLT, não há nada previsto que exija que o patrão não desconte o dia faltado. Ainda assim, isso não significa que o gestor não possa ter compreensão - o que, inclusive, é recomendado - para lidar com a situação de uma maneira que ninguém saia perdendo”.

O especialista explica que a exceção à regra se dá quando o colaborador utiliza o transporte público e há a comprovação de que ele não está funcionando. “Se a enchente impede que o transporte público funcione e, por consequência, o indivíduo não consegue chegar ao trabalho, o dia não é descontado. Todavia, isso não impede que a empresa ofereça alternativas para que a escala de trabalho seja cumprida. O home office em dias de forte chuva é uma opção, por exemplo”.

Compreensão exige ética

Um cenário de alagamentos que para boa parte da cidade parece uma justificativa plausível para não ser preciso ir até a empresa. Entretanto, mesmo o que pode soar como óbvio exige ética por parte do colaborador.

“Como advogado, em situações assim, eu oriento que o gestor tenha o bom senso de avaliar cuidadosamente cada caso. Não é porque a lei não diz que não se pode descontar que é a melhor ideia seguir por esse caminho. Isso pode ter sérias consequências na moral e no engajamento não só do trabalhador afetado, mas de toda a equipe. Ainda assim, é igualmente recomendado que o trabalhador prejudicado pela condição chuvosa também tenha bom senso. Se possível, entre em contato com os gestores e explique a situação. Não deixe para avisar de última hora ou pegar o líder de surpresa simplesmente faltando sem dar satisfação”. diz o advogado. “Faça um registro e encaminhe para o seu líder ou o setor de Recursos Humanos. Quando a impossibilidade de ir ao trabalho for real, a comunicação é crucial”, acrescenta.

Outra alternativa é combinar com o empregador uma compensação das horas perdidas, especialmente quando a área de atuação não possibilita o trabalho remoto. “Por mais que a preocupação em não ter o dia abonado seja honesta, existem mecanismos para que empresa e empregado cheguem a um acordo que não resulte em prejuízo nem para um nem para outro. Mais uma vez, enfatizo que a comunicação é fundamental para se chegar a uma solução positiva para todos”, finaliza Meireles.

Gostou desse post? Compartilhe!