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Mundo Disruptivo, Sim, Mas Com Cautela

Coluna 2667

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“Devagar com o andor porque o santo é de barro”. Esse provérbio é apropriado para iniciar esse tema tão atual e instigante.

Virou moda, e das fortes, falar sobre disrupção ou mundo disruptivo, face às mudanças vertiginosas impulsionadas pelo mundo V.U.C.A. (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), avanços da Inteligência Artificial, milhões de pessoas desempregadas e, ao mesmo tempo, inúmeras vagas que não conseguem ser preenchidas, pois faltam pessoas devidamente qualificadas para ocupá-las.

Como se tudo tivesse que ser passado a limpo rapidamente, a disrupção passa a ser tema nas mesas de reuniões de gestão, redirecionamento das ações empresariais e desenvolvimento de pessoas, no entanto vejo toda essa movimentação com certa reserva, mesmo porque mudanças sempre ocorreram e acontecerão, algumas mais rapidamente do que outras, exigindo certa dose de bom senso, sensibilidade e discernimento para que os resultados causados por precipitações ou, apenas, para estar na moda, não sejam piores do que ser disruptivo inconsequente.

Já vi bons projetos serem deixados de lado, porque a política implantada foi a de privilegiar apenas o novo, sem a percepção de que as novidades não eram melhores do que os sistemas e serviços tradicionais e sem a qualidade consolidada com a experiência. Uma nova roupagem de sistemas tradicionais.

Há sim, o lado congruente da disrupção, exemplificadas pelos fenômenos mostrados por empresas que oferecem novas alternativas de produtos ou serviços, com preços menores, tecnologias mais avançadas e suas respectivas novidades, configurando novos paradigmas, destruindo padrões antigos, tais como a Netflix, Uber e Spotify. Não há dúvida nenhuma que a mudança é inevitável, principalmente, porque vivemos em um mundo de contínuas transformações. O único ponto é que precisam ser inteligentes, progressistas, atendendo às necessidades reais dos clientes dos produtos ou serviços disponibilizados e trazendo aos prestadores de serviços ou produtores, as melhores ofertas.

Quero chamar atenção para o fato de que uma simples tranformação não configura um processo disruptivo de inovação, mas mudanças e adaptações normais em um mundo que evolui a cada momento. A real disrupção se estende no tempo, não é imediata, conforme disse o criador do conceito, Clayton M. Christensen.

Há outro bom exemplo de disrupção tecnológica inovativa, modificadora dos paradigmas de qualidade e funcionalidade de produtos, o led, que melhorou produtos como câmaras digitais, TVs, monitores, notebooks, etc.

Quem presta serviço deve estar muito atento e alerta para atualizar seus produtos, frente às novidades e tendências com significados, diante de contextos específicos que sugerem ou impulsionam essas mudanças, por exemplo, no mundo da educação, a diferença das atitudes e comportamentos das pessoas frente às novas gerações, o impulso da tecnologia no processo de absorção de conhecimento e comunicação, dinâmica, lúdica e adequadas ao perfil dos grupos, novas tendências como design thinking, mindfulness, storyteling, comunicação não violenta, psicologia positiva, extrair dos próprios participantes os conhecimentos compartilhados, uso do celular nas próprias atividades em sala, objetividade, sala de aula invertida, além das novas metodologias, tais como Aprendizagem 70/20/10, 6S, F.A.L.A.R., mescladas com treinamentos à distância e outros conceitos são disrupções extremamente benéficas.

Um simples exemplo de disrupção aconteceu com o serviço que presto às organizações e, principalmente, para profissionais diversos em turmas abertas. No caso das empresas, normalmente os cursos são customizados e não temos problemas de insatisfação, mesmo porque o bom briefing, aliado à competência e ajuste do programa às necessidades e expectativas das organizações impedem um trabalho padronizado, como o que desenvolvíamos nas turmas abertas.

Dava-se um jeito aqui ou ali, mas era um programa definido. Como resolver esse problema? Após um bom tempo, conversas e tentativas, chegamos a uma solução simples: criamos uma metodologia que contempla o tema e o recurso que o treinando pretende desenvolver. Ele define o seu próprio objetivo, o ajudamos a fazer uma análise dos pontos fortes e fracos, estabelecer um plano e partimos para a ação, com as técnicas e recursos necessários para ele atingir a sua finalidade. Faz-se uma avaliação, corrigem-se pontos, que ainda precisam ser melhorados, e o resultado é infalível.

A Metodologia, exclusiva da Passadori Educação e Comunicação, é a F.A.L.A.R. Um bom exemplo de uma disrupção em um programa de treinamento que, apesar de simples, atende bem a todos os treinandos, deixando todos felizes, na qual o próprio aluno, o facilitador e nós, como prestadores de serviço, ajustam os programas diante das necessidades e desejos de cada um.

O alerta sobre essa nova onda de disrupção é para o excesso, como se de repente, tudo o que foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo do tempo perdesse seu valor, dando espaço e reconhecimento apenas àquilo que tem algum vínculo com o Vale do Silício ou que tenha um título ou tema que remeta à Neurociência ou a uma nova roupagem para coisas antigas e desatualizadas, sem o devido estudo para a atualização diante dos novos contextos e cenários.

Já vi casos de profissionais que oferecem serviços darem um “banho de loja” em seus produtos antigos, um novo nome, uma apresentação mais bem estruturada, sendo oferecidos como produtos novos e revolucionários. Essa, no meu entender, não é a verdadeira disrupção, nem gera mudanças substanciais, em conformidade com as práticas e dinâmicas atuais do mercado de trabalho.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO do Instituto Passadori. é um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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