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Meu Aniversário De Cadeira De Rodas

Coluna

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Recentemente completei 20 anos como cadeirante.

Uma vida na cadeira, quase metade dos meus 42 anos.

Parei um pouco para refletir e até escrevi um post no LinkedIn contando um pouco sobre essa minha reflexão. Esse post viralizou. Veja aqui.

Eu recebi centenas de mensagens positivas, mais de 1.000 pedidos de conexão e o post já foi visualizado por mais de 250.000 pessoas. E continua! Tipo um vírus, do bem!

E basicamente, imagino eu, porque escrevi que sou feliz e realizada como cadeirante. Será que é um choque tão grande comemorar meu aniversário de cadeira?

Disse, e afirmo aqui, que minha vida foi e continua sendo ótima desde que me tornei cadeirante. O balanço é extremamente positivo.

Antes da cadeira minha vida era ótima também, não podia reclamar, sempre tive uma família estruturada, acesso a um bom colégio, faculdade, tinha várias amigas, viajava sempre que possível e não me faltava nada.

Mas depois da cadeira parece que tudo melhorou, parece que encontrei sentido na vida e comecei a prosperar.

O principal foi que a cadeira me trouxe um propósito. Descobri uma missão para chamar de minha, sabe?

Mesmo cadeirante não me sentia diferente da Andrea de antes, mas percebia que era enxergada como pelos outros de forma diferente.

Olhares de pena, dó, curiosidade, do dia para a noite a sensação era que eu tinha virado uma ET.

Isso me deu o estalo, o insight de que era preciso mostrar a todos que o fato de possuir uma deficiência não faz da pessoa nem pior nem melhor e que, assim como eu, outras milhões de pessoas passavam pela mesma situação.

Se sentem de um jeito e são enxergadas de outro, subvalorizadas, com olhar assistencialista, e que isso faz com que tenham acesso a menos oportunidades ou a oportunidades piores.

Entendi, meio que sem querer, por conta da minha vivência como cadeirante, que podia fazer algo para ajudar, não apenas na parte de conscientização que é necessária, mas também na parte de recrutamento, porque entendo que a contratação é o resultado prático da inclusão.

Entretanto a inclusão não termina com a contratação, o processo deve continuar para garantir uma boa oportunidade de trabalho e não apenas um emprego para cumprir cota.

E é a isso que dedico minha vida hoje, a construir um mercado de trabalho mais inclusivo, à frente da i.Social, consultoria que criei com o meu namorado da época pré-cadeira e que hoje é o meu marido Jaques Haber.

Juntos superamos o desafio de ter me tornado cadeirante, construímos uma família feliz com dois filhos maravilhosos, o Gui e o Léo, e já ajudamos mais de 18.000 pessoas com deficiência a entrar para o mercado formal de trabalho.

São milhares de histórias que ajudamos a impactar positivamente e que tenho certeza de que contribuímos, nem que seja um pouquinho, para que possam ser felizes mesmo com suas deficiências e não apesar delas.

E aí eu te pergunto. Isso não é motivo para comemorar meu aniversário de cadeira de rodas?

Eu acho que sim!

Por Andrea Schwarz, idealizadora da i.Social. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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