- Início

- Conteúdo

Mercado De Trabalho No Século 21

Coluna

Compartilhe Este Post

Uma das questões mais angustiantes da humanidade é se o avanço das novas tecnologias vai reduzir a oferta de empregos e agravar ainda mais as diferenças sociais, aumentando o contingente de miseráveis e as tensões sociais ainda existente em todo o mundo.

Considerando os diversos fatores que compõe a equação econômica mundial, não vejo riscos de aumento de desemprego e, consequentemente aumento da pobreza no horizonte. Ao contrário, os avanços tecnológicos nos trazem enormes oportunidades de inclusão econômica e social de dois a três bilhões de pessoas.

Vejamos:

- A automação nas indústrias e nas atividades agropecuárias, aliada aos avanços tecnológicos tende a aumentar a produtividade e, consequente redução dos custos em todas as atividades econômicas.

- O número de empregados vai ser menor no total, mas vai aumentar a demanda por mão de obra mais qualificada e, de maiores ganhos.

- O aumento de ganhos dos que estão bem empregados vai estimular o consumo de produtos e serviços pessoais, gerando empregos em diversas áreas como educação (escolas), construção civil (moradia), turismo (viagens, hotelaria, restaurantes), beleza, lazer, vestuário, saúde, higiene, esportes, e outros, que absorverão um contingente  de mão de obra pelo menos igual ao que se perderá com a automação e tecnologia da informação.

- A geração de energia solar e eólica será viável em áreas hoje esquecidas economicamente, promovendo um verdadeiro salto de qualidade de vida e de produtividade, sob todos os aspectos, gerando riqueza com mais oferta e consumo de produtos.

- Essa inclusão econômica no mercado de um e meio a dois bilhões de pessoas (quase 30% da população mundial), hoje excluídas em termos econômicos trará crescimento de produção de riqueza e, equilíbrio social. O mesmo efeito causado pela evolução econômica  ainda em andamento na China e Índia nos últimos anos.

Revendo os comentários de Bill Gates sobre o livro de Thomas Piketty “O Capital no século vinte e um”, baseado em pesquisas econômicas de 1998 a 2013, ressalta a preocupação de ambos sobre a desigualdade social e, aponta o aumento da concentração de riqueza como fator que mais promove essa desigualdade.

A solução preferida de Piketty é a taxação sobre o capital, e não sobre a renda, uma vez que isso tornará possível evitar a espiral crescente das desigualdades. Bill Gates defende que a tributação não incida sobre a renda de trabalho; prefere a taxação progressiva sobre o consumo, o que reflete a economia real.

Ambos defendem a tributação das propriedades imóveis, o que limitaria a posse de capital e, do consumo excessivo, reduzindo as diferenças sociais baseada na loteria do nascer em berço de ouro. Esses tributos poderiam ser aplicados em educação e pesquisas, como a melhor forma de fortalecer a nação para o futuro.

Bill Gates também defende e pratica a filantropia como uma importante parte para a solução dos problemas sociais e, encerra seus comentários afirmando que não existe uma solução mágica e, que os debates sobre riquezas e desigualdades sociais devem continuar.

Na minha modesta opinião, faltou tocar na prática econômica mais eficaz para reduzir a miséria no mundo: INVESTIMENTOS.

Independente das questões tributárias ou outras medidas que possam servir para correções pontuais, está mais do que comprovada a eficácia dos investimentos rentáveis podem fazer o milagre da justiça social tão decantada e, ainda, produzirem bons retornos, tornando os ricos mais ricos e, os pobres menos pobres!

Na África, Ásia e, no Nordeste Brasileiro, investimentos em infraestrutura como: geração e distribuição de energia elétrica fotovoltaica ou eólica, hoje possível com menor exigência de capital, viabilizará a extração de água de poços artesianos ou, dessalinização da água do mar para desenvolvimento de lavouras altamente produtivas em terras pouco exploradas que, somados a investimentos em transportes e, educação, mudarão totalmente o cenário socioeconômico. O capital investido nessas áreas certamente dará um retorno bastante atraente.

Vejam os avanços observados na China e Índia, para não falar dos investimentos em países destruídos no pós-guerra.

O único e mais desafiador óbice é a gestão pública.

Obviamente, tudo depende ainda de uma gestão púbica que ofereça credibilidade e segurança jurídica aos investidores, além de segurança pública e paz social, certamente o maior obstáculo em muitos países, inclusive o Brasil.

Por Vicente Graceffi, consultor em desenvolvimento pessoal e organizacional. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista.

Gostou desse post? Compartilhe!