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Mais de 40% dos brasileiros sofrem dependência dos smartphones

Pesquisas 654

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Seja para qual for o uso - pessoal ou profissional – e a frequência dessa utilização, você se considera dependente do celular? Segundo uma pesquisa da Motorola, empresa que criou o primeiro celular, há 45 anos, 41,52% dos brasileiros, sim.

Para descobrir como é a relação dos consumidores com os smartphones, a Motorola desenvolveu um levantamento on-line com dez perguntas, que estabelecem cinco perfis de usuários: telesapien, teleconsciente, teledependente, teléfilo e telefanático.

No total, 20 mil pessoas responderam à pesquisa no Brasil, por meio do site da marca e das redes sociais, de forma orgânica. O resultado revela que 41,52% dos participantes se enquadraram no perfil teledependente, aquele que nunca deixa de utilizar o telefone: fica no celular de manhã, antes de dormir, sempre que pode usa no tempo livre e se pega olhando para o aparelho só pelo fato de ele estar lá.

Em contrapartida, 32,47% dos entrevistados se encaixam na categoria do perfil teleconsciente, ou seja, possuem equilíbrio na utilização. Somente 5,56% dos pesquisados fazem parte da categoria telesapien, ou seja, usam o celular só para funções básicas, como checar a hora ou fazer ligações. A pesquisa ainda indica que 1,47% são telefanáticos: não ficam, por nada, sem telefone e se sentem estressados e ansiosos quando isso ocorre.

De acordo com a psicóloga Elenice dos Santos, que atua na área clínica e na área de Recursos Humanos, o celular, por mais que seja quase uma ‘extensão’ das pessoas, pode trazer sérios prejuízos à saúde. “Sem contar a questão das ondas eletromagnéticas que mudam o comportamento das nossas células e podem mudar a temperatura corporal, aumentando-a, os principais estragos, por assim dizer, são mentais. A dependência pode gerar estresse, quadros de ansiedade e até mesmo depressão. Se ficar longe do celular, por alguns minutos que seja, se torna um ‘fardo’, algo está errado”, explica.

Ainda segundo a especialista, o vício nos smartphones pode afetar as relações pessoais. “Parece irônico, mas o fato de termos muitos amigos nas redes sociais ou diversos contatos no WhatsApp pode pouco significar socialmente, principalmente porque nos acostumamos com uma interação virtual que, muitas vezes, não segue o mesmo padrão quando é pessoal. Temos dificuldade em nos comunicarmos ‘olho no olho’ e a necessidade de permanecer  o tempo todo checando notificações pode afetar negativamente as relações”, aponta Elenice. “Muita gente sequer percebe o quão intensa se tornou a dependência. Nesse ponto, é importante que a família e os amigos incentivem a procura por auxílio profissional”, acrescenta.

Os cinco perfis estabelecidos na pesquisa e suas porcentagens de usuários são:

Telesapien (5,56%): aquele que usa o telefone apenas para o básico, como ver a hora e fazer ligações, e isso é tudo. Não gosta de enviar mensagens de texto, porque acha muito demorado digitar com o indicador e não publica nada em suas redes sociais. No dia a dia, o "não perturbe" é seu modus operandi. Sua vida não está em perigo de ser dominada pelo smartphone, porém um pouco de mobilidade poderia tornar seu dia mais produtivo.

Teleconsciente (32,47%): alcançou um estado de equilíbrio no uso do smartphone. Vive a vida com o telefone, mas não dentro dele. Usa o dispositivo para economizar tempo e energia, que pode investir em coisas mais importantes. Entende o valor de seus relacionamentos e sabe como aproveitá-los ao máximo. Estabelece horas para usar o telefone e também para curtir seu tempo livre, pois compreende que o equilíbrio é necessário.

Teléfilo (18,98%): a pessoa que não resiste ao seu smartphone. Usa em momentos de descanso, só porque ele está ali, disponível. Sente ansiedade quando o telefone acusa menos de 10% de bateria. Sempre acha que está fazendo muitas tarefas com o celular, mas, na verdade, está com muitas distrações. Com frequência, pega o telefone para ver a hora ou a previsão do tempo e acaba se perdendo em outras coisas, sem nem sequer ter visto aquilo que realmente procurava. O comportamento com o telefone corre o risco de tornar-se automático.

Telefanático (1,47%): nunca fica sem usar o smartphone. É a primeira coisa que faz pela manhã, a última que faz à noite, e em qualquer momento no meio do dia. Com frequência, se pega olhando para ele sem saber o porquê. Ficar separado do telefone, mesmo que por alguns instantes, faz com que se sinta vulnerável e estressado. A relação com o celular atrapalha o relacionamento com os amigos e familiares, pois prefere enviar mensagens de texto a falar pessoalmente com alguém, e sente necessidade de responder às mensagens imediatamente, não importa quem, ou o quê, tenha de interromper para fazê-lo.

Teledependente (41,52%): nunca deixa de utilizar seu telefone, uma realidade bastante negativa em vários sentidos. Fica no celular de manhã, antes de dormir e sempre que puder. Usa no tempo livre e se pega olhando para o aparelho só pelo fato de ele estar lá. Separar-se do telefone, mesmo por apenas alguns minutos, o faz sentir-se vulnerável e estressado. Há uma etiqueta implícita que estabelece quando e onde usá-lo, mas ele simplesmente não consegue seguir essa regra. Nesse ponto, o estudo descobriu que 65% dos entrevistados admitem sentir pânico ao pensar que perderam o smartphone, e que 29% concordam que, quando não estão usando, estão pensando em usar o celular na próxima vez em que estiverem com ele.

Do total dos participantes, 63% eram do sexo masculino e 70% da faixa etária de 10 a 29 anos; 77,54% utilizaram exatamente o aparelho celular para responder à pesquisa. Entre as respostas a algumas das perguntas, 27,7% disseram que mantêm o smartphone ao seu alcance durante as 24 horas do dia; 36,8% deixam o celular virado com a tela para cima na mesa, durante o jantar; 30,2% responderam que, ao usar o banheiro, é 100% provável que levem o aparelho; 76% checam o dispositivo antes de sair da cama; 44,77% responderam que é provável que olhem o celular quando seus amigos o fazem; e 41% ignoram quando chega uma mensagem, se estão conversando com alguém.