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Mãe Executiva: É Possível!

Coluna 1522

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Eram quase 20:00 e durante a reunião algumas vezes ela passou o olho no celular. Às 18:00 tinha pedido licença para fazer uma ligação. A reunião terminou,  rapidamente ela se despediu e entramos juntas no elevador. 

“Você me inspira”, eu disse.

“Há algum tempo adio a ideia de ser mãe porque não quero atrapalhar minha carreira, mas vejo você, com minha idade, 2 filhos, em plena ascensão e penso: é possível”.

Ela sorriu, disse “a gente se vira” e saiu correndo. Precisava chegar logo em casa. 

Eu segui adiando os planos. Como iria conciliar minha rotina de mais de 12 horas de trabalho, viagens e vida social com um filho?

Além disso tinha a grana, algumas coisas que eu queria fazer antes de engravidar e a ideia fixa de empreender de novo.

Aos 33 anos o bichinho me mordeu. Lembro do meu avô falando: “fogo subindo a serra, água descendo a ladeira e mulher quando coloca uma coisa na cabeça ninguém segura”. E foi bem isso!

O momento era perfeito: estava hiper ultra apaixonada pelo meu namorado, sentia que era com ele que passaria o resto da vida (e essa era uma premissa importante para mim. Não queria apenas um filho, queria uma família e tornar meu filho também filho de pais separados estava fora dos meus planos), trabalhava numa grande empresa que me garantia licença maternidade, ganhava bem, a “casa própria” estava financiada, já conhecia alguns países... fechei os olhos e pulei. Parei de pensar e me joguei. 

E foi a melhor coisa que fiz na vida. 

Deu tudo tão certo que hoje compartilho tantas quebras de paradigmas sobre os mitos que envolvem a maternidade. 

Pra começar 

Nas primeiras semanas de gestação eu sentia um sono absurdo. Estava numa reunião super importante e meus olhos fechavam. Olhei pro cliente e pro meu chefe e disse: “vocês me desculpem, mas não estou bem. Preciso ir embora”. Levantei e fui. Liguei pro meu marido e disse: “conversa comigo até eu chegar em casa se não vou dormir no volante”. 

No dia seguinte contei pro meu chefe. Não dava pra esperar 3 meses para que ele soubesse. Era importante compartilhar mesmo antes do “período de segurança” porque eu precisava estar em segurança e o apoio da empresa seria importante naquele momento. 

Logo começaram os mimos e os medos:

  • Será que ela vai dar conta?
  • Sabia que isso ia acontecer. Mulher nessa idade é fogo. 
  • Devemos envolvê-la no projeto xpto?
  • Na entrega do cliente tal ela vai estar quase parindo...
  • Esse estresse todo são os hormônios. Vamos fingir que tá tudo bem pra ela.
  • Uma promoção agora não seria prudente. Vamos ver no que vai dar quando ela voltar de licença. 
  • Vai ter seu filho e depois a gente conversa.

Certamente a maioria dessas preocupações eram “legítimas” e “bem intencionadas”, mas carregavam o preconceito que envolve o tema maternidade e carreira. E pasmem: a maioria deles é praticado por mulheres e...mães!

Ao longo dos 9 meses,  se não fosse pelo fato de vomitar todos os dias assim que acordava e sentir a mão e o olhar de quase todos com os quais eu cruzava na minha barriga, eu nem lembrava que estava grávida. 

  • Trabalhei e dirigi até o dia do parto. 
  • Geri projetos grandiosos. 
  • Viajei até ser proibida pelas companhias aéreas.
  • Fiz palestras, ministrei treinamentos, publique artigos, contratei, demiti, virei noite, participei de reuniões tensas e...
  • Fiz enxoval, arrumei o quartinho, li tudo que via na minha frente sobre maternidade, tirei férias, organizei meu casamento, casei, dancei até o chão...
  • Naquele período já tive a certeza que conciliar carreira e maternidade, para mim, não seria um bicho de sete cabeças. 

E eu me preparei para que fosse assim.  Eu sabia que, para minha sanidade e felicidade, teria que dar um jeito de ser intensa em ambos os papéis: o de mãe e o de executiva. 

Dentro de condições normais (gestação tranquila e bebê sem algum tipo de necessidade especial) é uma questão de desejo, decisão, disposição e disciplina. 

A maternidade não torna uma mulher menos eficiente, menos produtiva ou dispensável. No entanto, o índice de mulheres que são demitidas após se tornarem mães é gigante. Segundo pesquisa da FGV, 50% das mulheres são demitidas no período até 2 anos após a licença maternidade. E ainda têm aquelas que se planejam para voltar e são desligadas no primeiro dia do retorno. 

A maternidade para mim nunca foi limite, pelo contrário. Além de ser um super combustível para que eu me dedique ainda mais ao meu propósito, ela adicionou a mim uma série de competências e intensificou outras como empatia, liderança e foco. 

Fácil não é, mas se uma mulher decide encarar o desafio de aliar trabalho e maternidade não cabe às empresas dizer se elas são ou não capazes. 

É possível conciliar a paixão pelo trabalho e pela família e ainda se tornar mais leve e mais fortes. 

P.S.: Com o objetivo de compartilhar a louca rotina de uma mulher que ama seus filhos e seu trabalho, criei uma conta no Instagram onde mostro como supero esse desafio: @mae.executiva

Por Carolina Manciola, sócia diretora da Posiciona Educação & Desenvolvimento. É uma das colunistas do RH Pra Você.

O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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