- Início

- Conteúdo

Karina Alonso: "É um exercício diário manter a liderança como mulher"

Compartilhe Este Post

Com mais de 22 anos de experiência, Karina Alonso é uma das mais reconhecidas profissionais de Recursos Humanos do Brasil. Formada em Psicologia, pós-graduada em Administração de Empresas e com experiência em grandes empresas, como a IBM e a Schneider Electric, Karina é figura constante em premiações do segmento de RH, como o Top of Mind de RH, o prêmio Personalidade de RH e o ranking dos RHs Mais Admirados do Brasil.

Atualmente Diretora de Recursos Humanos de uma empresa líder no setor de entretenimento, a profissional foi entrevistada pelo RH Pra Você para a quarta matéria do especial do Dia Internacional da Mulher (confira as três publicações anteriores ao final do texto) e contou um pouco sobre a sua trajetória e a respeito do papel e da força da mulher no mercado de trabalho. Confira abaixo o bate-papo:

RH Pra Você: Karina, como você entrou na área de Recursos Humanos?

Karina: Sou formada em Psicologia e, como parte da grade curricular da faculdade durante a minha formação acadêmica, tive que passar por diferentes áreas de estágio: escolar, clínica, organizacional, etc.

Embora tenha ingressado na Psicologia buscando ser uma profissional para o atendimento psicológico clinico infantil, a experiência no estágio da área organizacional mudou o meu objetivo original com a Psicologia e tornou-se claro, naquele momento, que minha identificação eram com os desafios de Recursos Humanos.

Desde então, comecei a minha trajetória profissional em RH. Busquei pós-graduação em Administração de Empresas e outros cursos para dar mais alicerces para o meu desenvolvimento em ambientes organizacionais. Iniciei na PwC Consulting em 1997 e trabalhei como consultora de RH em projetos de reestruturações organizacionais, Assessment Centers, Change Management e processos de RH. A partir de 2008, atuei como HR Business Partner suportando unidades de negócio da IBM do Brasil. Em 2011 atuei como gerente de RH na Schneider Electric.

Tornei-me líder de RH de uma conhecida empresa de entretenimento em 2013, sendo responsável pela gestão de todos os processos, programas, políticas e serviços de RH. Em abril de 2017 assumi como a diretora de RH dessa companhia e, atualmente, lidero o processo de integração e transformação organizacional de 4 empresas do grupo no Brasil.

RH Pra Você: Como você enxerga o mercado de trabalho para a mulher no Brasil? Em meio à desigualdade de gênero em várias áreas e funções (especialmente em cargos de liderança), você perspectiva para que as mulheres alcem vôos mais altos em universo corporativo? 

Karina: Sem dúvidas, as mulheres têm vários desafios não somente no mundo corporativo. Nós ainda estamos na construção do nosso espaço e identidade buscando a igualdade de deveres e direitos. Para mim, é um exercício diário manter a liderança como mulher. Sou casada, tenho três filhas, adoro uma vida social, sou vaidosa, gestora da minha casa em parceria com meu marido e executiva. Não é simples equilibrar tantos papéis e não sou romântica em acreditar que conseguimos equilibrar “todos os pratos”.

Em minha opinião, a base do sucesso e bem-estar da mulher é a consciência disso. Eu não me penalizo se algo dá errado em algum dos “meus atributos”. Tenho aprendido que não consigo me dedicar com excelência em 100% de todos esses papéis simultaneamente, então é preciso priorizar o que é mais importante em cada momento e frente a cada necessidade.

Há horas em que o papel de mãe e esposa pede mais atenção, há horas em que o trabalho nos exige mais foco. É uma dinâmica que a mulher, atuante no mundo corporativo, precisa estar atenta e se posicionar tanto à organização como à sua família e demonstrar que haverá a necessidade desse movimento e fazer os devidos acordos, combinados para que tudo possa andar da forma mais harmoniosa possível.

Certamente, conversas difíceis serão necessárias para acomodar todas as partes envolvidas, mas somente assim acredito que, como mulheres, podemos ter mais bem-estar, sucesso e influenciar a mudança da nossa realidade. A minha atuação como líder busca incentivar exatamente o que eu acredito e espero ser uma inspiração para outras mulheres nessa perspectiva mais realista. Entendo que há muitas iniciativas de mulheres que estão dedicadas a quebrarem os estereótipos e mudarem a realidade. Sou uma pessoa confiante que já conquistamos muitos espaços e ainda há muito por vir.

RH Pra Você: Muitas vezes a força do nosso nome é reconhecida pela marca a qual atuamos e não necessariamente pelo profissional que nós somos. Você sente isso de alguma forma? Como mulher, em um mercado que ainda faz do gênero uma característica que segrega, você enxerga com naturalidade essa “força” trazida por empresas ou defende que a competência não está atrelada ao tamanho e à reputação da empresa pela qual se atua? 

Karina: É natural que a força do nome de uma empresa reconhecida pela marca leve a uma exposição maior de um profissional. As marcas têm esse poder com seus produtos e serviços, e não poderia ser diferente com os profissionais que atuam nessas empresas e fazem esse reconhecimento das marcas no mercado acontecer.

Por outro lado, acredito que empresas com marcas destacadas buscam por profissionais de excelência e competências aderentes aos valores e objetivos da companhia. Nessa perspectiva, eu sinto que um ponto alimenta o outro, ou seja, atuando em uma empresa de marca forte, sinto-me reconhecida como profissional e como profissional sinto-me reconhecida por trabalhar em uma empresa de marca forte. Para mim, é difícil uma dissociação.

RH Pra Você: Nesse Dia da Mulher, que mensagem você deixa às mulheres que buscam empreender, crescer e conquistar o seu espaço no mercado de trabalho? 

Karina: Como comentei anteriormente, as mulheres têm vários desafios na busca da igualdade de deveres e direitos, não somente no mundo corporativo. É um exercício diário. A principal mensagem que eu gostaria de deixar às mulheres é que não deixem de se posicionar frente à uma situação que não pareça justa (igualdade de deveres e direitos), busquem apontar e influenciar aos demais interlocutores para que percebam o seu ponto de vista e necessidades, como mulher, com muito respeito e sem agressões.

Em um contexto de tanta polarização na sociedade, gosto de lembrar que um dos principais legados de Mahatma Gandhi foi a luta sem exército e nem força. Que tenhamos essa mesma sabedoria para seguirmos na conquista de nosso espaço no mercado de trabalho e na sociedade.

Você também vai gostar