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Headhunter – Quem ele é e o que ele faz?

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Headhunter – Quem ele é e o que ele faz?

É muito comum encontrarmos no mercado de trabalho profissionais que se denominam “Headhunters”. O conceito muitas vezes acaba sendo utilizado de maneira incorreta e por vezes confunde com relação ao papel e atividades desempenhadas.

Em inglês, o termo “Headhunter” significa caçador de cabeças. Partindo da tradução literal, ele seria sim um recrutador. Mas não um recrutador qualquer. De acordo com Evelise Oliveira, Headhunter da Thinkers, a principal diferença entre o recrutamento convencional e o trabalho de hunting é que este último é mais estratégico e atua num cenário mais amplo, já que não se limita apenas ao que foi solicitado. O Headhunter tem a habilidade de construir um banco de talentos com muita rapidez, composto por profissionais com perfis muito específicos e pouco comuns no mercado de trabalho.

Já o trabalho do recrutador convencional se limita muitas vezes a divulgação de vaga e triagem de currículos através do uso de palavras-chave. Muitas vezes, quando lhe é solicitado um perfil estratégico e com alto grau de complexidade, estes profissionais encontram dificuldades não só para localizar, mas também para abordar esse público.

As empresas contratam Headhunters justamente por essa complexidade, que acaba exigindo uma demanda de tempo elevada e uma dedicação diferenciada. Nem sempre um profissional de Recrutamento e Seleção consegue dispor deste tempo, por maior que seja a sua experiência.

É muito comum que um recrutador se denomine “Headhunter” para atribuir maior importância à sua atividade. Por isso, é preciso cuidado ao identificar um, pois apesar das semelhanças, o modo de trabalhar é muito diferente.

Uma das principais diferenças está no objetivo da publicação de vagas. De acordo com Anna Grecco, Sócia-Diretora da Consultoria Misina &Grecco, a divulgação em sites de emprego acontece com a intenção principal de realização de mapeamento de candidatos e não somente na busca para convocação para entrevista.

É importante ter atenção a essa diferença: o processo de mapeamento de candidatos permite que o Headhunter consiga perceber o cenário que está atuando e o nível de dificuldade que terá. É um passo fundamental para determinar a estratégia para localização do candidato ideal. É um trabalho muito mais detalhado e que exige um tempo que muitas vezes o recrutador convencional da área de RH não possui.

As redes sociais são extremamente úteis para a busca ativa de candidatos. O Linkedin é a mais utilizada, de acordo com Evelise Oliveira, pois permite que se encontre e conheça a trajetória profissional antes mesmo da abordagem por e-mail ou telefone.

Para o sucesso de um processo de hunting, é fundamental compreender profundamente a demanda do cliente e a cultura organizacional para elaborar a melhor estratégia, de acordo com Anna Grecco. Além disso, fortelecer o networking com a alta gestão é uma estratégia fundamental para obtenção dos melhores resultados. A headhunter Evelise Oliveira investe bastante em relacionamentos e também procura escrever artigos para o público que pretende atingir.

Muito embora algumas empresas contratem o Headhunter para vagas de nível pleno e sênior, o principal foco e desafio é encontrar especialistas, Diretores e Presidentes. Essas são as vagas de maior nível de complexidade. Para atingir esse público, o profissional precisa frequentar os mesmos ambientes, sendo muitas vezes necessário que tenha uma disponibilidade financeira para participar de congressos e reuniões. Por essa razão, dependendo da vaga, o Headhunter precisa ser muito bem remunerado.

O que fazer para ser um Headhunter?

Os principais ingredientes são: possuir uma vasta experiência com recrutamento e uma rede poderosa de networking, especialmente com a alta gestão.

Como características comportamentais, podemos considerar: facilidade de comunicação, relacionamento interpessoal, capacidade persuasiva, visão estratégica, foco em resultado, administração do tempo, resiliência e muita persistência.

Não há uma formação específica para atuar na função. A experiência profissional ajuda bastante e grande parte dos Headhunters já tiveram atuação com recrutamento e seleção.

Possuir relevância no mercado de trabalho, ou seja, construir uma reputação e autoridade são coisas que ajudam bastante. As empresas sempre buscam indicações e referências. Além disso, muitas vezes este profissional atua com vagas confidenciais e precisa ser de extrema confiança.

Sendo assim, um Headhunter não se faz do dia para a noite. Exige muita experiência, prática e perfil comportamental bastante específico. Para quem deseja se tornar um, é importante que busque o desenvolvimento gradual e que invista muito em networking.

Algo que conta muito para o Headhunter é a aparência. Não se trata de ser bonito ou feio, mas é essencial que esteja sempre muito bem vestido e elegante, especialmente ao participar de eventos.

Para Evelise Oliveira, headhunter da Thinkers, o principal desafio que ela encontra em seu trabalho é a velocidade, já que as empresas clientes quase sempre pedem urgência e a complexidade das vagas é alta. Já Anna Grecco, Sócia-Diretora da Misina & Grecco, afirma que a principal dificuldade é que os profissionais mais desejados pelo mercado geralmente já estão empregados, sendo de grande importância que o Headhunter seja criativo e persistente na abordagem.

Headhunter x Jobhunter – qual a diferença?

Algumas pessoas confundem os conceitos. O jobhunter, conforme a tradução em inglês, é um caçador de vagas, ou seja, sua atuação é com assessoria de profissionais que estão em busca de recolocação, de acordo com Evelise Oliveira.

O Jobhunter geralmente faz também a análise e elaboração de currículos, juntamente com o disparo deles para vagas que estejam de acordo com o perfil do candidato.

É muito comum que um headhunter também atue como jobhunter, pois ele estaria habilitado para as duas funções.

A dor e a delícia de ser um Headhunter

Evelise Oliveira considera que a paixão por surpreender o cliente, superando suas expectativas, é o que mais traz motivação. A sensação de dever cumprido e de encontrar o candidato ideal para a vaga em curto espaço de tempo é muito prazerosa.

No entanto, nem tudo é perfeito, assim como no recrutamento convencional. Não é raro que o profissional selecionado desista da vaga, receba uma contra-proposta da atual empresa ou receba o convite de uma outra, cuja proposta é superior. Por isso é necessário a resiliência para superar as adversidades e voltar para a estaca zero para a busca de novos candidatos.

Evelise Oliveira dá uma dica para quem pretende se preparar para atuar como Headhunter: se oferecer para atuar voluntariamente na busca de profissionais com perfis mais estratégicos. Paralelo a isso, é importante investir em sua própria relevância (seja escrevendo artigos ou publicando vídeos que confiram autoridade). Ampliar a rede de contatos e frequentar lugares por onde seus alvos transitam é também fundamental.

Se você deseja possuir essa profissão, tenha bastante foco e construa a sua carreira com paciência e persistência.

Por Isabela Cavalheiro, diretora e fundadora do Grupo Trhoca. A psicóloga é uma das colunistas do RH Pra Você.