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Falar é fácil

Coluna 733

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Final de mais uma turma do curso de Comunicação Verbal em nosso Instituto, clima bastante agradável, todos fizeram seu discurso final muito bem elaborados, aplicando técnicas aprendidas, com boa estrutura, consistência na argumentação, últimos detalhes e um bate-papo com perguntas e respostas, depoimentos e recomendações.

De repente, uma das participantes, a Fê, assim chamada por todos - seu nome é Fernanda -, entrou na conversa e diante de vários comentários disse:

"Puxa! Não sei onde estaria se tivesse feito um curso assim quando era estudante. Reconheço que perdi muitas oportunidades na vida por limitações relacionadas a atitudes e comportamentos que me impediam de falar com segurança e naturalidade em público ou em situações nas quais me sentia ameaçada". E continuou, dizendo que toda vez que tinha que falar diante de outras pessoas, se retraia, fugia, não falava. Em grupos sociais também ficava calada, pouco expressava suas ideias e pensamentos, embora borbotavam em sua mente.

- Fale mais a respeito, Fê, eu pedi a ela, que continuou:

"Eu via pessoas que sabiam menos do que eu, tinham menos experiência e não tinham tanta formação como eu tinha, sendo destacadas, recebendo convites para promoções, assumindo nas empresas nas quais trabalhei, papéis mais importantes e ganhando mais e eu ficava frustrada, sentindo-me incapaz, sentindo-me a pior das pessoas. Por vezes culpava alguém, ou um chefe ou um colega, outras vezes me fazia de vítima e sofria, lamentando a minha pouca sorte."

- E o que você vê agora, Fernanda?

"Vejo agora nitidamente o porquê dessas frustrações, dessas minhas limitações à época. Não tinha coragem para falar diante de outras pessoas, julgava-me tímida e incapaz, não sabia organizar minhas ideias para expor o que pensava e sentia e as vezes que tentava fazer ou ousava falar alguma coisa, achava que tinha sido horrível, que não tinha sido bom. Agora vejo uma mulher segura, dona de mim mesma, bem diferente daquela menina tímida e com baixa autoestima, sentindo-me a pior das pessoas. Tenho agora a segurança para falar em qualquer situação, quer seja para uma grande personalidade ou para um grande público, diante de um microfone em uma entrevista de TV ou proferindo uma palestra presencialmente ou pela Internet para milhares de pessoas simultaneamente."

- O que mais?

"Agora sei contar boas histórias, inseri-las no contexto da minha fala, planejar uma boa aula ou palestra, escolher a melhor forma para iniciar, desenvolver e concluir, entender o ambiente, sentir as pessoas, envolvê-las no assunto, conduzir uma linha de raciocínio clara e eficaz, sabendo usar a minha voz de forma precisa, expressando as minhas emoções, expressando conscientemente no meu corpo, na minha face e nos meus gestos o complemento sutil da comunicação não verbal, reforçando ainda mais o efeito-impacto da minha fala."

Além disso, continuou: "sei que sou consciente do meu papel e do meu poder de influência sobre outras pessoas, percebo a minha capacidade de vender, negociar, persuadir, envolver, encantar outras pessoas. Agora eu me conheço e sei das minhas qualidades".

- Como assim?

"Nem sequer percebia que tinha virtudes e valores e agora tenho a nítida noção do meu potencial, estou em harmonia com os meus valores, com as minhas habilidades e não é à toa que continuo aprimorando meu autoconhecimento, cuidando de mim em primeiro lugar para poder cuidar melhor das outras pessoas."

- Muito grato, Fernanda, gostei muito do que vi em você e ouvir o que disse. Tem algum comentário complementar ou quer deixar algum recado?

"Tenho sim", ela disse e falou com entusiasmo: "Penso que você deveria fazer um trabalho com jovens em fase escolar para que não sofressem tanto toda vez que tivessem que falar. A vida deles seria muito mais fácil e a exemplo de mim e de tantos colegas que tinham o mesmo problema, conseguiriam conviver desde cedo com pessoas diferentes, falando com mais propriedade, discutindo ideias, liderando, negociando, apresentando trabalhos, dando aulas, proferindo palestras, participando de processos seletivos e entrevistas com calma, segurança, naturalidade e desenvoltura, mostrando seu real potencial".

Sou hoje muito grato à Fê pela sugestão, comecei a pesquisar sobre esse assunto nas escolas, pois eu mesmo nunca tive nenhum curso, nenhum tipo de orientação mais específica sobre a habilidade de falar em público. Descobri que esse é um dos principais problemas dos jovens que estão prestes a participar de dinâmicas e entrevistas de emprego, além de apresentarem seus trabalhos escolares e começar a conviver com adultos em suas primeiras experiências profissionais.

Nasceu o projeto “FALAR É FÁCIL”, lastreado em uma metodologia exclusiva chamada F.A.L.A.R., que é um acróstico com as cinco letras representando cada uma das fases desse percurso de desenvolvimento em comunicação verbal. São as seguintes:

F – Finalidade

A – Análise

L – Lapidação

A – Avaliação

R – Resultado

Sinteticamente representa um percurso de desenvolvimento no qual o jovem define um objetivo (ou finalidade), faz uma análise (A) das fortalezas e das fraquezas, identificando riscos e oportunidades e na sequência define um plano de ação que será praticado na fase da (L) Lapidação. Aprende-se e pratica-se até que chega o momento de fazer uma (A) Avaliação para mensurar o resultado alcançado. Se der tudo certo, avança no processo com (R) Resultado, se não, volta para a lapidação até que o resultado seja alcançado.

Pense nos seus filhos, se você neles investiria, por meio da escola e com professores devidamente preparados para o desenvolvimento e aprimoramento da habilidade para falar e se comunicar. Cada vez que falo com pais que tem seus filhos na fase de ensino médio, ficam fascinados e encantados com essa possibilidade. O mesmo ocorre quando falo com gestores escolares, entendendo o projeto já o querem em suas escolas.

Os principais beneficiados são os próprios alunos, que terão uma vida facilitada pelo desenvolvimento dessa habilidade e, em especial os pais que percebem seus filhos comunicativos, extrovertidos, alegres e mais bem preparados para a vida.

Esse projeto existe, desenvolvemos o Livro do Professor, o Livro do aluno, temos excelentes resultados nas primeiras escolas, alunos felizes, pais satisfeitos, escolas cumprindo efetivamente seu papel de educar, os professores que reciclam seus saberes e nós, geradores dessa possibilidade gratificante de servir, de preparar essa moçada para um mundo cheio de desafios diante de um cenário de mudanças vertiginosas impulsionadas pelo avanço da tecnologia.

Fica a sugestão para essa reflexão, se quiser contribuir com sua opinião, com conexão com as escolas nas quais seus filhos estudam, fico à disposição caso queira conversar a respeito.

Reinaldo Passadori, Professor de Oratória e Escritor, Mentor, fundador e CEO da Passadori Comunicação, Liderança e Negociação. Adaptação do seu livro ‘Quem Não Comunica Não Lidera’ – Ed. Passadori. É um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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