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Especialista revela os principais insights de RH que movem as empresas do Vale do Silício

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Integrar as pessoas à tecnologia (e não fazer delas inimigas), tornar os processos de trabalho e gestão mais dinâmicos e otimizados, inovar e se assumir como uma área estratégica e tomadora de decisões são alguns dos desafios do RH moderno. Tal qual, tanto as empresas quanto os profissionais do setor não têm mais o direito de se acomodarem em um cenário de mercado tão concorrido, no qual ideias e práticas antiquadas são cruciais para determinar o declínio de uma organização.

Em meio a esse período de mudanças, Sônia Padilha, especialista em Gestão de Pessoas, sócio diretora da consultoria GP Result e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Sorocaba (ABRH Sorocaba), embarcou em uma viagem ao Vale do Silício, na Califórnia, para conhecer os novos e inovadores processos de RH que estão sendo inseridos nas empresas do local. Em entrevista ao RH Pra Você, a especialista destrinchou sobre as melhores práticas aderidas nas companhias visitadas, sobre o cenário dos Recursos Humanos no Brasil e também a respeito do que podemos aprender com o que é implantado – em maior escala – fora do país.

RH Pra Você: Como foi participar dessa viagem, a Missão RH, promovida pela StartSe?

Sônia: Foi uma viagem incrível. A ida para lá só comprovou o quanto é necessário que, aqui, a gente acompanhe a tecnologia, por conta de todas as mudanças que estão acontecendo. Lá, se nota uma disruptura que não se resume aos processos, mas também ao espaço onde você se encontra. Há uma cultura que fomenta a participação das pessoas nesse processo de inovação. Há o desejo por coisas novas.

RPV: Quais os principais insights você traz de lá?

Sônia: O primeiro apontamento a ser ressaltado é a questão das “pessoas em estado beta”. O que isso significa? Que nosso conhecimento nunca acaba. Nós chegamos a um estágio de maturidade profissional no qual pensamos que estamos prontos ou sabemos de tudo, mas sempre haverá algo novo. O tempo todo estamos aprendendo, o que torna essa postura beta tão importante. Esse tema foi elencado, principalmente, por um diretor brasileiro da HP. A empresa passou por um momento bem complicado, quase fechou as portas, mas o RH da organização estruturou toda uma gestão de pessoas em prol de uma mudança de mindset, reorganizando processos. Digamos que ‘reaprenderam a aprender’. Assimilar o novo passa por ser beta, sejam as empresas ou os profissionais.

Outro conceito que precisa ser destacado é o do propósito. Vi várias maneiras de se gerenciar uma empresa, com ou sem RH e com a área no centro de tudo ou como suporte. Mas em todos os casos, a palavra propósito precisa ser destacada. Há um trabalho muito forte em torno do propósito da empresa e em trazer pessoas que se alinhem a ele. Companhias como o Linkedin e o Google ressaltam o quanto isso é desafiador, mas necessário, seja qual for o tamanho e o segmento. Além disso, há a questão do autogerenciamento da carreira e dos conhecimentos para se conseguir resultados, empresas como o Facebook têm uma lista de problemas a resolver, e eles não se resolvem sozinhos, mas sim quando você autogerencia o seu trabalho. No Brasil se fala muito sobre o controle do horário, o tempo que se leva em cada tarefa, mas é algo que ‘cai por fora’ quando existem equipes que saibam se autogerenciar.

RPV: Qual é, efetivamente, o papel do RH nessas organizações?

Sônia: Diferentemente do Brasil, no qual os setores acabam tomando decisões por conta própria ou levando os casos à gestão, lá é mais comum que os processos a serem decididos passem pelo RH, por conta do seu caráter estratégico.

RPV: Como você enxerga o cenário do RH no Brasil?

Sônia: Pensando em questões empresariais, ainda estamos atrasados. Em RH, mais ainda. Ainda assim, por mais que estejamos engatinhando, as mudanças estão acontecendo. Essas mudanças não são uma onda, mas uma realidade. Há um leque de muitas novidades, tanto por isso, planejo organizar algumas palestras em Sorocaba, Mogi das Cruzes, São Paulo, para levar às pessoas esse conhecimento obtidos.

RPV: De que modo ajudar, então, a área a se desenvolver no país e tirar esse atraso?

Sônia: Em relação a esse desenvolvimento, eu aponto como primordial estar sempre em estado beta. O tempo todo se deve ter em mente o foco da empresa, a sua cultura, e desenvolver uma linha de aprendizado em torno disso. Para mim, no Brasil, as empresas são sobreviventes. Na viagem ao Vale ficou claro que não existe ‘certo ou errado’. Há processos de gestão que funcionariam em uma empresa, mas não em outra. Portanto, o que precisamos fazer é criar modelos de negócios e de soluções alinhados ao propósito e à cultura da organização. É preciso que faça sentido, pensar no que vai mesmo trazer resultado.

Na ABRH, trazemos pessoas que, inclusive, não são de RH, mas sim gestores de pessoas. O diretor da HP diz que o RH vai ser um preparador de palco, ou seja, antes ficávamos só em processos achando que seriam resolvidos os problemas da empresa, mas somos aqueles que devem multiplicar os conceitos, fortalecer a gestão da equipe. Chamo a atenção também para as startups, que são empresas que já tem um modelo de gestão diferente. Essa inovação, talvez, não seja tão difícil, se nos abrirmos a essas mudanças. O Brasil já conta com práticas e iniciativas muito interessantes.