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Enfrentando as crenças limitantes

Coluna 157

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Crenças limitantes são decretos negativos sobre nossos comportamentos que ouvimos em nossa infância, provindos dos nossos pais, professores, parentes que, dada a ausência de uma maior maturidade do nosso cérebro, não pudemos refutá-los (os decretos) através da razão e acabamos aceitando sua presença que, de forma indelével, se abrigou nas profundezes de nossas emoções!

Quem não se lembra de ter ouvido algo assim na sua infância “você é um desajeitado”, “você é medroso”, “você nunca vai aprender nada”, dito por uma pessoa querida ou por uma autoridade?

Se a intenção de quem diz um decreto negativo é estimular na criança uma reação de comportamento contrário, apelando para os seus brios, poder-se-á dizer que o tiro irá sair pela culatra! Essa criança levará esta crença para o resto de sua vida, e esta crença se manifestará inconscientemente em diferentes etapas de sua existência até que a pessoa tome consciência da presença de uma convicção bloqueadora e trabalhe para eliminar o seu efeito.

As crenças limitantes normalmente são registradas em nossas memórias através de decretos negativos que nos causam tristeza, insegurança e decepção. Estes sentimentos juntos são capazes de nos levar até a uma depressão.

Nem sempre o mesmo decreto negativo causa a mesma sensação. As pessoas são diferentes, com histórias de vida diferentes. Portanto a intensidade das emoções varia de pessoa a pessoa e pode incluir outros sentimentos como raiva, abandono e rejeição.

Crenças negativas são agentes sabotadores da felicidade, são inimigos que precisam ser confrontados; sim, porque na verdade elas não são fatos, são somente crenças! São como hologramas projetados pela nossa mente que “acreditou” em um decreto negativo colocado em nossas vidas, num dia qualquer! E, equivocadamente ainda acredita nisso!

Para atrapalhar, todos nós temos um censor que odeia qualquer coisa que possa elevar nossa autoestima. Parece brincadeira, mas se dissermos para nós mesmos “eu sou inteligente” ou “eu tenho o dom” logo ouviremos uma voz chata e enfadonha dentro de nós dizendo “pare com isso, se enxergue, você é muito menos do que pensa”.

É impressionante como temos facilidade em encher nossas mentes com decretos negativos e dificuldade em acreditar naqueles que são positivos. Por que nos sentimos constrangidos em dizer “eu sou criativo”? Será porque alguém poderia nos acusar de falsa modéstia? E daí?

Quaisquer que sejam suas crenças limitantes, elas restringem o escopo de como você vê o mundo. Elas diminuem o ângulo de sua visão reduzindo o mundo ao tamanho daquilo que você consegue enxergar.

O sistema de crenças de uma família também influencia fortemente a forma como você vê e interage com o mundo. Nem sempre conseguimos adaptar nossas ações às necessidades demandadas pelos fatos que enfrentamos, uma vez que pelas crenças familiares não conseguimos fazer a adequada leitura da realidade. Nesses casos tendemos a carregar fortemente nossas ações com emoções que não nos ajudam.

Como identificar e se libertar de crenças limitantes

1 – Conscientize-se de que elas existem e é uma realidade para todos! Isto é, que todos nós as temos.

2 – Escolha um tópico no qual você sinta que existam crenças limitadoras. Exemplos: finanças, vida pessoal, carreira...

3 – Com calma e consciente, faça uma lista de todas elas que você vê neste tópico. Exemplos em finanças: “não sou bom para ganhar dinheiro”, “sempre faço péssimas negociações”, “o prejuízo me persegue”...

4 – Observe o que cada uma delas representa para você e que sensação você sente em relação a elas. Exemplos: mágoa, medo, raiva, decepção, impotência...

5 – Para que estes decretos negativos percam sua força sobre nós, precisamos transformá-los de sombra em Luz, isto é iluminar com a nossa consciência a sua existência e determinar através de decretos positivos a sua transformação.

6 – Retire de dentro de você todo sentimento de culpa em relação às suas crenças negativas. Não culpe nem a você e nem aos outros. Este ponto é vital para vencê-las porque é nesta dor que você encontrará o remédio próprio para curá-las!

7 – Utilize decretos positivos simplesmente invertendo os significados das crenças limitantes, não adicionando às frases nenhum componente de dúvida como “mas”, “se”, “talvez”. Seja claro e assertivo!

8 – Ao fazer as afirmações positivas preste atenção nas reações do seu censor. Não deixe de fazê-las, mesmo que no início você se sinta constrangido ou infantilizado. As objeções que serão feitas pelo seu censor servirão como pistas para você descobrir a origem das suas manifestações de fracasso. Talvez você tenha que fazer uma viagem no tempo para se lembrar de como elas surgiram. Não tenha receio, vá à fonte! Se precisar, peça ajuda!

Com estas informações e imbuído da vontade de vencer seus obstáculos, trabalhe diligentemente com o objetivo de eliminar de sua vida as crenças limitantes que impedem o seu crescimento pessoal e sua busca pela felicidade! 

Algumas conhecidas crenças limitantes

Dinheiro

 1 – Nunca ganharei dinheiro suficiente para sustenta minha família.

 2 – O dinheiro é a causa de todo mal.

 3 – Dinheiro não dá em árvore.

 4 – Não sei administrar meu dinheiro.

 5 – Nunca serei rico.

 6 – Pessoas ricas são pessoas egoístas.

 7 – O dinheiro muda a personalidade das pessoas.

 8 – Você não pode confiar em alguém que tem muito dinheiro.

 9 – O dinheiro não é importante para mim. Eu não preciso dele.

10 – O dinheiro está sempre me escapando pelas mãos.

11 – A vida é assim, os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres mais pobres.

12 – Para ganhar dinheiro tenho que trabalhar muito.

13 – Se eu tivesse uma educação melhor, eu poderia ganhar mais dinheiro.

14 – Você não pode deixar a guarda do seu dinheiro aos outros.

15 – Nunca há suficiente dinheiro.

 Quotidiano

16 – O azar me persegue.

17 – As pessoas nunca estão disponíveis para mim.

18 – Estou sempre atrasado nos meus compromissos.

19 – Os sapatos sempre me apertam os pés.

20 – Nunca encontro um taxi vazio.

 Relacionamentos

21 – Nunca encontrarei o amor.

22 – Não sou digno de ser amado.

23 – Ninguém me quer.

24 – Meus relacionamentos nunca dão certo.

25 – Nunca sei como fazer um relacionamento dar certo.

26 – Preciso que alguém esteja ao meu lado o tempo todo.

27 – Para gostarem de mim, preciso ser outra pessoa.

28 – Minha família está sempre jogando contra mim.

29 – Mesmo sendo adulto, eu tenho que fazer o que os meus pais dizem, caso contrário...

30 – Não posso fazer aquilo que a minha família não quer que eu faça.

 Trabalho/Carreira

31 – Não tenho talentos especiais.

32 – Eu não sou bom o suficiente.

33 – Não sou digno dessa promoção.

34 – Quem iria querer me contratar.

35 – Eu nunca tenho oportunidade de assumir grandes projetos.

36 – Ninguém me ouve.

37 – Todos os chefes são péssimos.

38 – Minha opinião não é importante.

39 – Meus colegas de trabalho não gostam de mim.

40 – É impossível ganhar dinheiro fazendo somente o que você ama.

Saúde

41 – Vou ficar doente, isto é inevitável.

42 – Perder peso é a maior batalha de minha vida.

43 – Sou impotente para me curar.

44 – Eu não mereço ser saudável.

45 – Eu sempre tenho algum problema de saúde.

Autoestima

46 – Eu sou um fracasso.

47 – Eu não mereço uma vida melhor.

48 – As coisas não dão certo para mim.

49 – A culpa é dos meus pais.

50 – Quem sou eu para ter tudo o que eu sempre quis?

Por Vicente Picarelli, fundador da Picarelli Human Consulting e professor e consultor da Fundação Dom Cabral. É um dos Colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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