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Empresas humanizadas têm rentabilidade duas vezes maior, indica pesquisa

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Uma pesquisa inédita realizada no Brasil mostra que empresas que adotam os pilares do Capitalismo Consciente – conjunto de práticas que gera valor financeiro, sustentabilidade e bem-estar social para todas as partes envolvidas em um negócio, de acionistas, colaboradores e até consumidores - apresentam resultados superiores, quando comparadas à média das 500 maiores companhias do País. Ao fazer negócios de maneira que siga tais preceitos, essas organizações superam as concorrentes em quesitos como rentabilidade, fidelidade dos clientes e engajamento dos funcionários.

No total, o estudo brasileiro mapeou dados e informações de 1.115 organizações do país, que representam mais de 50% do PIB, até chegar nas 22 corporações que se destacam pelas melhores práticas e resultados alinhadas ao conceito Capitalismo Consciente. São elas: Hospital Israelita Albert Einstein, Bancoob, O Boticário, Braile Biomédica, Cacau Show, Cielo, ClearSale, Elo7, Fazenda da Toca Orgânicos, Johnson & Johnson, Jacto, Klabin, Malwee, Mercos, Multiplus, Natura, Raccoon, Reserva, Tetra Pak, Unidas, Unilever e Venturus.

O objetivo do estudo no território nacional é mostrar que, mesmo diante dos casos de corrupção que assolaram o Brasil nos últimos anos, há um grupo de empresários comprometidos com a ética e a sustentabilidade que deve servir de modelo para todas as corporações. A pesquisa, realizada pelo departamento de Engenharia de Produção da USP de São Carlos, é baseada na metodologia do professor Raj Sisodia, da Babson College (EUA), co-fundador do movimento global Capitalismo Consciente.

"Mesmo passando por mudanças de governo, redução de investimentos estrangeiros, crise econômica, crise política e social, as Empresas Humanizadas do Brasil tiveram um desempenho muito superior à média das 500 maiores empresas do país. Isso comprova a tese de que empresas que são movidas por um propósito maior, e são legitimamente reconhecidas por todos os seus stakeholders por fazerem negócios da maneira correta - com ética, cultura corporativa que preza pelo bem-estar dos colaboradores, responsabilidade social e ambiental -, são naturalmente mais admiradas, amadas, confiáveis, valorizadas e lucrativas", afirma Pedro Paro, consultor e responsável pela pesquisa Empresas Humanizadas Brasil.

Em períodos longos, de 4 a 16 anos de análise, as Empresas Humanizadas chegam a ter rentabilidade duas ou mais vezes superior à média das 500 maiores empresas do país. Essas empresas também alcançam junto aos clientes uma satisfação 240% superior, e os índices de satisfação e bem-estar dos colaboradores chega a ser 225% maior, quando se compara as Empresas Humanizadas do Brasil (EHBRs) com empresas comuns.

"Essas empresas tornam o mundo melhor pela maneira como fazem negócios, e o mundo responde. Quando uma empresa compreende a razão pela qual ela existe no mundo, e vive esse propósito maior de maneira autêntica e legítima, a sociedade naturalmente responde a seu favor. Os colaboradores ficam mais engajados. Os clientes se fidelizam e passam a promover a marca. Os fornecedores, parceiros, investidores e a comunidade, passam também a defender essa empresa. E esse é o fator crítico do sucesso nos negócios, é assim que as melhores empresas conseguem prosperar, gerando valor para todos os envolvidos", completa Pedro.

Para Ricardo Catto, um dos conselheiros da pesquisa, o estudo ganha uma relevância ainda maior dado o atual cenário político e econômico do país. "Com a nova formação de governo, e o novo ministério da economia, há uma promessa de menos estado e mais mercado. E o que isso significa? Se o estado reduzir sua ingerência na economia e o mercado não estiver preparado para ocupar este espaço, estaremos perdendo a chance de colocar o Brasil no devido lugar. Na minha visão, o empreendedorismo com propósito precisa ser capaz de ocupar este espaço, e atender às demandas da sociedade por Prosperidade, Qualidade de Vida e Justiça Social. E agora, com os exemplos inspiradores das Empresas Humanizadas, temos uma chance única de criar uma nova narrativa para o ambiente de negócios no país", afirma Ricardo.