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Empresas Familiares E A Governança Corporativa Como Fator Crítico De Sucesso

Coluna 1929

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Como as empresas privadas em geral, as de natureza familiar também estão  diretamente expostas à profusão de mudanças tecnológicas, às transformações sociais e de costumes, ao colapso dos sistemas políticos vigentes que perderam totalmente a conexão com os anseios da sociedade civil e a um difícil teste de sobrevivência dos seus modelos de negócios.

Gostemos ou não, tudo está mudando muito rapidamente. Segundo John Davis, professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), que se dedica a estudar empreendimentos de família, “as empresas familiares têm alta capacidade para administrar ciclos econômicos, mas normalmente não possuem a estrutura necessária para enfrentar grandes mudanças repentinas.”  Na perspectiva do Brasil, isso tem a ver, pondero, com a tradição de estabilidade percebida nas empresas familiares brasileiras, via de regra, avessas a mudanças e transformações, mais acostumadas com modelos de negócios estáticos, que funcionaram bem, por períodos longos, até que o ritmo das inflexões de mercado acentuou-se de forma exponencialmente jamais vista, a partir do que se denomina a 4a Revolução Industrial.

Empresas familiares tendem a apresentar dificuldade para agir como acionistas, abandonando negócios não mais viáveis os quais, muitas vezes, foram a razão para o início de tudo e denotam um perigoso saudosismo. Um apego emocional incompatível com a dura realidade competitiva. Abandonar rapidamente o que não está funcionando é um dos atributos competitivos do século XXI. Há uma dicotomia, pondero, nas empresas familiares, entre o pensar como administrador e o pensar como acionista. O pensar como acionista enxerga as mudanças no mercado e se posiciona perante elas com mais agilidade, mais racionalmente, enquanto que o pensar como administrador busca a excelência operacional, eficiência nos processos, dentre outros atributos.

A viabilidade financeira da família está diretamente relacionada com o sucesso do empreendimento familiar. A geração de valor econômico e social é impactada pelo ritmo de transformações imposto pelo mercado. Atenção permanente com gestão profissional é condição vital para as empresas familiares brasileiras. A mentalidade de acionista, sugerida, visa assegurar que a empresa possui viabilidade a longo prazo, que está aberta à inovação e que reúne condições de cultura organizacional que permitam o arejamento de ideias e o abandono de práticas e modelos ultrapassados.

Nunca foi tão importante para a viabilidade de negócios familiares, um propósito moderno que seja capaz de mobilizar a família em prol de uma empresa moderna e competitiva.

Empresas familiares que se pretendam perenes ao longo do tempo, necessitam estabelecer um conjunto de regras de governança corporativa que norteie o seu processo decisório. Boas práticas de governança corporativa, com regras de conduta claras, simples de se entender, ajudam que a família empresária contorne as inúmeras armadilhas de conflitos de interesses que costumam aparecer entre os seus membros familiares ao longo do tempo. Isso se complica pois que as fronteiras entre os sistemas da família e do empreendimento, nem sempre estão definidas com clareza, inclusive aquelas referentes às questões afetivas inerentes à família.

Por Américo Rodrigues de Figueiredo, Professor de MBA, Certificate in Business Administration e Certificate in Health Management do Insper em Gestão de Pessoas e Organizações, Conselheiro de empresas, Mentor Executivo e de Jovens. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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