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Empresas brasileiras não estão prontas para a LGPD, revela estudo

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No início deste mês, o Senado aprovou o adiamento da implantação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para agosto de 2021. O novo prazo, que acresce um ano à adoção da lei, se revela um verdadeiro alívio, especialmente diante do que revela o estudo ‘LGPD nas Empresas 2020’, promovido pela Remunerar.

A pesquisa realizada em março deste ano trouxe resultados pouco animadores em relação à adaptação das organizações com a LGPD. De acordo com o levantamento, somente 23% das empresas promoveram um mapeamento completo e detalhado de riscos de dados sensíveis à LGPD, enquanto 44,9% não procederam sequer com um mapeamento simples. Além disso, 43,1% dos negócios alegam não trabalhar com nenhum cronograma de ações.

Outro dado da enquete que levanta preocupação diz respeito ao engajamento da alta gestão com a LGPD e seus impactos. 58% dos respondentes estão pouco ou nada engajados. 19,1% estão fortemente engajados e 22,9% não avaliaram.

Diretores e gestores pouco engajados refletem no RH, e prova disso é que apesar de ser a área mais envolvida com o processo de adaptação às regras da LGPD (22,1%, seguido de perto pela área de tecnologia - 21,6% - e pelo jurídico - 20,8%), 61,5% dos departamentos de Recursos Humanos não fizeram nenhuma atualização até então. O processo só foi concluído por 0,5% dos entrevistados e 28,9% estão com atualizações em curso.

Ainda segundo o levantamento da Remunerar, 34% das empresas consideram a LGPD um avanço sob todos os aspectos. 30,9% reconhecem a importância, mas acreditam que há muita burocracia envolvida, e 12,8% não entendem que a lei representa algum avanço. Pouco mais de 20% patrocinaram ações de sensibilização com a equipe de trabalho sobre o tema, porém, quase 80% não adotaram a prática.

Marcelo Samogin, diretor da Remunerar, pontua que a burocracia envolvida em outras responsabilidades do RH (que nem sempre são enxergadas como medidas realmente efetivas e vantajosas tanto para empregador quanto para empregados) pode contribuir para que a LGPD seja enxergada como só mais um ato burocrático, o que desestimula um maior engajamento. “A nossa CLT, por exemplo, segue regras estabelecidas há quase 80 anos atrás. Você precisa implantar ações que sejam modernas, voltadas ao futuro, ao RH ágil. A LGPD é mais uma burocracia, mas ela é importante. Mas há essa falta de estímulo, talvez, por conta da cultura que nós temos, de parecer que é só mais uma lei para dificultar mais ainda o trabalho do RH e da administração”.

LGPD pouco mobiliza

De forma geral, 53,8% dos RHs reconhecem que o ritmo das discussões e ações de implantação das regras estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados está abaixo do ritmo necessário. 27,4% afirmam estar em um ritmo suficiente para concluir todas as especificações exigidas e 1,1% se vê acima do ritmo necessário. 

Vale ressaltar que todas as respostas foram dadas antes do governo anunciar o adiamento em um ano do prazo limite de implantação da LGPD. Samogin acredita, tendo como base não só essa pesquisa, mas também outros levantamentos conduzidos pelo mercado, que a tendência é que a lei seja “esquecida até 2021”.

Para o executivo, ainda mais com o cenário de crise trazido pela COVID-19, a LGPD deve cair em desuso esse ano para que em 2021 retome mais forte. Além disso, Samogin revela que as empresas já estivessem mais adiantadas em relação às exigências da LGPD. “Imaginei que as empresas estariam mais próximas de promover mudanças de processos e alterar as documentações necessárias com fornecedores. Foi até uma ‘quebra de expectativa’. E a pesquisa aponta que isso está muito ligado à liderança, que apresenta um grau de engajamento muito baixo. Ações de comunicação e de propagação de valores e envolvimento pouco acontecem. Os índices baixos refletem a ausência de preocupação da liderança, e o cronograma fica à cargo do RH, do jurídico. Soa mais como um ‘favor’ do que uma ‘obrigação’”, finaliza.

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