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Empresa de engenharia da USP abraça luta contra machismo na profissão

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Muitas profissões ainda são tachadas como “masculinas”. Ao contrário da crença popular de que o estereótipo pode ser inofensivo, vieses inconscientes do mercado ainda estimulam que o gênero seja preferencial em relação à experiência e ao conhecimento. Não é por acaso que, segundo a pesquisa Panorama Mulher, por exemplo, cargos de alta gestão têm apenas 13% mulheres na ocupação.

Um dos grandes exemplos de profissão ainda rotulada como “trabalho para homens” é a engenharia. De 1 milhão e 300 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), apenas 16% são do sexo feminino. E esse número, mesmo que ainda baixo, representa uma crescente de 42% entre 2016 e 2018, segundo o órgão regulador da profissão.

As razões para essa diferença são muitas, segundo Lívia Almeida, Gerente de Pessoas da Poli Júnior. “Não é incomum as mulheres abandonarem a formação e a profissão por conta do preconceito que existe. Ainda é um ambiente muito masculino, mas tentamos diariamente superar essa barreira”, pontua.

De acordo com Lívia, a máxima de que “mulheres são mais sensíveis do que os homens” ainda é critério de tomada de decisão para líderes e recrutadores, o que só reforça a desigualdade presente no mercado de trabalho. “Muitas vezes, ainda ouvimos homens usarem esse tipo de característica como argumento para defender que as mulheres não tenham espaço em cargos de liderança ou posições que exigem um trabalho sob pressão. Mas não necessariamente as mulheres são mais sensíveis e a sensibilidade deve ser vista como uma característica positiva, especialmente quando se trata de liderar e motivar equipes”.

Na empresa júnior algumas alternativas já foram implementadas para diminuir os efeitos do machismo cultural e falta de equidade do mercado. Segundo a estudante, coisas simples podem ser feitas para formar uma rede de apoio feminina. “Criamos um grupo no WhatsApp com todas elas e ali temos espaço para discutir as mudanças que consideramos necessárias. É um local seguro e se tornou uma corrente feminina”.

A Poli Júnior possui 25% das vagas preenchidas por mulheres, mas buscam dobrar esse número. A ideia é de que o quadro seja meio a meio, e para isso, fizeram uma repaginação total no processo seletivo. A empresa garante que sempre que uma candidata se aplique para algum cargo, tenha - pelo menos - uma avaliadora na banca, o que passa segurança para a entrevistada.

Lívia ressalta também que as novas gerações estão tendo um importante papel em um processo de ruptura de gênero no mercado. “Uma pesquisa feita pela consultoria McKinsey & Company defende que criar estratégias de inclusão pode implicar em vantagem competitiva. Várias empresas ainda têm um pensamento guiado por vieses e ainda temos um longo caminho pela frente, mas a tendência é enxergarmos que times diversos agregam em resultado”.

A presença feminina também é obrigatória na Palestra Institucional - momento em que a empresa é apresentada para os interessados em ingressar no processo seletivo seguinte. Outra melhora foram os pontos de divulgação de todos os materiais gráficos institucionais, online e offline, que devem conter mulheres. A empresa conta com um time misto em todas as etapas e decisões da organização, além de possuírem um núcleo dedicado a entender as melhoras que a diversidade traz e como aplicá-las internamente.

Bruna Maia Barbosa, assessora de Gestão de Pessoas da Poli Junior, acrescenta que todo o trabalho conduzido a favor da diversidade e do núcleo de profissionais mulheres ganhou força após “a tomada de uma postura mais agressiva, pois em uma mudança de diretoria, todos os candidatos e diretores eram do sexo masculino”.

Ela conta que o cenário motivou a criação do DIversi PJ, uma comissão nascida em 2018 que é voltada a cuidar dos membros diversos da empresa e das ações inclusivas (que não se limitam apenas às mulheres). “Essa instituição nos permite assegurar o bem estar das minorias dentro da empresa e criar estratégias de inclusão e atração”, comenta.

O trabalho do Núcleo de Diversidade da Poli Júnior é, principalmente, discutir sobre o preconceito velado que existe na área. Por exemplo, mulheres que são silenciadas em reuniões, ideias femininas que não são levadas em consideração e, até mesmo, a falta de autoconfiança que a sociedade as ensinou. “Não toleramos esse tipo de comportamento, buscamos conscientizar a todos do que deve ser problematizado e como agir diante dessas situações”, explica Lívia.

A chamada ‘Síndrome do Impostor’ é algo recorrente e devastador para algumas engenheiras, já que precisam enfrentar muitas barreiras internas e externas para se mostrarem capazes. Essas profissionais precisam diariamente mostrar que conseguem executar habilidades técnicas e ir muito além dos soft skills.

“Quando você, como mulher, consegue perceber que tem voz e que suas ações causam impacto você cria a confiança necessária para se impor e seguir seus objetivos. Pessoalmente, essa confiança veio quando eu consegui enxergar o impacto que eu tenho dentro de projetos, eventos e na empresa como todo. Então, meu conselho é: saia do conforto, se desafie e não tenha medo de errar. As experiências que essa mudança de atitude trazem vão te proporcionar acreditar em você mesma e conseguir alcançar seus objetivos”, finaliza Bruna.

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