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Empatia nas organizações: agora é a hora da verdade

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Dentro e fora do mundo corporativo, certamente vivemos o momento mais desafiador de nossas vidas. Jamais esqueceremos o que estamos passando.

Muitos negócios estão com grandes dificuldades e sem perspectivas claras do que (e de quando) as coisas começarão a voltar ao normal que, já sabemos, será o tal do "novo normal" – termo já desgastado, mas absolutamente verdadeiro. Por outro lado, existem negócios que estão se reinventando, reposicionando e acelerando transformações que provavelmente só aconteceriam em alguns anos.

No início de maio, Jack Dorsey, CEO do Twitter, anunciou que todos os funcionários que ocuparem cargos que permitam o trabalho remoto poderão optar pelo modelo para sempre. Aqui, o Banco do Brasil, por exemplo, comunicou a devolução de 19 de seus 35 edifícios, com economia estimada em R$ 1,7 bilhão em 12 anos. Já. a XP cancelou planos de expansão em São Paulo, onde o metro quadrado é mais caro, para construir um campus em São Roque, a 60 km da capital.

Pesquisa recente da Edelman (=Trust/Barometer) aponta que 98,5% das empresas já implementaram uma política de home office total ou parcial, e 96% delas já haviam delineado políticas relativas a reuniões presenciais e/ou viagens. Além disso, 60% já estão contando com políticas de apoio para funcionários infectados ou com suspeita de infecção pelo coronavírus e 90% já promoviam conscientização sobre medidas preventivas para seus colaboradores.

A mesma pesquisa demonstra que 72% dos consumidores concordam que o país não passará por esta crise sem que as marcas desempenhem um papel importante na solução dos problemas enfrentados. 93% deles afirmam que é essencial que as empresas façam tudo o que puderem para proteger o bem-estar e a segurança financeira de seus empregados e fornecedores, mesmo que isso signifique sofrer grandes perdas econômicas até que a pandemia termine.

Com o isolamento total ou parcial das pessoas em todos os cantos do mundo, sofrem os negócios e sofrem seus colaboradores, que tiveram suas rotinas completamente modificadas e estão agora mergulhados no medo, que eleva a ansiedade para níveis preocupantes.

Se algumas grandes empresas já estão realizando e comunicando rápidas transformações estruturais que parecem positivas, pequenos e médios empresários – e junto com eles uma massa gigantesca de trabalhadores – agonizam pelo que ainda pode vir por aí.

Um estudo recente da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia traçou um cenário bastante ruim para empresas brasileiras em meio à pandemia. Segundo levantamento, cerca de 3.500 companhias irão pedir recuperação judicial ou entrar em falência nos próximos meses. Os dados mostram que a inadimplência pode crescer 294% em relação a um cenário sem a pandemia, atingindo 271 mil empresas no Brasil.

Neste momento de angústia coletiva, a qualidade do relacionamento das organizações com seus colaboradores ganha protagonismo. Como apoiá-los? Como facilitar o trabalho remoto? Como preservar sua saúde mental? 

Se o nível de apoio oferecido pelas empresas depende de diversos fatores, em especial a capacidade financeira de cada uma delas, a preocupação genuína e a comunicação clara e frequente já podem fazer enorme diferença para as pessoas – e custam muito pouco. Não estamos falando de recursos financeiros, mas de recursos emocionais.

Além das preocupações de preservação dos empregos e benefícios, estabelecer um mecanismo sistemático de interação e relacionamento com colaboradores é uma das atitudes mais importantes. É hora de nos fazermos presentes. 

As lideranças devem entender que este é um momento para ser absolutamente empáticas, compreendendo a realidade de cada indivíduo, dando mais flexibilidade no cumprimento de prazos ou metas. É hora de resgatarmos nossa humanidade. 

É hora de entendermos de uma vez por todas que o mundo corporativo pode (e deve) ser mais amoroso, solidário, sustentável e, principalmente, empático.

Por Otavio Dias (Sócio e CEO da Repense) e Nélio Bilate (CEO da NBHeart)

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