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Em Que Nível Está O Seu Ego

Coluna 274

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Ao longo dos últimos seis anos tenho procurado seguir um caminho de autodesenvolvimento nas dimensões do físico, mental e espiritual porque acredito que um mundo melhor começa conosco. Como alto executivo de Recursos Humanos que fui, pude experimentar, em vários momentos, as armadilhas do poder, que me fez acreditar o quanto eu estava certo, na auto confiança excessiva, na perfeição, na capacidade de transformar e de impactar milhares de pessoas com as minhas decisões por meio da força de influência. O balanço que faço da minha jornada como executivo, é positivo, pois tudo o que pude vivenciar, trabalhando em ótimas organizações, fez que eu pudesse cuidar da minha família e em proporcionar uma vida digna para eles e a todos que, de certa forma, necessitavam de mim. Já as companhias para as quais eu tive o privilégio de trabalhar, foram beneficiadas pelo meu desempenho e, sobretudo, pelos resultados que ajudei a entregar.

Contudo, eu estava sempre orgulhoso da minha pujança como profissional, firme, decidido, um cara duro, totalmente voltado para os resultados, exigindo desempenhos superiores sempre, trabalho forte, todos os dias da semana, advogando que prazer e lazer é para os fracos, que a competitividade do mercado requer um time de colaboradores perfeitos, 24 horas por dia disponíveis para a empresa, infalíveis, que não ficam doentes, que seguem com respostas para todos os dilemas que a vida nos impõem. Eu havia me transformado em uma máquina.

Em 2011, trabalhamos o meu time e eu, juntamente com o Sergio Chaia, na época o CEO da Nextel Brasil e o meu chefe no desenvolvimento da Escola de Líderes da Nextel. Como aluno que fui deste programa, tive a oportunidade de entender melhor como que o meu ego manipulava o meu comportamento e o quanto eu era, na verdade, um subproduto dessa influência. Um jogo manipulativo de repercussões importantes para a minha vida, um verdadeiro personagem do teatro corporativo, a utilizar diversas máscaras.

As máscaras dos próprios comportamentos tornam-se muito reveladoras. A partir das revelações que tive, ao começar a entender como o ego nos faz personagens, o meu grau de consciência sobre o meu comportamento perante as pessoas aumentou. Confesso que fiquei envergonhado comigo mesmo e, um tanto quanto, decepcionado ao tomar contato com o meu personagem egoico.

O lado bom de se tomar mais consciência de si, a partir do que tenho vivido desde então é que a vida fica mais fácil a partir da nossa libertação desse jogo manipulativo que o ego nos impõem, impiedosamente.

Como diz Cláudio Naranjo, “a viagem rumo à consciência de si é uma viagem sem volta”. Estou muito feliz com a minha jornada, da minha habilidade de fazer escolhas conscientes e de aprender a dominar o meu ego. Tenho aprendido, ao longo dessa rica caminhada de autodesenvolvimento, a entender melhor a nossa identidade mecanizada, neurótica e, como tudo isso começou. Aprendi que o nosso ego se forma como parte das estratégias adaptativas de defesa das dores emocionais na nossa infância.

Como nos ensina a terapeuta Fatima Caldas, com quem tenho tido o privilégio da convivência em meu processo curativo, “muitas vezes demora-se anos de análise para poder cair em si, de que existe uma maneira de ser muito presa a princípios que justificam os meios, que existe pouco prazer ou que a preocupação e a compulsão de estar sempre sendo obrigado pelas pulsões internas de ir mais além, escravizam o indivíduo. Não se satisfazer, não ter paz, não ter descanso. Isto como um pequeno exemplo desta complexidade dos comportamentos automáticos que têm interferido na nossa vida pessoal.”

Temos visto no mercado, cada vez mais, ótimas iniciativas de desenvolvimento de lideranças nas organizações. O meu convite para os colegas da comunidade de Recursos Humanos, da qual sou tão honrado em fazer parte, que contemplem disciplinas e espaços de aprendizagem, para que os executivos tomem contato com a temática do ego e, quem sabe, possam ser tocados, como eu fui, para iniciar um processo de cura, em prol de uma vida muito melhor. Todos os que com eles convivem, no âmbito profissional e pessoal, certamente serão beneficiados.

O nosso ego é o nosso carma enquanto não aprendemos a lidar com ele.

Por Américo Figueiredo, Conselheiro Consultivo, Professor Educação Executiva em Gestão de Pessoas, Governança e Organizações, Mentor de Carreira. É um dos colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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