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Dores E Perguntas Dos Nossos Tempos

Coluna 522

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Em épocas como a nossa, os questionamentos surgem como um grande bombardeio nas mentes e corações dos humanos seres que somos. Esses questionamentos aparecem a partir das dores que cada um de nós tem e, essas dores, queiramos ou não, tem duas origens principais: nossos relacionamentos e nosso trabalho.

 Eu atendo diariamente pessoas com algumas dores e perguntas que talvez possam ser as suas também. As mais frequentes são:

– Não sei se sou feliz fazendo o que eu faço;

– Tenho problemas de relacionamento com “tal pessoa” e não sei o que devo fazer, porque no fundo gosto dela;

– Será que está na hora de mudar de carreira?

– Se eu for demitido, o que devo fazer?

– Não aguento mais essa rotina diária!!!

– Esse mundo corporativo tem uma política que acaba comigo!!

– Por que as pessoas têm tantos “mimimis”?

– Será que nunca vou poder falar o que de fato quero? Tenho sempre que falar o que os outros querem ouvir?

– Sou cobrado por um resultado que não consigo alcançar, o que faço?

– A empresa onde eu trabalho não tem nada a ver comigo. E agora?

– Como faço para melhorar meu desempenho?

– Eu consigo me tornar um líder?

– Eu consigo melhorar minha gestão e liderança?

– Não aguento mais essa pressão!!!

Essas respostas e curas para as dores precisam ser trabalhadas por cada um de nós, pois sabemos que os problemas são apenas situações reais e existem de uma forma dolorosa na medida que não conseguimos lidar com eles. Isso acontece porque não temos recursos internos suficientes que possam nos ajudar e o único jeito de acalmar nossas mentes e corações é, às vezes, buscando ajuda das mais diversas possíveis, tais como psicanálise, terapia, coaching, mentoria, bom papo com amigos, com os pais, enfim, algo que de fato possa dar um pouco de luz às situações.

E é nesse ponto que o Eneagrama, como uma ferramenta de autoconhecimento pode nos ajudar imensamente, uma vez que mostra com clareza nossas principais motivações e possíveis dificuldades, além das competências que desenvolvemos com facilidade e outras que “emperramos”. Além disso, mostra quais são nossos modelos mentais mais presentes, que definem maneiras de ser, agir, decidir e valorizar situações e pessoas. E, o mais importante de tudo é que traz à consciência aspectos desconhecidos de nós mesmos que nos levam à frustração ou a uma profunda felicidade. Explica também porque temos maior facilidade de relacionamento com algumas pessoas, em oposição a outras.

Mas, para sair do teórico, vou contar para vocês meu exemplo, assim não há perigo de expor ninguém. Eu sempre tive algumas dificuldades com colaboradores e prestadores de serviço e nunca entendi o motivo. Sempre me diziam que eu era muito exigente e eu não via nenhum mal em ser exigente, mas, mesmo assim, arranjava problemas que não gostaria de ter. Além disso, eu sempre trabalhei demais e achava que todos precisavam entender que minha prioridade era o trabalho e que isso era o certo. Os que não trabalhassem tanto como eu não mereciam ser valorizados. Achava um horror ser avaliada e receber feedback negativo e qualquer pessoa que fosse melhor do que eu, trazia-me um questionamento como… por que não pensei assim? O que posso fazer para me sair melhor? Outra coisa chata que eu fazia… não comemorava muito as vitórias, porque se eu fiz algo bom, não fiz nada mais do que minha obrigação….

Como eu consegui lidar com tudo isso, reconhecer e melhorar em algum grau? Entre outras coisas, a partir de teste e entrevistas com especialistas sobre o Eneagrama (ferramenta que vem de centenas de anos e mostra as diversas personalidades e seus caminhos de desenvolvimento) identifiquei que sou o Eneatipo 3. Quais são as principais características desse tipo?

– Foco de atenção no que os outros valorizam 

– Fazer tarefas para conseguir reconhecimento

– Workaholic – foca em “fazer” tarefas e ser produtivo como uma maneira de obter atenção positiva e evitar sentimentos

– Incapacidade de desacelerar, concentra-se em uma experiência emocional mais profunda

– Dificuldade com relacionamentos íntimos – difícil ser real, saber quem é.

A primeira reação foi… “nossa… sou assim…”. Estudando profundamente o eneagrama, “descobri” que as outras pessoas não são assim e, muitos dos problemas que tinha, vinham dessa intolerância e do “orgulho” de ser quem eu era e de não aceitar que outros pudessem pensar, sentir e ser de formas diferentes da minha. Parece simples e óbvio o que estou falando, mas não é. A partir disso, vi que seria importante evoluir e sair o máximo possível da prisão da minha personalidade que me fazia criar problemas absolutamente desnecessários. Precisava colocar mais o pé no breque e valorizar mais os relacionamentos.

Entendi que essa minha forma de ser poderia ser aproveitada no que vale a pena e lidar de maneira completamente diferente em aspectos que eu considerava verdades absolutas, mas que me prejudicavam e às pessoas que eu mais amava. Compreendi também porque vou bem em alguns trabalhos que exigem muito e porque não gosto de outros, ou seja, pude entrar em contato comigo de uma forma que me despertou e me ajudou a lidar com meus problemas de forma diferente e resolvê-los sem culpar outros ou situações externas. Enfim, isso me trouxe mais força e poder sobre minhas competências e incompetências, mais sucesso profissional e mais equilíbrio pessoal.

Eneagrama, uma ferramenta poderosa

Para mim, o Eneagrama foi e é uma poderosa ferramenta que ampliou minha visão e consciência. Mas, acredito que o mais importante, é entender que os problemas apenas existem se não sabemos como lidar com eles, e a chave para minimizá-los está dentro de cada um de nós, na própria força, nas nossas competências e até nas nossas dificuldades, que apenas serão dominadas se conhecidas, seja pelo método ou caminho que preferir.

O assunto é longo e complexo, mas fascinante e extremamente importante para esses nossos tempos. Confesso que estou com dificuldade de terminar esse texto porque sei a importância cada vez maior da Inteligência Interpessoal e Intrapessoal

Sendo assim e, se  você gostou, deixe seu comentário e sugestões para a continuidade dessa conversa.

Aproveito para fazer um convite: participe do nosso Webinar, no próximo dia 26 de novembro. Será a continuidade do que estamos conversando aqui nesse texto.

O assunto será: O trabalho ideal à luz do eneagrama.

Por Fátima Motta, Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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