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Diversidade e Inclusão: o início de uma longa jornada!

Coluna 371

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O mundo manifestado se apresenta como uma infinidade de formas com inúmeras características mostrando a riqueza e abundância da natureza na criação da vida na matéria.

O ser humano, através do tempo, tem buscado aumentar o seu grau de compreensão sobre o mundo em que vive, observando, experimentando, anotando e classificando com o objetivo de entender a sua lógica de manifestação.

Este processo de aprendizagem, no qual a humanidade está inserida há milhares de anos, cunhou com o tempo os parâmetros de beleza, inteligência, estética, moral e ética.

As relações sociais que aproximaram povos e pessoas primeiramente se firmaram na consanguinidade, defendendo a sua sobrevivência e hegemonia em detrimento de outros, sem levar em consideração se havia entre si um mínimo de valores similares ou um princípio histórico que pudesse ser a raiz de suas existências.

As diferenças foram se acentuando a partir das escolhas e aprendizados que cada grupo de pessoas fazia no seu pequeno mundo, criando assim as diversas culturas, modelos políticos, sistemas de leis, educação, religião e outros temas que se tornaram paradigmas e direcionaram o comportamento de suas populações.

Ver o mundo diferentemente do outro ao invés de aproximar as pessoas para um convívio colaborativo, produziu um efeito contrário, afastando-as e criando grupos antagônicos.

O não compartilhamento de conhecimentos que poderiam ter sido comuns acabou criando grupos privilegiados em prejuízo de outros, surgindo desta forma os pares do descabimento social: senhores e servos; dominadores e dominados; alimentados e subnutridos; letrados e analfabetos e um sem números de distorções sociais, potencializadas ainda por dogmas religiosos, idolatrias e ativismo político.

Passados milhares de anos, ainda estamos vivendo muitos conflitos nas relações humanas personificados nas raças, gêneros, gerações, transexualidade, religiões, levando os seus representantes a serem denominados pela sociedade como “minorias”, um termo, paradoxalmente, considerado politicamente correto!

As minorias que eram objeto de estudos específicos da sociologia e da psicologia passaram a ganhar importância econômica a partir do ano de 2008 quando os primeiros dois milhões de baby boomers se aposentaram nos Estados Unidos. Soma-se a este acontecimento o fenômeno de menos pessoas nascendo, menos pessoas morrendo e, portanto, mais pessoas envelhecendo, influenciando diretamente no equilíbrio da oferta e procura de profissionais de determinados mercado. As empresas com receio do déficit futuro de mão de obra qualificada iniciaram sua busca por novos perfis.

A abertura do mercado de mão de obra para as minorias não significou a solução do problema, mesmo porque isso não garantiria, nem de longe, que haveria um match positivo de pessoas com as mesmas qualificações saindo e entrando no mercado ao mesmo tempo.

No entanto, se do ponto de vista estratégico não resolveu o problema, houve um ponto de inflexão decididamente importante que foi a disposição das empresas em se preparar para receber as minorias em seus quadros de profissionais, procurando caminhos que ajudassem a adaptação dessa nova mão de obra ao ambiente empresarial e desenvolvendo uma cultura de inclusão onde todos são e se sentem iguais perante a organização, independentemente de sua constituição física, credo, raça ou escolhas pessoais.

 

A partir de então estamos vivendo uma experiência rica de aprendizados que nos está ajudando a conhecer um pouco mais sobre o nosso famoso e, muitas vezes, inconsciente viés de preferências, para tentar explicar o porquê eu escolho me relacionar com jovens, mulheres, universitárias, brancas e americanas e não negras? Latinos ou asiáticos? Velhos ou velhas? Não católicos ou budistas? O fato é que estas preferências foram sendo construídas durante nossa infância e adolescência e nutridas pelos padrões sociais locais.

O eu individual precisa aprender a perceber o eu do outro indivíduo, entendê-lo e criar junto com ele uma perspectiva de convivência e colaboração, mesmo que inicialmente a visão do mundo entre ambos não seja a mesma! Porque no fundo não é disso que se trata! O objetivo não é discutir até que um ceda e abandone seu ponto de vista. Isto seria manter as coisas do jeito que estão!

O que se busca é deslocar a visão das coisas que estão presas nos limites do próprio conhecimento e passar a ver, com o olhar do outro, novas possibilidades até então não imaginadas. Este movimento de deslocar o olhar para fora do próprio limite cognitivo proporciona o início de uma nova linguagem que está além da nossa compreensão intelectual porque este diálogo acontecerá na alma onde os pensamentos são aquecidos pelo coração e as palavras trazem consigo mais do que um simples significado, elas nos brindam com a possibilidade de um bem estar comum e uma expansão de consciência que nos prepara para experiências pessoais ainda mais ricas.

Quando entendermos que as diferenças entre pessoas e povos são impostas pelos próprios seres humanos, e que a maioria nem percebe por que faz, estaremos frente a frente com uma oportunidade latente de subir um degrau em nossa consciência e fazermos a diferença nos nossos relacionamentos! É preciso prestar muita atenção às nossas atitudes para entender como nos posicionamos em relação às minorias e muita coragem para mudarmos nosso jeito de ser e incluir na sociedade seres humanos que, diferentes na aparência física, são iguais a nós na essência!

E a essência em nossa vida é movimento que transmite um profícuo impulso renovador, gerando a cada momento uma oportunidade de evolução. É preciso aproveitar os ensejos de crescimento que a vida nos oferece, mesmo que a princípio sua prática seja dolorosa.

Por Vicente Picarelli, fundador da Picarelli Human Consulting e professor e consultor da Fundação Dom Cabral. É um dos Colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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