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Diante do desconhecido, inteligência emocional funciona? - Parte II

Coluna 433

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Diante do desconhecido, inteligência emocional funciona?

Para responder tal pergunta, primeiro é necessário conceituar o que seja essa tal de Inteligência emocional.

Inteligência emocional nada mais é do que a capacidade de reconhecer e lidar com nossas emoções, como também com a das outras pessoas com quem nos relacionamos. É levar razão às emoções. Por que será que, às vezes, não conseguimos controlar nossos impulsos e emoções? Quando isso ocorre é porque nosso lado emocional agiu mais rápido do que o lado racional. Somos levados pela emoção, sem entender exatamente como se revela e suas consequências. Um grande desafio, portanto, é conhecer com mais exatidão a forma como as emoções se manifestam, como e porque são desencadeadas e, então, começar a buscar maior equilíbrio, principalmente neste momento, que precisamos lidar com um inimigo totalmente desconhecido. É o momento de cuidar não só da saúde física, como também da mental e emocional.  

Por outro lado, essa não é a única crise pela qual passamos e vamos passar. De uma forma ou de outra, estamos acostumados a lidar com questões controversas, com crises pessoais, familiares, de trabalho, mas lidar com um inimigo invisível causa uma sensação de falta de controle, incerteza com o futuro e uma instabilidade relativa a tudo e a todos.  

Assim, todas as crises são acompanhadas por emoções. Existem crises individuais, coletivas e mundiais, como essa que estamos vivendo. Assim, são naturais emoções como medo, tristeza, angústia, nervosismo, ansiedade, pânico, agitação, frustração e assim por diante.  

O que fazer perante isso? Em primeiro lugar, entender que todas as emoções levam a pensamentos que, por sua vez, impactam o comportamento. O medo, por exemplo, talvez seja uma emoção de base para uma crise como a que passamos hoje. Tem seu lado positivo, porque diminui a exposição ao perigo, uma vez que tende a colocar um freio e diminuir a propensão ao risco, mas, por outro lado, pode causar uma grande fragilidade, contribuindo ainda mais para a potencialização da atmosfera de insegurança e impotência. 

Uma outra emoção presente nas crises é a angústia. A angústia é a emoção mais sentida pelos seres humanos, gera uma sensação de muito desconforto, de que perdemos o rumo de casa, de um aperto no peito, inquietação, vazio, sufocamento, fazendo com que percamos nosso foco. Em geral, não sabemos como reagir à angústia, podemos ficar estáticos, fugir ou agir. Essa emoção pode impulsionar a uma mudança, levando-nos a acreditar que precisamos ter esperança e que podemos tirar desses momentos de aflição algum aprendizado, analisando nossos pensamentos, desabafando, criando relacionamentos pessoais, buscando ajuda e aprofundando a espiritualidade.

Outra emoção bastante comum em uma crise é a ansiedade, que surge normalmente perante a incerteza, a adversidade e a contrariedade, tirando-nos de uma zona de conforto, deixando-nos apreensivos, vulneráveis e inseguros, limitando até mesmo nosso raciocínio. A ansiedade gera ações impulsivas, provocando uma sensação de estarmos perdidos, fora de foco, de sentirmos esperança e medo, alegria ou apreensão ao mesmo tempo. Gera um processo interno onde passamos a fazer suposições sobre o que vai ou não acontecer. 

A tristeza é outra emoção muito presente nas crises, pois faz com que enxerguemos tudo cinza, sem esperança. Rouba nossa fé e situações que podem parecer simples para alguns, tornam-se monstruosas para quem é sua vítima. Quando a tristeza toma conta de nós, precisamos fortalecer as crenças, elevar a autoconfiança e nos prepararmos para enfrentar os desafios do dia a dia.

Outra emoção muito importante é a raiva, que é uma explosão de medo, que acaba com a razão. A raiva pode tornar a pessoa agressiva e até mesmo provocar violência física, sendo considerada uma emoção destrutiva. Precisamos trabalhar com muito cuidado essa emoção, porque, quando com raiva, tudo a nossa volta parece ameaçador e ficamos cegos. 

Com a crise que o mundo está passando, a questão que se apresenta é a de como entender e resistir à negatividade das emoções e levar inteligência a elas, para que se tornem positivas e aliadas ao combate de qualquer crise, evitando que sejam portas de entrada a doenças.

Assim, de modo geral, em qualquer crise deve-se cuidar de nossas emoções, criando estratégias para enfrentar com êxito os problemas e dificuldades que forem surgindo. 

Uma estratégia muito importante é escolher pensamentos que nos levem a um patamar mais equilibrado da situação. É importante questionar-se em relação ao que se quer, por exemplo:  quero sofrer ou ultrapassar este período ruim? Se quero ultrapassar, preciso escolher emoções, pensamentos, ações que me ajudem a transpor essa fase e não ficar preso a pensamentos distorcidos e prejudiciais, verdadeiros lixos mentais.

A inteligência emocional pode ajudar a lidar com situações de estresse e colaborar com o bem-estar geral, promovendo atitudes de conforto. 

Nessa crise especificamente, “não saia de casa”, é um comportamento de proteção, talvez induzido pelo medo positivo, o que pode ajudar-nos a ficar mais conscientes da nossa casa interna e mais cuidadosos com a casa externa. 

Uma segunda estratégia é fazer um planejamento diário e ter disciplina para segui-lo durante o período em que a crise ainda está presente. 

Para enfrentarmos essa crise onde o isolamento social é imposto, vale um planejamento diário, seguindo algumas regras, tais como: tirar 20 minutos para se exercitar, dançar, subir e descer escadas, enfim qualquer exercício que faça os músculos se movimentarem. Após esse tempo, iniciar a preparação para ir ao trabalho (home office). Ou seja, tome banho, arrume-se, penteie bem os cabelos e inicie o trabalho. Faça intervalos de vez em quando, mas não se disperse. Cada vez que terminar uma atividade, faça uma marca de terminado. Isso dá uma imensa gratificação ao cérebro que se estimula para continuar a executar o planejamento estabelecido. 

Ao seguir um planejamento diário,  sobrará tempo, pois eliminamos a ida e volta do trabalho, reuniões desnecessárias, e assim, aos poucos, descobriremos que podemos aproveitar as folgas para ler aquele livro que nunca  tínhamos tempo de ler, ligar para amigos, ver um filme, enfim, viver de forma mais plena. 

Uma terceira estratégia é buscar o propósito em cada uma das coisas que faremos com o tempo que sobra, pois a partir do momento que vemos o significado, dedicamo-nos a entender mais até o que essa crise tem a nos ensinar.

E, falando nisso, o que essa crise está ensinando? Está ensinando que o contato humano nos faz falta, que precisamos valorizar o outro, que devemos olhar, “olho no olho” e até mesmo sentir o outro. Ensina o cuidado que devemos ter com os outros. Agora é o momento de cuidarmos não só da pessoa que está ao nosso lado, mas também daquelas que nem conhecemos. É um momento importante de colaboração entre todos nós, seres humanos.

Outro aprendizado que podemos tirar dessa pandemia é utilizar a tecnologia para simplificar. Nada de carros, nada de reuniões presenciais. 

Aprendemos, também, que resultado não é tudo, porque nesse momento, onde devemos valorizar nossa saúde, o resultado financeiro de nada adiantará se estivermos doentes.  

A crise está nos ensinando que somos todos iguais. Quer queira quer não, quando o vírus chega, não importa se você tem ou não dinheiro, se tem poder ou não, se está empregado ou desempregado, enfim somos todos iguais.

Podemos perceber, como terceira estratégia desse momento crucial, que a natureza é um dos caminhos para nossa cura. Podemos beijar nossos pets, mas não podemos beijar outro ser humano, estamos aprendendo a importância de rezar, cantar, dançar, de pequenas coisas que esquecemos de dar valor. É o momento de ficarmos sozinhos, de obter um maior desenvolvimento pessoal e sabedoria para enfrentarmos essa crise da melhor forma possível.

Para finalizar, a pergunta a que nos propusemos foi se a Inteligência Emocional ajuda. A resposta é: com certeza ajuda! E confira abaixo 9 passos para que possamos implementá-la em todas as crises:

  1. Reconhecer a emoção que se está sentindo
  2. Levar razão à emoção
  3. Escolher pensamentos positivos
  4. Controlar a respiração
  5. Descansar em ambientes calmos
  6. Tomar um banho relaxante
  7. Conversar com amigos, familiares e terapeutas
  8. Aproveitar o tempo para se autoconhecer e se desenvolver
  9. Ter fé

Termino esse texto sendo grata a todas as crises pelas quais passei, porque me ensinaram a ser mais tolerante, compassiva e humana.

Por Profa. Dra. Fátima Motta, Sócia-Diretora da FM Consultores. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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