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Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: os desafios das PCD’s no mercado de trabalho

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Mais do que uma comemoração, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é também uma data para reflexão. Pensando em mercado de trabalho, é inegável o crescimento de ações e o avanço na integração das PCD’s às empresas, mas o processo ainda engatinha no Brasil e depende muito das cotas obrigatórias para fluir.

A oportunidade pode ser traduzida como um acontecimento capaz de melhorar a realidade atual de uma pessoa, uma situação nova que pode trazer benefícios. Para 24% da população, formada por pessoas com deficiência, esse pequeno ato pode fazer toda a diferença e isso reflete em números. Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, em 2017, os empregos formais para pessoas com deficiência (PCD) cresceu quase meio milhão, o que representa 1% do total de empregos no país.

Ainda de acordo com a RAIS, houve aumento de vagas formais preenchidas por trabalhadores com deficiências física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e reabilitados. A maior alta foi registrada para deficientes visuais, com crescimento de 16,3% em relação a 2016 (+8,7 mil novas vagas). Trabalhadores com deficiência intelectual (mental) tiveram 2,5 mil empregos a mais (+7,3%). Para pessoas com deficiência múltipla, o aumento foi de 5,1% (+370 postos). Nos casos de deficiência física, o número de vagas preenchidas subiu 4,1% (+8,3 mil), enquanto para deficiência auditiva o crescimento foi de 3,5% (+2,8 mil).

Apesar dos avanços, as pessoas com deficiência ainda enfrentam dificuldades e preconceitos no acesso ao mercado de trabalho. A qualidade das vagas destinadas aos profissionais com deficiência é um dos principais problemas enfrentados pelos candidatos. Dados da Pesquisa "Pessoas com deficiência – expectativas e percepções sobre o mercado de trabalho", de 2017, conduzida pela i.Social, em parceria com a Catho, ABRH Brasil e ABRH São Paulo, apontou que 88% dos profissionais de RH entrevistados declararam que as empresas contratam pessoas com deficiência com foco unicamente no cumprimento da Lei de Cotas. Ainda segundo a pesquisa, 64% dos profissionais de RH dizem encontrar dificuldades para enquadrar na cota os candidatos com deficiência.

"A Lei ajudou a promover a inclusão, porém, para que ela realmente funcione, as empresas precisam compreender esse acesso para além do sistema de cotas. É necessário incluir esses profissionais reconhecendo suas competências e habilidades e desenvolvendo um plano de carreira para elas, por exemplo", explica o gerente sênior de marketing da Catho, Ricardo Morais.

A recolocação no mercado de trabalho também é mais um dos desafios encontrados na área profissional. Segundo dados coletados pela Catho, que ouviu profissionais com deficiência, 86% deles buscam novas oportunidades no mercado. Os motivos estão ligados diretamente ao perfil da vaga, que muitas vezes estão aquém das qualificações do profissional. Porém, a mesma pesquisa aponta que a qualificação nem sempre é o problema, uma vez que, dentre os pesquisados, 56% procuram cursos rápidos, 41% uma graduação e 24% um curso técnico.

Mesmo com os avanços até aqui, melhorias ainda se fazem necessárias. "É fundamental quebrar paradigmas, buscar informações, conhecer a fundo a especificidade de cada um, mais do que isso, praticar a empatia e oferecer ferramentas de inserção. Esse é o caminho para inclusão, o único possível, a oportunidade", enfatiza Morais.

Contra a maré: Sucesso supera obstáculos

A deficiente visual Jacilda Costa, 36 anos, trabalha no Mercantil Rodrigues desde 2013. Aos 2 anos de idade ela sofreu um acidente e teve o olho esquerdo perfurado. "Enxergo de um olho só, sou negra, magra, tenho cabelos cacheados e muita autoestima! Isso conta muito e nunca me intimidei por essa condição. Lido com a deficiência desde pequena, me acostumei e nunca foi um obstáculo", conta. Ela diz que a lei de PcD foi muito importante para assegurar o ingresso no mercado de trabalho e revela que, mesmo com a deficiência, é possível aproveitar as oportunidades. "Sempre tive maturidade para lidar com isso e não deixar que me atrapalhasse. Participei de seleções internas para a vaga de escriturária, fui assistente de Recursos Humanos, hoje estou como analista de RH e não vou parar por aqui. No próximo ano retornarei aos estudos. Pretendo fazer faculdade em Gestão de RH e continuar me aperfeiçoando e colaborando com a empresa", afirma Jacilda.

Há oito anos trabalhando no GBarbosa em Aracaju, Soraine Gois, 33 anos, é deficiente auditiva. A avó, como ela chamava a pessoa que a criou, foi quem descobriu a deficiência. "Fazia curso de auxiliar de enfermagem, mas não consegui emprego e acabei desistindo da área. O GBarbosa me ofereceu uma oportunidade como operadora de caixa part-time. Aqui consegui realizar alguns sonhos, ter autonomia financeira, conquistei um trabalho que dá oportunidade de crescimento", afirma.

No dia a dia, Soraine aprendeu a lidar com as adversidades com simpatia e jogo de cintura. "Tenho deficiência auditiva profunda e não uso aparelho auditivo porque incomoda muito. Às vezes os clientes falam comigo e não percebem essa deficiência, mas logo contorno a situação e fica tudo bem. Faço leitura labial, tenho facilidade de comunicação e adaptação aos ambientes", explica Soraine. Para ela, tratar a questão de diversidade e inclusão no dia a dia é muito importante para fazer as pessoas se sentirem bem-vindas. "Uma empresa que trata a todos da mesma forma não tem distinção na hora de contratar pessoas, algo que não percebi em outros lugares, que restringem a idade, por exemplo", diz. Para fortalecer esse ambiente de inclusão, equipes de loja e do RH da Cencosud Brasil participaram de ações com intérpretes da linguagem de sinais (Libras) para se comunicarem melhor com pessoas com deficiência auditiva ou da fala, tanto colaboradores como clientes.

Propósito do bem

Com o propósito de incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a Catho atua desde 2016 concedendo gratuidade no acesso a todas as vagas do site para profissionais com deficiência, com laudo válido, e reabilitados pelo INSS abrangidos pela lei de cotas, basta acessar www.catho.com.br/pcd/ e realizar os procedimentos para cadastro. Além disso, a empresa atua em prol dessa causa por meio de ações, é o caso da campanha "Minha Vaga Por Direito", que será lançada na segunda-feira, 03 de dezembro, data em que é comemorado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

Com a criação de um manifesto e adesivações de stencils espelhadas inicialmente pela cidade de São Paulo, o objetivo é claro: conscientização. Para além de vagas de estacionamentos, filas preferenciais ou vagas em transportes públicos, o direito ao emprego também deve ser cumprido. "Queremos que os candidatos sejam incluídos no mercado de trabalho e que eles ocupem vagas adequadas a seus perfis e habilidades. Nosso objetivo por meio dessa ação é contribuir com a ressignificação do olhar das pessoas sobre os profissionais com deficiência. Assim, podemos transformar as perspectivas em algo mais palpável, para além do discurso e do cumprimento de uma Lei", finaliza Morais.

Projeto de qualificação

Termina agora, no dia 7 de dezembro, o período de inscrições para a 21ª turma do CEPRO/SELUR, Programa de Qualificação Profissional para Surdos e Pessoas com Deficiência Física e Reabilitados do INSS, uma parceira da entre o Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana de São Paulo - SELUR, da Fundação de Rotarianos e do Centro Profissionalizada Rio Branco. O objetivo do Programa é a inserção qualificada das pessoas surdas e com deficiência no mercado de trabalho.

Com duração de seis meses, o programa fornece aulas de português, matemática, tecnologia aplicada, noções de administração e atendimento. As aulas iniciam em janeiro e têm seu término em junho, no campus das Faculdades Rio Branco, no bairro da Lapa em São Paulo.

Para se inscrever, os interessados devem ter mais de 16 anos de idade e possuir escolaridade mínima até a 4ª série. É preciso levar comprovante de residência, cópia do RG e atestado de escolaridade. No mesmo momento, será agendado uma entrevista classificatória em Português, Matemática e conhecimentos gerais.

"Após 20 Turmas do Programa de Qualificação, podemos afirmar que estes alunos estão preparados para enfrentar o mercado de trabalho com suas habilidades e conhecimentos restabelecidos, tornando-os mais confiantes ." comenta Susane Bragança – Projeto Selur Social (SELUR)

Mais informações sobre as matrículas e o Programa podem ser obtidas pelo telefone (11) 3879-3157, durante o turno da tarde.