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Coluna 506

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A velocidade dos acontecimentos do nosso dia a dia, muitas vezes nos faz esquecer o que fizemos há minutos, horas ou dias atrás. Foi neste clima de correria que um colega, que sabe que gosto de escrever textos, me convidou a assistir o documentário que poderia me inspirar para novas reflexões, cujo conteúdo e o título deram origem a esta minha coluna.

Quanto tempo o tempo tem?, é uma maravilhosa pesquisa filosófica sobre este assunto que nos tira o sono e que nos faz não conseguir viver o presente.

O enredo do documentário é fantástico, e quando descobrimos seus convidados ele fica ainda mais interessante. Participam dele, nada mais do que: o sociólogo italiano Domenico de Masi, o físico Marcelo Gleiser, a monja Coen Sensei, os filósofos franceses Thierry Paquot e André Comte-Sponville, a escritora Nélida Piñon, o rabino Nilton Bonder, o cineasta Arnaldo Jabor dentre outros.

A evolução das narrativas nos mostra, uma união de reflexões que nos dá uma visão ampliada da importância da unicidade do presente, mediante ao entendimento de que não existe passado ou futuro, mas apenas o agora, assim como a evolução tecnológica com sua velocidade alucinante não nos permite muita divagação, principalmente em relação ao tempo que tem fim quando morrermos, e da possibilidade oposta, de não morrermos e nos transformarmos em transumanos ou superhumanos.

Trailer oficial do filme Quanto tempo o tempo tem?

Dentre as várias provocações que filme nos traz, destaco abaixo algumas que considero essenciais e por isso compartilho com vocês:

  1. Temos estar aberto e atento ao que passa por nós, pois com a velocidade imposta nos dias atuais, se não soubermos ter prioridade, podem passar na frente dos nossos olhos, apenas uma vez, uma grande oportunidade (Já vi muitas empresas não contratarem talentos, pois são souberem no processo seletivo de fato conhecê-lo).
  2. Sabemos da importância do passado, e que devemos planejar o futuro, mas não podemos esquecer que só o presente de fato existe e temos que aproveitá-lo demais (vivemos entre o passado e o futuro e não vivemos o presente).
  3. Existe certa obsessão na humanidade sobre a passagem do tempo, e como podemos reduzir o impacto dela em nossas vidas? Temos que desplugar a nossa alegria e a nossa vida do “tique-taque” dos nossos relógios.
  4. Como conviver com a internet e as novas tecnologias, que chegaram e fizeram com que o tempo e espaço desaparecessem .... e tudo ficar instantâneo?

Na busca das respostas acima destacadas me deparei com o livro do famoso escritor Greg Mckeown, indicado por um outro grande amigo, cujo título é Essencialismo, e que nos orienta como aprender a fazer mais com menos, nos dando alternativas para o dilema da escassez ou o uso com qualidade do nosso finito tempo.

Video Review for Essentialism by Greg McKeown

O livro desenvolvido por Greg, que é um especialista renomadíssimo em liderança e estratégia, compartilha com nós algumas soluções para controlar todas as suas escolhas, identificar as tarefas verdadeiramente importantes na em nossa vida e fazer menos, mas melhor.

O aprendizado que o livro traz visa mostrar experiências de que o autor obteve e as ideias que criou a partir da colaboração com os líderes de algumas das empresas mais inovadoras no mundo (Facebook, Google, Apple, Twitter, LinkedIn etc), com intuito de fortalecer a visão de como é possível fazer sempre, e apenas, as coisas certas, tornando-se mais produtivo e bem-sucedido no trabalho, e ganhando tempo para a sua vida pessoal.

Se não sabemos usar com qualidade o tempo que temos (tema tratado no filme citado), podemos em nossa finitude não fazer escolhas essenciais (contexto tratado pelo livro Essencialismo).

E com base nestas informações e reflexões, seja do filme ou do livro, para mim tudo estava fazendo sentido, foi aí que participei da aula de um Programa de Gestão da Inovação com a Dra. Mayana Zats, especialista de Genoma e Célula Tronco do Instituto de Biociências da USP, que colocou na mesa novos dilemas, que geraram novas perguntas:

  • Atualmente podemos fazer escolhas diferentes daquelas que nossos avós podiam fazer, e isso tem haver com a evolução dos estudos genéticos. O que será ético e o que não será?
  • Podemos se beneficiar ou não de aconselhamento genético?
  • Já existem projetos sobre estudos na China sobre Gens da inteligência (DNA Dreams), e aí o que muda com isso? É correto mudarmos o equilíbrio da diversidade?
  • Chegamos de fato num momento onde temos a morte da morte, pois com os avanços dos estudos, a morte poderia se tornar uma escolha e não mais o destino?
  • A cada dia mais o mundo será do P4: Preditivo, Preventivo, Personalizado e Participativo. Este é o caminho mesmo?

Com estas provocações em minha “mochila” da vida, volto sempre à famosa provocação que Luis Fernando Veríssimo fez: "Quando temos todas as respostas vem à vida e muda todas as perguntas".

Gustavo Mançanares Leme, executivo de RH com experiências em processos de transformações culturais e turn around de negócios. É um dos colunistas do Rh Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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