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Descascando Sua Cebola

Coluna

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Certa vez, fazendo um curso que tratava sobre disrupção, renovação e inovação, em algum momento, o facilitador disse “Muitas vezes, para criar o novo, é necessário descascar cebolas”. Fiquei intrigado, claro! Descascar cebolas para crescer e inovar? O que significaria isso? Até que veio a solução: para inovar é necessário nos despirmos de roupas que não nos servem mais, de conceitos ultrapassados, de aprendizados inadequados, jogar fora e colocarmos no lugar coisas novas, mais condizentes com a realidade atual e mais congruentes com o novo contexto.

Me fez muito sentido essa metáfora, pois na ocasião, vivia preso a sucessos do passado, repetindo os mesmos procedimentos e esperando resultados semelhantes aos colhidos anteriormente. Em nossos dias, a percepção da importância do desaprender para um novo reaprender é bastante comum.

Vivemos em uma época de mudanças vertiginosas, impulsionadas pelo avanço tecnológico em todos os setores do conhecimento humano. As informações são imediatas e simultâneas em todo o mundo, ressalvas para as condições socioeconômicas e políticas de determinados países. Curiosamente, o que aprendemos e usamos podem ser os obstáculos que nos estão impedindo de crescer, tanto no âmbito pessoal como no mundo dos negócios. Para essa evolução, a exemplo do que disse Barry O”Reilly, CEO e fundador da ExecCamp e autor do livro “Desaprenda”, para todos os que buscam uma nova maneira de melhorar, aprender a desaprender deve ser o primeiro passo.

Para novos aprendizados é fundamental  não estarmos presos a conceitos e hábitos antigos, embora sejam difíceis de serem mudados. Mudar crenças exige que tenhamos a clareza do que conseguiremos diante de um novo cenário que, em sua maioria, são incertos, mas que oferecem benefícios e vantagens em relação ao que hoje é praticado.

Ouvi, certa vez, a indagação de um palestrante que disse: “Você sabe em uma viagem de avião, quanto tempo o avião fica na rota de verdade, mesmo utilizando um piloto automático?”. Pensei, embora não tenha falado, talvez, 90% ou 100%. Para minha surpresa, ele disse que, na verdade, durante a rota, o avião ficava entre 5% e 10% do tempo, tendo em vista que o restante do tempo estava corrigindo sua rota, desviada por ventos, peso, mudanças de temperatura e outros fatores.

Pelas novidades, talvez, só corrigir rotas não seja o suficiente, mas repensar o trajeto, como rever a necessidade da viagem para saber se precisamos estar nesse avião ou, então, se o assunto que motiva a viagem poderá ser resolvido de outra forma. Conforme disse Barry em seu livro, devemos aplicar o ciclo de aprendizagem, para que desaprendamos, reaprendamos e avancemos. O autor complementa, ainda, que é necessário que você identifique o que precisa desaprender, para que confie que pode encontrar um caminho melhor para obter os resultados pretendidos. À medida que você desaprende hábitos limitantes, é possível redefinir as suas perspectivas e absorver novas informações. Desaprender e reaprender pode levar a evolução, tendo em vista que você não consegue os avanços apenas ao pensa-los, por isso, é necessária a ação.

Cada qual já deve ter passado por experiências para perceber o quão inúteis foram e são muitos dos aprendizados que obtivemos ao longo da nossa existência, desde programas educacionais desenvolvidos nas escolas, com metodologias e programas mais focados em preparar o aluno para passar no vestibular, do que, de fato, oferecer um conhecimento fundamental para a vida.

Um bom exemplo de desaprender para reaprender é a história do ônibus espacial Clallenger, que explodiu logo após seu lançamento. Havia tanta confiança que, mesmo sabendo que havia certo risco, os equipamentos não eram submetidos a certos níveis de avaliação, pois o desprendimento de espuma isolante tinha uma certa tolerância e como não havia tido nenhum problema antes, apesar de haver certos riscos conhecidos, eram menosprezados. A partir daí, a NASA criou novos protocolos com base nas experiências dos seus próprios técnicos, ou seja, todo um repensar nas estratégias, um desaprender para um novo reaprendizado, tornando as viagens espaciais mais seguras.

Assim sendo, nos novos e fascinantes tempos de mudanças, aos quais somos submetidos diariamente, e diante de um cenário de novidades a cada momento, como a evolução da robótica, dos grandes computadores, como o Watson da IBM, da internet das coisas, realidade aumentada, realidade virtual, causa um enfoque diferenciado à humanização, tema do CONARH deste ano, maior evento de recursos humanos da América Latina, ou seja, a atenção às pessoas e relacionamentos, levando em conta a responsabilidade social, comunicação intra e interpessoal, respeito, comunicação não violenta, entre tantos outros fatores determinantes. Creio ser, cada vez mais, necessária a nossa habilidade de aprendermos a descascar cebolas e nos desenvolvermos, substituindo práticas, métodos e ações ultrapassadas para uma realidade inovadora e disruptiva.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO do Instituto Passadori. é um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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