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De que emergência estamos falando?

Coluna 178

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A velocidade! Temos pressa. Temos urgência. Em uma visão de mundo onde tudo está sob nosso controle e sujeito às nossas vontades negamos ou, no mínimo, ignoramos os movimentos alheios. Alheio aqui é tudo. As coisas animadas e inanimadas.

Pensar em pessoas como figuras animadas é bastante fácil e, mesmo assim, há de concordar que ao invés de buscarmos as condições para nutrir a emergência de algo genuíno do outro e no outro, buscamos impor nossas vontades. Não se trata de vontade tirana ou de mando propriamente dito. Falo da vontade simples de qualquer coisa que queiramos que o outro faça.

Emergência! Talvez a primeira coisa que lhe surja em mente seja aquela sirene, que berra carregando a esperança de alguém. Emerge como que se do nada e aparece em nosso retrovisor ou em nossos ouvidos desatentos. Ainda pode ser que lhe soe familiar pensar nas emergências na empresa, local onde muitas vezes apaga-se mais fogo do que bombeiros em pleno exercício de seu trabalho. Contudo, trata-se da emergência daquilo que estava imerso, aterrado, escondido ou ainda por ser revelado. Trata-se deste movimento de dentro para fora que falo aqui.

Corremos, a todo momento, talvez porque não saibamos quando de fato correr e quando esperar. A ilusão da produtividade nos faz pensar que velocidade é tudo, quando, na verdade, trata-se de agilidade. Agilidade para notar quando não se mexer, quando esperar e apenas observar.

Se tudo tem vida, mesmo as coisas inanimadas, então de tudo algo pode emergir. As relações entre todas as pessoas e destas com tudo que é animado. Pense nas relações como uma entidade em si. Uma entidade que conecta, como se você um fio condutor. Seu conjunto cria toda a malha que nos une. Cada fio tem sua vida. De cada fio algo pode emergir. Mas puxamos, esticamos, damos nós e estouramos muitos destes fios. Na hora errada, pois ao ignorar a vida que lá existe, impomos apenas a nossa vida, como se fossemos seres capazes de injetar vida em algo fora de nós.

Bom! Na verdade podemos sim e assim fazemos. Assim nascemos, certo? Mas note que o rebento de uma relação que gera uma vida, gera uma vida que vive por si. Doamos um pouco de nós e este pouco gera uma vida inteira. Que quer seguir com sua própria vontade. Ainda assim, impomos a nossa.

Emergir. Todo verbo é ação, mas emergir é um verbo que parece precisar de nutrição. Correr precisa de energia em nossas veias, músculos. Precisa de força de vontade ou um bom estimulo de perigo, ou ainda uma boa brincadeira. Amar precisa de profundidade. Amar e emergir se encontram no fundo. Do amor emergem a doação, o carinho, o apresso, a caridade e a consideração com o todo e todo mundo. Emerge muito mais do que isso. Emergir precisa de nutrição e se for do amor, melhores serão seus frutos. Mas o emergir pode ser nutrido com qualquer coisa. Raiva, ódio, ganância, intolerância. A lista de ingredientes é vasta. E de frutos também, porém amargos na maioria.

A emergência, contudo, daquilo que é nutrido pelo próprio ritmo da vida é o surgir daquilo que é mais adequado. Neste movimento não somos alguém que contribui com algum ingrediente para nutrir. Somos o ingrediente. Somos parte do todo e emergimos a cada emergência.

Que sabedoria esta que busco há tanto tempo, de saber compreender os movimentos do que deve emergir, sem que pensemos ser os proprietários do processo, quando somos mesmo parte dele, ingredientes em si. Não somos o cozinheiro, este cabe a algo maior. Somos um grão na receita maior da vida.

Sucesso ao viver sua vida e que não seja uma mera existência!

Tiago Petreca, diretor fundador e curador chefe da Kuratore - consultoria de educação corporativa, Country Manager da getAbstract Brasil e autor do Livro “Do Mindset ao Mindflow”. É um dos colunistas do RH Pra Você. Foto: Divulgação O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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