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De comitê de crise ao absenteísmo: desafios da liderança na pandemia

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Além dos profundos efeitos na saúde física e emocional da humanidade, o novo coronavírus trouxe impactos para todos os segmentos do mercado, cada um à sua maneira. Seja pelo fechamento do comércio, suspensão de atividades presenciais, diminuição na circulação de pessoas ou, simplesmente, pela necessidade de conter a propagação do vírus durante a realização de serviços essenciais, nenhuma área escapou ilesa da pandemia.

E o que dizer de companhias que atuam no multimercado e, portanto, tiveram de lidar com as dificuldades e apreensões de clientes de inúmeros segmentos ao mesmo tempo? Esse foi o caso do Grupo Souza Lima, que oferece mão de obra terceirizada e soluções híbridas em segurança, controle de acesso, limpeza e facilities para setores tão diversos como indústrias, varejo, saúde, educação, condomínios, construção, agronegócios, mineração e área portuária.

Diante desse cenário de alta complexidade, o ponto de partida foi a criação de um comitê de crise, que centralizou e direcionou todas as ações da empresa desde a fase inicial de enfrentamento da Covid-19. Como se pode imaginar, não foram poucos os desafios enfrentados, incluindo duras tarefas como a renegociação de contratos em massa e a contenção de uma onda de absenteísmo sem precedentes.

A seguir, confira uma análise dos principais testes de resiliência e liderança que eclodiram ao longo desse processo, as soluções empregadas para superá-los e as expectativas para o futuro pós-pandemia sob a ótica do CEO do Grupo Souza Lima, Alex Bortoletti.

O comitê de crise e seu papel crucial na pandemia

A implantação de uma força-tarefa ágil e eficiente foi o primeiro desafio estratégico imposto pelo coronavírus. Por onde começar? Em que ações focar? Que tipo de líder eleger? Para nós, as respostas para essas questões surgiram com a definição de um objetivo primordial: sustentar as nossas operações de serviços essenciais durante a quarentena, de modo a proteger o bem-estar e a saúde do nosso funcionário, do nosso cliente e da sociedade como um todo.

Com esse objetivo em mente, a escolha para encabeçar o comitê de crise recaiu sobre a área de Segurança e Bem-Estar, que tem como Head um Engenheiro de Segurança do Trabalho com a expertise de que precisávamos para criar nosso protocolo contra a Covid-19. Assim, acompanhando o direcionamento do Ministério da Saúde e de outros órgãos engajados em pesquisas sobre o assunto, pudemos estabelecer com assertividade as medidas protetivas a serem assumidas por cada colaborador e pelo grupo, a fim de manter a saúde tanto em nossos ambientes de trabalho quanto fora deles.

Além dos efeitos diretamente ligados ao combate da propagação do vírus, a adoção de um protocolo robusto desde o início também ajudou a aliviar tensões e dissipar o clima de insegurança entre nossos colaboradores. Da mesma forma, muitos clientes enfrentaram momentos conturbados, especialmente durante as primeiras semanas da pandemia, e puderam usar nosso protocolo como base para definir suas próprias políticas de distanciamento social, higienização, desinfecção, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), controle de acesso, medição de temperatura etc.

Renegociar para beneficiar a todos

Outro ponto de especial atenção foi o fato de que as medidas de isolamento impostas pelo governo com o intuito de frear a Covid-19 tiveram um impacto imediato em praticamente todos os segmentos da economia, levando a um comprometimento simultâneo da capacidade pagadora de uma grande parcela de nossos clientes.

Em nome da pandemia e do nosso bom relacionamento, muitos pediram descontos, alargamento de prazos, anistia de pagamentos, alterações de contratos, entre inúmeros outros auxílios e renegociações. Como resultado, nosso desafio passou a ser o de administrar as necessidades específicas de cada caso, sempre buscando a harmonização dos interesses de todos os envolvidos.

Nossa abordagem primordial foi a de buscar ajudar os clientes em dificuldades a construir uma reposta para o problema efetivo que eles enfrentavam. Com esse objetivo, nos debruçamos com cada um deles, juntamente com nosso departamento jurídico e comitê de crise, a fim de elaborar saídas viáveis para adaptar operações e rotinas desabrigando o menor número possível de funcionários.

Cabe ressaltar que a relação com o Grupo Souza Lima possui natureza jurídica, uma vez que a base de nossos serviços é justamente a mão-de-obra de trabalhadores terceirizados, devidamente amparados pela malha de proteção atrelada à CLT. Por essa razão, foi fundamental encontrar um equilíbrio nas renegociações, apoiando as tomadas de decisão de nossos clientes com bom senso e solidariedade, porém sem perder de vista obrigações com a legislação, direitos trabalhistas e outras imposições jurídicas que não foram suspensas com a pandemia.

Lidando com um absenteísmo recorde em tempos de coronavírus

Com relação ao nosso quadro de cerca de 22 mil colaboradores, que atuam em mais de 15 filiais distribuídas por todo o território nacional, o maior desafio veio na forma de uma avalanche de atestados médicos por suspeita de Covid-19, que, como sabemos, determina o afastamento do funcionário por 14 dias, independentemente de haver ou não confirmação do contágio.

A solução foi firmar um convênio com um laboratório de testagem em massa, além de encaminhar os casos com resultados positivos para um serviço especializado de telemedicina. Desse modo, não apenas reduzimos a taxa de absenteísmo, como encontramos um meio de proteger os colaboradores realmente infectados, estendendo cuidados e medicamentos necessários também para suas famílias.

O que aprendemos e o que vem pela frente no novo normal?

Não podemos ignorar que eventos de grande magnitude, como guerras e catástrofes naturais, ensinam lições e deixam legados. Com esta crise, já podemos notar a quebra de muitos paradigmas, especialmente no que diz respeito ao encurtamento de distâncias proporcionado por ferramentas de comunicação digital. Ainda com relação à tecnologia, outro legado para o nosso setor foi a confirmação de uma tendência na qual já vínhamos apostando, relacionada à melhoria de processos por meio de soluções híbridas, ou seja, que envolvem recursos tecnológicos na realização de tarefas e rotinas que, antes, dependiam intensivamente de mão de obra.

Quanto ao maior desafio atual, certamente é o de estabelecer novas formas de viver, se relacionar e trabalhar considerando as mudanças trazidas pela pandemia – e, claro, levando em conta que a ameaça do coronavírus ainda está longe de ser considerada superada ou coisa do passado. Dessa forma, a cada dia reafirmamos nosso propósito de defender a vida, atuando junto às empresas para garantir o cumprimento daquela que é a prioridade desta retomada: garantir a segurança de funcionários e visitantes, minimizando o risco de contágio do coronavírus em todos os ambientes e operações.

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