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Da Vaca Indiana Às Transformações De Vida, Carreira E Negócios

Coluna

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A cultura indiana é um choque de realidade, de quebra de paradigmas, de experiências com a diversidade, tudo que é necessário aprender para manter-se atraente profissionalmente, num mercado cada vez mais cheio de inovações e oportunidades.

Na minha última Viagem Sabática para a Índia, realizada em 2017, entre as muitas experiências, quero compartilhar uma em especial! Cristina (nome fictício, numa história real) é uma pessoa culta, inteligente, que embarcou nessa instigante jornada com o propósito de expandir sua visão de vida e de negócios.

Como mentora do grupo, desde a tomada de decisão de um viajante sabático, eu oriento que a pessoa esteja disposta a um mergulho de autoconhecimento e descobertas baseada em três condições: não criticar, não comparar e não julgar. Para viver intensamente essa experiência a pessoa deve embarcar com o mínimo possível de roupas e bagagens, despida da sua própria cultura e disposta a se conectar com tudo que se relaciona ao país. Além de deixar roupas, sapatos e acessórios, implica se desprender dos próprios preconceitos, paradigmas, expectativas e padrões para ressignificar ou criar um novo mindset. E tudo isso ia muito bem para Cristina até que se deparou com as vacas indianas, animais sagrados na Índia.

A Índia é encantadora, perfumada, colorida, repleta de magia! Sempre que estou naquele lugar, conto com o Ganesh, um homem intimamente conhecedor da cultura indiana, que atua como guia e fiel escudeiro para desbravar o país. Numa das paradas da nossa imersão, Cristina quis saber o motivo de a vaca ser respeitada como um deus, e criou uma expectativa insaciável para obter a revelação. Ela não levou em consideração a importância de ter espaço interno para criar uma nova forma de enxergar as coisas. Quase mais nada importava para ela, mas o guia entendeu que aquele não era o momento adequado para a explicação! Aliás, você sabe por que a vaca é respeitada como divindade na Índia?

Antes de falar sobre a história da vaca indiana, quero fazer algumas reflexões que influenciam a minha e a sua vida, seja na carreira, nos negócios ou nos relacionamentos, e tem muito a ver com a experiência de Cristina na Índia. Todo o Planeta Terra está vivendo um momento ímpar de transição.

As transformações são cada vez mais rápidas, mas, ainda é preocupante o número de pessoas que parece alheia a essa realidade. Muitas dizem que acompanham as mudanças, mas ao ter acionado alguns gatilhos mentais, retrocedem e permitem a influência de instintos primários. E essa questão é bem séria. Como pode uma pessoa ter espaço interno para novos aprendizados se permanece entulhado de ansiedade, de medo, expectativas e incongruências?

Pense no mundo corporativo. Segundo um estudo publicado pela revista Você S/A, 87% das empresas dispensam funcionários por problemas de conduta, ou seja, apenas 13% das demissões são provocadas de fato por falta de competência técnica. Ainda de acordo com a pesquisa, 20% dos indivíduos consultados afirmam que foram demitidos por problemas ligados à forma de se portar dentro da empresa. O pessoal de Recursos Humanos, por exemplo, não deve se prender ao número de itens que aponta a capacitação técnica de um profissional em um currículo. O Facebook, o LinkedIn e o Instagram definem hoje se o perfil da pessoa corresponde ao padrão comportamental que se espera no quadro de colaboradores.

Como tem sido o seu comportamento pessoal e profissional diante das transformações no mundo? O mundo moderno nos coloca em bolhas e por não ter consciência disso (tal como a minha amiga Cristina) corremos o risco de reproduzir modelos. No ritmo de mudanças cada vez mais aceleradas, ainda têm profissionais resistindo ao novo e se deixando moldar pela conveniência da falsa zona de conforto. Com receio de perder o controle (que na verdade não existe) tem deixado de desfrutar valiosas experiências. O aprendizado e o autodesenvolvimento convencionais ficaram para trás.

Como mentora de Viagens Sabáticas para a Índia, observo como o investimento de “apenas” duas semanas tem transformado destinos positivamente. É bem provável que a essa altura você esteja refletindo sobre sua própria condição e tenha esquecido da viajante sabática e a divina posição da vaca indiana. Pois bem! Como disse, Cristina é uma pessoa culta, inteligente, que embarcou nessa viagem com um propósito. Mas, após ter feito a pergunta sobre o animal sagrado, ela se fechou para essa questão e não assimilou mais nenhuma das curiosidades culturais e vivências propostas. Encantada com a magia da Índia imaginou histórias mirabolantes e bitolou nessa questão partindo da sua própria “bolha”!

E, quando soube que a preservação do animal tem mais a ver com questões econômicas do que espirituais, ela surtou! Ficou decepcionada porque fantasiou uma vaca com asas, descendo entre as nuvens do céu e não percebeu o quanto é sagrado suprir a necessidade do outro. Da mesma forma agem muitos homens e mulheres enclausurados em seus próprios mundos, sem uma autoanálise de suas competências, habilidades, carreira e relacionamentos diante dos desafios do mundo moderno e, quando surge o novo, se fecham. Para alimentar o povo de um país populoso como a Índia, uma vaca viva gera muito mais recursos.

Além do leite e seus derivados servirem de alimento, outros recursos provenientes dela fazem total diferença na economia indiana: ajuda na lavoura, o esterco, depois de seco, além de utilizado em rituais, também vira lenha para cozinhar alimentos, já que o gás é muito caro, a urina espanta as moscas quando colocadas em feridas, entre tantas outras coisas. Isso nos dá uma pista! O que você está extraindo das suas habilidades e competências para manter-se ativo na nova economia? Você é um profissional inovador que o mundo dos negócios pode venerar como único? Uma Viagem Sabática para a Índia tem muito mais a nos ensinar para transformação de vida, carreira ou negócio do que o fato da vaca ser ou sagrada. Pense nisso!

Leila Navarro, palestrante motivacional, autora de 16 livros. É uma das colunistas do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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