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Confiar É Preciso

Coluna 1835

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Provavelmente todas as pessoas já tiveram algum tipo de problema relacionado à confiança. Pode ter sido por uma traição, um dinheiro emprestado, por ter sido fiador, um contrato quebrado, uma palavra dada como um compromisso e não cumprida, uma empresa que definiu seus valores e sua cultura e agiu ou age em desacordo com o que propaga.

Apesar de ter prometido, a mim mesmo, que não mais faria isso, pois tive algum prejuízo, emprestei um dinheiro para um amigo que, sob o meu ponto de vista, jamais deixaria de cumprir o prometido. Ofereceu-me uma garantia de um imóvel, que estava sendo vendido, embora o montante maior estava comprometido em garantia de um empréstimo de banco, mas com saldo suficiente para quitar a dívida. Depois do prazo estabelecido, não pagou, a garantia virou fumaça diante das negociações com o banco e depois de um bom tempo, ainda não recebi a quantia emprestada. Houve muito desgaste, incluindo a nossa amizade, pois em uma época de necessidades, o retorno não veio.

Confiança abalada? Certamente. O pior, muito além da frustração e da quebra de confiança, foi a amizade que ficou arranhada.

Questionei-me muito sobre a confiança, minha tendência em acreditar nas pessoas, no seu caráter, na sua índole, na sua palavra. Tenho, hoje, mais cuidado, uso melhor meu discernimento, mas não perdi nem a fé, nem a confiança nas pessoas. Descobri um pensamento atribuído a La Rochefoucauld, que diz: “A confiança que temos em nos mesmos reflete, em grande parte, a confiança que temos nos outros” E que foi complementado por outro pensamento de Thomas Atkinson: “O mais importante para um homem é crer em si mesmo. Sem essa confiança em seus recursos, em sua inteligência, em sua energia, ninguém alcança o triunfo que aspira”. Carlos Drummond de Andrade arremata esse contexto com seu pensamento: “A confiança é um ato de fé, e esta dispensa raciocínio”.

Aprendi e aprendo a reforçar minhas convicções de que há caminhos possíveis, para que cada um de nós se torne confiável. Basta observar a congruência que há entre o que uma pessoa fala e o que ela pratica. Há quem tenha um belo discurso, fale bonito, estruture bem o seu pensamento, suas palavras são encantadoras, tenha, até, a beleza de um tom poético, mas seus comportamentos e suas ações sinalizam falta de caráter, falsidade, mentira, incoerência. Há muitas pessoas assim, de boa fala, grande simpatia pessoal, sorriso presente, articuladas, mas com intenções escusas, com a de tirar algum proveito ou aplicar algum golpe.

Em uma empresa acontece o mesmo. Há, penduradas nas paredes, placas sobre sua missão, visão, valores, cultura organizacional e também em seu site ou nas ações de marketing e comunicação interna e externa, mas a verdadeira avaliação e credibilidade é gerada pela qualidade dos seus produtos, pela pontualidade na entrega e nos pagamentos, pela maneira de lidar com os seus colaboradores e clientes.

Confiança não se dá, nem se toma emprestada, mas se conquista. Terrível é a vida de quem vive desconfiando de tudo e de todos, tornando sua própria vida um inferno. A confiança está diretamente relacionada a sentir-se bem, ter uma vida transparente, digna, íntegra e tranquila. A confiança se inicia com a autoconfiança, geradora da certeza na vitória, como disse, certa vez o Papa Francisco: “Ninguém pode ir a uma batalha, a menos que esteja plenamente convencido da vitória em antemão. Se começarmos sem confiança, já perdemos metade da batalha e enterramos os nossos talentos. Enquanto dolorosamente conscientes das nossas próprias fraquezas, temos que marchar sem ceder, tendo em mente, o que o Senhor disse a São Paulo: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Algumas orientações relacionadas à confiança:

- Muito cuidado ao empenhar sua palavra. Melhor não se comprometer, do que prometer e não cumprir;

-Seja congruente, ou seja, faça aquilo que fala, nem mais, nem menos;

- Fale a verdade sempre, senão precisará ter uma excelente memória;

- Em uma organização, aprenda a ter o olhar do dono, cuidando como se o negócio fosse seu;

- Acredite na força desse pensamento: “Missão dada, missão cumprida”;

- Se fez um juramento ou uma promessa, não permita que te convençam do contrário. É sua credibilidade em jogo, não a dos palpiteiros de plantão;

- Lembre-se: aquele que não confia em ninguém, não é de confiança. Por outro lado, quem confia, conquista confiança.

- Um bom líder é o que delega, acredita, estimula, motiva, dá autonomia, mesmo entendendo e aceitando que erros possam acontecer;

- Atenção aos detalhes, é neles que mora o perigo. Zele pela sua imagem e a de sua empresa ou na qual trabalha, terá sempre a ganhar com isso;

- Seu cliente voltará a comprar de você , se cumpriu exatamente o que prometeu. Conquistar credibilidade ou confiança é difícil, mas, para perdê-la, basta um segundo;

E, por último: fique feliz quando lhe disserem: eu confio em você. Saboreie isso com prazer, pois a confiança, como o sucesso, não acontece por acaso.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO do Instituto Passadori. é um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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