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Comunicação 4.0 – Como Ser Um Líder Eficaz

Coluna 2780

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Perguntas como “Qual o futuro da comunicação, diante de um cenário cada vez mais tecnológico?” ou “A comunicação será substituída pela Inteligência Artificial?”, são bastante comuns em entrevistas.

Agucei minha percepção sobre o tema, comecei a pesquisar, a ouvir pensadores do futuro, apontando tendências, o que fica, o que sai, o que se modifica, atividades que deixarão de existir, funções que serão criadas ou aperfeiçoadas, uma verdadeira revolução no mundo dos negócios, do trabalho, das carreiras e das formas de emprego ou trabalho daqui para frente. Essas são reflexões, portanto, fruto da minha experiência e estudos em comunicação, em lidar com esse tema e da minha observação das mudanças no mundo dos negócios.

A Indústria 4.0 e a revolução industrial são consequências da transformação digital e, como tal, traz em seu bojo, uma série de mudanças no ambiente organizacional.  Entendo que, apesar da tecnologia facilitar processos, o ser humano ainda será o responsável por alimentar os equipamentos com dados de toda espécie, criar programas, estabelecer resultados desejados, criar soluções, serviços, aperfeiçoar operações, reduzir custos, conseguir maior eficácia nas entregas e adaptar-se a novas e contínuas demandas, cada vez mais complexas.

A transformação digital não vem para ocupar o espaço das pessoas no mundo profissional, mas surge como aliada para que as atividades operacionais sejam substituídas e que as capacidades criativa, estratégica e inovadora do ser humano, possam ser desenvolvidas e aplicadas ao novo cenário 4.0.

Estamos vivendo um mundo que recria oportunidades de uma nova vida e produção e, por isso, precisamos estar conscientes de que os desafios e os resultados são cada vez maiores. Esse desenvolvimento impulsiona novos trabalhos e a formação de líderes com capacidade de transformação e adaptação cada vez maiores, resilientes e com uma nova consciência na relação e condução de equipes e negócios empresariais.

Para tanto, um atributo fundamental do novo líder é a comunicação, aperfeiçoando continuamente a sua forma de se expressar, quer seja verbalmente, por intermédio da tecnologia ou por qualquer ferramenta que venha a ser criada. Serão necessárias, cada vez mais, novas atitudes, o que inclui empatia, capacidade de escuta ativa, assertividade, carisma, confiabilidade, engajamento com equipes, individualmente ou via redes sociais, em entrevistas, falando com a imprensa, reuniões, apresentações em geral e no relacionamento com seus times.

Autenticidade, verdade e falar com o coração são atributos do novo comunicador, que devem estar aliados à curadoria de conteúdo, à construção de mensagens relacionadas ao objetivo que se pretende atingir, clareza, objetividade e colocar sentido no discurso, para conquistar e engajar os públicos. Igualmente importante é gerar relacionamentos colaborativos a partir de mensagens e promoção de experiências relevantes. Tal qual a indústria digital oferece a experiência do usuário, podemos oferecer informações nas mensagens, com significado e humanidade para aprimorar e contribuir com a vida das pessoas e suas necessidades.

O novo mundo requer a comunicação 4.0, que vai muito além de driblar as adversidades e treinar para responder perguntas delicadas e solucionar conflitos, é preciso dialogar para promover o entendimento em ambientes com gerações diversas – os nativos e os imigrantes digitais.

Além de aprendermos e sabermos operar em plataformas digitais, a Comunicação 4.0 exige uma jornada que se inicia na identificação da necessidade do nosso interlocutor, na entrega de mensagens relevantes que possam encantá-lo até que ele seja tocado e aceite, naturalmente, a nossa liderança e atue conosco na solução de novos e constantes problemas que o novo mundo nos impõe.

Para nós, que estaremos lá, e os novos profissionais, é imprescindível desenvolver um novo mindset, sendo fundamental reaprender, conviver, experimentar e agir, considerando as necessidades de cada um, conhecer-se profundamente e trazer à consciência as suas próprias qualidades, suas habilidades e dons para serem aperfeiçoados e alinhados às tendências e necessidades do novo mundo profissional e dos novos personagens, independentemente da sua escolha. Além do autoconhecimento, se faz necessário o conhecimento do outro, praticando um relacionamento comunicacional baseado na comunicação não violenta. Num mundo digital, a comunicação humana e o desenvolvimento de práticas colaborativas e afetivas são fatores de grande importância para o engajamento dos pares, grupos e públicos em geral. 

Para adquirir a capacidade de comunicação 4.0, é preciso mudar e se adaptar a um mundo de propósitos e valores elevados, num cenário V.U.C.A, (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), o qual tem sido chamado de mundo em  “muvuca” , que tem muito mais a ver com confusão, com bagunça e, às vezes, até pode ser decodificado dessa forma, conforme o impacto vertiginoso das mudanças, assustando alguns e deixando outros totalmente fascinados com as oportunidades surgidas nesse contexto e com a nova forma de se relacionar com o mundo.

Outra característica que precisaremos desenvolver é desaprender o que aprendemos para reaprender sob a luz de uma nova perspectiva. Desapegar-se das certezas também é fundamental, mesmo porque ninguém é dono da verdade e enxergamos o mundo com o filtro das nossas limitadas visões, cerceadas por conceitos, preconceitos, crenças, influências externas e internas, tradições, origem, costumes etc. Creio que um tópico imprescindível é estar conectado com as inteligências múltiplas, focado no relacionamento, no contato, destacando-se: lógica matemática, linguística, visual/espacial, musical, corporal, corporal/cinestésica, naturalista, existencial, interpessoal e intrapessoal.

Pode parecer complicada a rápida adaptação às novas necessidades e expectativas dos nossos públicos e organizações para alguns e fascinante para outros. É necessário que nos preparemos para a tecnologia, quem parou, deve voltar a estudar, se especializar na solução de problemas e, acima de tudo, ser mais humano, responsável e comunicativo. Além de ter um comportamento flexível, ético, profissional e diferenciado, aprimorando competências para engajar e nutrir, por meio de mensagens autenticas, inspirando o diálogo para solução de problemas e construção de novas e eficazes alternativas, que beneficiem o interesse da maioria, respeitando o meio ambiente e zelando pela qualidade de vida das pessoas.

Consequentemente, a comunicação ganha, então, uma dimensão ainda mais profunda, considerando mais e mais o lado humano de cada um, sua essência, o direito de ser do jeito que é, exigindo-nos, cada vez mais, flexibilidade, sensibilidade, respeito, empatia e amor ao próximo.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO do Instituto Passadori. é um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação

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