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Como os RHs de PMEs estão lidando com o cenário de Coronavírus?

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Atualmente, são aproximadamente 20 milhões de empreendimentos no Brasil. Desse número, cerca de 13,5 milhões são pequenas empresas, de acordo com a consultoria Empresômetro. Apenas no primeiro semestre de 2019, esse setor foi responsável por criar 52,7 mil postos de trabalho, segundo dados, à época, do Ministério da Economia.

Ainda na linha numérica, o capital humano figurou no topo das prioridades de investimentos futuros entre as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) presentes na 14ª edição da pesquisa “As PMEs que Mais Crescem no Brasil”, realizada pela Deloitte Brasil. Os investimentos em salários, benefícios e treinamento de pessoas foram considerados prioritários para três quartos (75%) das organizações de maior crescimento no ranking.

Esse segmento, com claros anseios e ambições para crescer ainda mais e investir em pessoas, foi tomado – assim como toda a sociedade – pelo cenário de pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e seus desdobramentos na saúde física, mental e, também, financeira.

No “front” das organizações ao trabalhar com pessoas, a área de Recursos Humanos precisa lidar diariamente com diferentes desafios no atual momento. Para o professor Roberto Aylmer, especialista em liderança e gestão estratégica de pessoas e diretor da Aylmer Desenvolvimento Humano, a primeira atitude de um RH no contexto de crise é, parafraseando Nelson Rodrigues, lidar com “a vida como ela é”. “Não vai ajudar uma amenização mentirosa que só ilude e retarda a tomada de decisão. É tempo de nos sentarmos juntos e pensarmos em soluções que façam sentido hoje e amanhã”.

O segundo ponto, na opinião de Aylmer, é entender que o medo mata mais do que a crise. Reduzir as reações frenéticas, manter as pessoas com o senso de combate e compromisso com o coletivo. “No Japão, após o tsunami, havia uma pilha de garrafões de água de 5 litros e cada família só pegava um. Não tinha ninguém controlando. Eles sabiam que se pegassem dois, sua família teria mais conforto, mas outra poderia morrer de sede. É hora de pensar no coletivo”.

Quais têm sido os principais desafios dos RHs de Pequenas e Médias Empresas? Quais suas dores e como eles têm lidado com elas? Perguntamos a alguns deles.

Daiane Peretti, Head de Pessoas do Olist, startup que ajuda varejistas e grandes marcas a venderem mais

“[O principal desafio é] Manter a produtividade e o engajamento das pessoas, mesmo a distância. Nem todas as pessoas possuem o perfil de trabalho remoto e algumas já relatam maior dificuldade. Estamos aqui para apoiar, acolher, prover melhorias e auxiliar os gestores. É desafiador, nós temos a missão de garantir que todos os colaboradores estejam alinhados e integrados ao modelo de trabalho remoto. No Olist, antes da crise, 21% de nossos colaboradores já trabalhavam remotamente. É a primeira vez que a empresa inteira está vivendo essa experiência 100% remota. Nossa missão vai desde garantir que todos  tenham os materiais de trabalho necessários (computadores, fones, mouses, cadeiras, internet etc), informar sobre boas práticas de trabalho remoto e ergonomia, fornecer a vacina da gripe para nossos funcionários, mantê-los informados sobre diretrizes e próximos passos e também dar apoio aos gestores na orientação de seus colaboradores. Intensificamos a comunicação com nossas equipes, temos alguns canais internos que nos apoiam, como Slack, Mumble e Zoom. As reuniões de áreas foram mantidas e passamos a fazer a Town Hall Meeting semanal — esse é um evento ao qual reunimos as pessoas às quintas-feiras para falar sobre metas, objetivos, valores, reconhecer pessoas. Todos participam, sem exceção”.

Tiago Barros, co-fundador da Vitta, empresa de tecnologia em saúde

“Bastante desafiador. Na nossa visão, há três tipos de empresa neste momento: organizações que estão em um lockdown total, com as portas fechadas; as que têm um impacto médio, maioria da população em home office e o impacto ainda não foi tão grande, do ponto de vista econômico; e as empresas, como as de saúde e delivery de comida, que conseguiram aumentar suas vendas e a demanda neste período de pandemia. Então acho que o RH de cada uma dessas companhias diverge um pouco. A Vitta, como uma empresa de tecnologia em saúde, estaria neste terceiro grupo, e como um RH deste grupo, está bastante preocupada com a saúde emocional do time e em ajudar o maior número de pessoas e beneficiários possível. Entre as atitudes revistas, a primeira coisa foi o home office, todo o time hoje está em home office. Do ponto de vista de metas e métricas, ainda não houve uma mudança, a gente tem acompanhado a performance das pessoas de perto, e tentou manter, na medida do possível, os rituais da companhia. Então, de 15 em 15 dias, temos reunião com a empresa inteira, happy hour quinzenal também mantivemos – agora digital, e outros rituais da liderança com seus liderados buscamos manter. A gente não teve um impacto tão grande nas rotinas e rituais, o que acontece é que agora cada vez mais temos que buscar uma comunicação constante com o time, porque está todo mundo remoto. Então acho que a principal atitude é a frequência de contato entre líder e liderado. Entre as estratégias implementadas, a primeira coisa foi a criação de um Comitê de Crise, com sócios e principais lideranças, também intensificamos o fluxo de comunicação e criamos projetos para clientes, ações especificas, por exemplo uma campanha aos nossos membros de benefício Prime Care para que possam ligar para um familiar, amigo por dia, o nome da campanha é “Um coração por dia”, e temos lançado campanhas internas para que as pessoas estejam mais conectadas. O desafio número 1 do RH é conseguir manter as pessoas focadas na entrega de valor aos clientes e, sem dúvida, que essas pessoas estejam com seus corações tranquilos para poder continuar executando um trabalho de excelência. A produtividade do time aumentou neste período e temos conseguido fazer grandes e importantes entregas”.

Kimberly Mesa, Office Manager (responsável por toda a gestão de equipe, RH, folha de pagamento e demais assuntos relacionados à organização interna) da Company Combo, empresa americana que permite que pequenos e médios empreendedores comercializem nos EUA, sem precisar sair de seu país de origem

“O maior desafio, sem dúvida, é se adaptar às mudanças que serão necessárias. Sabemos que haverá algumas coisas e processos que vão mudar e o desafio de nossa parte é nos preparar para essas mudanças, sempre salvaguardando os interesses de nosso time. Sem perder a parte humana, nem a proximidade com os funcionários, sempre lembrando que atrás de uma tela e de um computador há uma pessoa que, como todo mundo, passa pela mesma situação de incerteza. Haverá mudanças? Obviamente, mas nosso objetivo é que essas mudanças beneficiem a todos nós e que recebamos algo muito positivo dessa dificuldade. Para Company Combo, o bem-estar de seus funcionários prevalece e é com este intuito que outras empresas precisam tomar medidas. Aqui, havia sido decidido que a maioria da equipe trabalharia remotamente, a fim de evitar a circulação e acúmulo de pessoas no mesmo local de trabalho. Também tomamos medidas de saúde, segurança e bem-estar para nossa equipe em áreas comuns como cozinha, banheiros, sala de reuniões e recepção. As visitas e o acesso ao público também foram limitados para proteger não só a saúde de nossos funcionários, mas também das pessoas que nos visitam. Graças à estrutura que temos, onde a maioria das daily tasks (tarefas diárias) podem ser feitas online, é mais fácil ter esse tipo de flexibilidade, na qual cada pessoa sabe qual é o seu papel e como desempenhá-lo, criando suas próprias rotinas de trabalho, com o objetivo de ser o mais produtivo possível e garantir operações otimizadas”.

Dinorá Leme, responsável por Recursos Humanos da Mega Signs Comunicação Visual 

“Ser RH neste momento é driblar os obstáculos e encontrar soluções com muita sensatez e equilíbrio emocional. É ter um olhar sempre estratégico, com planos de contingência na ‘manga’ e saber que dentro de uma empresa só existe uma empresa e não ‘outras’. Aqui, nós fizemos uma análise de pessoas que estariam no grupo risco (idade, utilização de transporte público, doenças crônicas etc) e que poderiam realizar atividades em home office, assim o fizemos, e alguns ficaram em casa no período de uma semana (como licença), onde vamos fazer rodízio com funcionários que estão trabalhando e colocando-os de licença também, até planejarmos outra estratégia para semana de 06/04. [Sobre o desafio número um]: Ter cautela nas informações a serem passadas para funcionários, não deixar que eles se sintam ‘abandonados’. Estou tendo muito respaldo da Gerência Industrial e Diretores e a comunicação está excelente, seja em quadros de avisos, no dia a dia, está muito bom”.

 

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