- Início

- Conteúdo

Como Ficam Os Recursos Humanos Quando É A Ia Quem Recruta?

Compartilhe Este Post

A dica foi transmitida geração após geração nas últimas décadas: para se dar bem em um processo seletivo, o indispensável é causar uma boa primeira impressão no recrutador. A receita de sucesso, até então, era se esforçar para ter um excelente currículo e, na entrevista, revelar uma personalidade agradável. Até aí tudo bem. 

Porém, com as velozes mudanças tecnológicas, o uso da inteligência artificial vêm se expandindo no universo dos recursos humanos, e as análises automatizadas de perfis de candidatos estão sendo cada vez mais empregada nos processos seletivos. Para quem está em busca de colocação, entra em cena um novo desafio: como um ser humano poderá impressionar um algoritmo? Já do lado de quem recruta, uma nova interrogação também se revela: dá para confiar em uma seleção de recursos humanos feita a partir de uma inteligência não-humana? 

Até parece ficção científica mas, acredite, não estamos falando do futuro. Empresas como Facebook, IBM e Embraer, entre outras, já incorporaram a inteligência artificial em seus processos de recrutamento no Brasil. No lugar dos tradicionais especialistas em RH, ou ainda auxiliando os mesmos, entram em cena as máquinas. E elas são capazes de analisar informações como amostras de trabalho, posts em mídias sociais e - pasme! - expressões faciais dos candidatos. Polêmica, a prática em ascensão levanta questionamentos sobre privacidade de dados. Ainda assim, o mais provável é que o caminho se prove sem volta nos próximos anos. 

Entre os prós da nova prática está o fato de que, apesar de as técnicas tradicionais de avaliação de personalidade (como o famoso teste Myers–Briggs) serem projetadas para a objetividade, gestores humanos inevitavelmente injetam seus preconceitos pessoais nas seleções. É aí que as novas ferramentas podem contribuir, oferecendo uma possibilidade de averiguação mais isenta. 

Soma-se a isso o fato de que recrutar não é apenas descobrir as melhores pessoas para um posto de trabalho. Talvez o principal desafio seja eliminar as menos adequadas. Levantar sinais de fanatismo, violência ou conteúdo sexual, por exemplo, pode ser impossível a um recrutador humano sem que este perca muito tempo. Já a ferramenta Fama, criada em 2015, usa o processamento em linguagem natural para conduzir buscas sobre um candidato e identificar estes aspectos, levantando de notícias ao histórico público em mídias sociais.

Entre os contras da crescente aplicação de inteligência artificial nas seleções, pesa o fato de que perceber características humanas fundamentais para uma colaboração harmônica no cotidiano do trabalho - como inteligência emocional, empatia e resiliência - ainda segue dependendo quase que exclusivamente do feeling e do know-how dos recrutadores humanos.

Para chegar a um equilíbrio, o ideal mais provável é a combinação dos dois caminhos. Ou seja,  a máquina avalia, mas o ser humano toma a decisão final. Assim, ganha-se o melhor de cada abordagem, reduzindo as contratações equivocadas e garantindo colaboradores cada vez mais alinhados aos perfis de cada empresa. 

Por Tiago Yonamine, publicitário, designer e criador da plataforma de recrutamento TRAMPOS.CO e da escola de comunicação e tecnologia trampos ACADEMY

Gostou desse post? Compartilhe!