- Início

- Conteúdo

Como (E Porque) Ser Você Mesmo

Coluna 1647

Compartilhe Este Post

Você já se perguntou o que faria se não tivesse medo? Medo de se expor, fracassar, de não ser aceito... Esse é o tipo de pergunta que eu tenho até receio de fazer, pois costuma mexer com as pessoas de forma muito profunda. Mas, agora que foi fisgado, vou até o final. Quem nunca tentou esconder seus medos e se esforçou em um nível surreal para ser o melhor possível dentro daquilo que... os outros esperavam?

Pois bem, cheguei à conclusão que a partir do momento que nos tornamos mais conscientes dos nossos próprios desafios e objetivos, agir de forma coerente em relação à nossa essência é uma decisão. O importante é ter clareza que agindo ou não de acordo com aquilo que você acredita, você não vai agradar a todos. Terão altos e baixos e você irá se questionar sobre seu “modus operandi” e os resultados que alcança por meio dele do mesmo jeito. Faz sentido?

No meu caso, assumir minha verdadeira identidade, “sair do armário” e conviver com a “dor e a delícia de ser eu mesma” foi um processo construído com base em três grandes insights que compartilho aqui:

Equilíbrio

Durante muito tempo vivi uma tentativa constante de equilibrar meus diversos papéis, meus dilemas e agradar a todos os stakeholders da minha vida. Até o dia em que descobri que o equilíbrio enlouquece e que simplesmente, não dá para equilibrar. A partir daí, comecei a encarar a vida de uma forma mais leve entendendo que em cada situação um pratinho vai cair e que meus desafios são dois:

  • Não deixar o mesmo pratinho cair sempre
  • Aprender a conviver com isso.

Ser ou ter?

Um dos dilemas que sempre me colocou na berlinda era: ser ou ter? Afinal, todo e qualquer guru de autoajuda vai martelar que o importante mesmo é o ser. Então, para ser politicamente correta, eu concordava. Até o dia que admiti que o ter para mim para era tão importante quanto o ser. Nesse processo, fiz descobertas incríveis como:

  • Ter mais me permite ser mais e ser mais me permite ter mais
  • Ter um “porque” é tão importante quanto ter um “pra quê”.

Intensidade

Depois de me frustrar muitas vezes tentando forjar um estilo, decidi que teria como mantra uma famosa frase da Frida Kahlo reescrita sob a minha perspectiva: “Onde não puderes ser intenso(a), não se demore”.

Atuando como consultora e palestrante, sempre tomei muito cuidado para adotar uma postura que desse mais “liga” com a marca, com o cliente, com a platéia e todas vezes em que infringi meus valores não foi tão bom como poderia ter sido ou foi ruim mesmo. Dai comecei a entender que em primeiro lugar eu sou uma marca e que em segundo, boa parte das pessoas que me “compram” o fazem exatamente pelas características que, por vezes, exigem que eu elimine. Insano, mas real.

Mais uma vez, a maturidade me permitiu um olhar mais crítico sob esse tipo de situação uma tomada de decisão mais segura sobre aquilo que posso ou não abrir mão (Os ganhos têm sido bem maiores que as perdas). Olhando ao meu redor, conversando com pessoas o tempo todo percebo que esse é um tema que vive na pauta, às vezes de forma mais explícita, outras de forma velada.

A alta exposição provocada pelas redes sociais e estimulada por likes, comentários e compartilhamentos, a competitividade do ambiente organizacional que privilegia quem fala o que pensa ao mesmo tempo que valoriza quem concorda com tudo, o desafio de encontrar o “par perfeito” aceitando o que vier ou impondo suas regras logo no início, são algumas situações que geram a necessidade de um posicionamento, não somente diante da situação, mas da vida.

Até porque, posicionar-se de formas diferentes, por vezes antagônicas, em contextos diversos pode até, num primeiro momento, sugerir flexibilidade ou que você é do tipo que “dança conforme a música”, mas isso cansa, provoca confusão em nós mesmos e naqueles que nos cercam.

E pense bem: qual o problema de não gostar de certo tipo de música? De se recusar a dançar algum tipo de música? Ou até de não saber dançar?

Esse tipo de atitude também não deve sugerir a adoção de algo comumente chamado de “síndrome da Gabriela” (eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim).

O ponto aqui é flexibilizar os comportamentos contanto que eles não interfiram em nossos valores. É reconhecer nossos valores e, simplesmente, vive-los. É também, em algum momento, criar a música que se quer dançar ou amar o silêncio. É respirar fundo e aceitar que pessoas vem e vão, que felicidade pode incomodar, que sua opinião não vai ser sempre aceita, mas que, no final das contas, a única pessoa a quem você deve satisfação é a você mesmo.

Alguns trechos do livro “A arte da imperfeição” da Brené Brown reforçam as minhas crenças e o que estou tentando expressar por meio desse artigo:

“Assumir o nosso percurso pode ser duro, mas não é, nem de perto nem de longe, tão difícil como passar nossa vida a fugir disso. (...) Assumirmos a nossa história e amarmo-nos a nós mesmos ao longo desse processo é o ato mais corajoso que algum dia realizaremos”.

Se você quer liberdade, paz de espírito, se tem consciência do impacto das suas atitudes e se está preparado para encarar as consequências de suas decisões então, talvez ,só lhe falte coragem.

As melhores mudanças que promovi em minha vida aconteceram não quando achei que algo estava ruim, porém quando tive certeza de que eu merecia algo melhor. E isso só foi possível quando me reconheci e passei a desejar conviver comigo mesma.

A lição que tiro dessa experiência é: transborde seu melhor, a vida retribui!

Por Carolina Manciola, sócia diretora da Posiciona Educação & Desenvolvimento. É uma das colunistas do RH Pra Você.

Gostou desse post? Compartilhe!