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Como (E Por Que) Promover A Cultura Do Pertencimento Em Sua Empresa

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Hoje, quando se fala em mercado de trabalho, é notável a mudança do perfil dos colaboradores em relação às últimas décadas. Se antes as prioridades eram conduzidas por um bom salário e benefícios, hoje a qualidade de vida se tornou prioridade, assim como planos de carreira. Do mesmo modo, a nova safra dos profissionais procura por um detalhe chave antes de decidir para qual organização prestar os seus serviços: propósito. Gerações como a Y e a Z não buscam somente dinheiro ou status, mas um ambiente de trabalho que promova a integração, o pertencimento e os possibilite crescer ao lado da empresa, tendo papel chave nesse processo.

Para falar sobre essa nova cultura e como implantá-la, Janaína Peroto, head de Talentos Humanos da Foregon, mostra o caminho:

  1. Qual a sua trajetória como executiva de RH?

Tenho mais de 12 anos de experiência na área de RH, com vivência em empresas como Citibank, Grupo Votorantim, Carrefour e Alpargatas. Ao longo da minha trajetória, desenvolvi um trabalho focado no desenvolvimento de pessoas em diferentes segmentos como indústria, varejo, distribuição, fintech e tecnologia. Meu cotidiano engloba pensar em soluções inovadoras, identificar tendências, demandas e promover ações para um ambiente de negócios saudável, construído por profissionais engajados, felizes e satisfeitos.

Na Foregon, por exemplo, lidero a área de Talentos Humanos desde 2018, e coloco em prática ações alinhadas à cultura da empresa, que valoriza a diferença e a individualidade dos talentos, e tem a proximidade entre as pessoas como uma característica marcante. É um trabalho que me permite ter visão geral do cenário e tenho muita satisfação em poder idealizar, executar e acompanhar as ações desde o seu início.  

  1. Qual o perfil da Foregon?

Hoje somos em 45 talentos. Tivemos crescimento de 275% no número de profissionais no último ano e esperamos crescer ainda mais até o fim deste ano. Temos uma política de valorização da diversidade na Foregon e podemos afirmar que conhecemos nossos talentos. Por exemplo, 35% do nosso quadro é composto por mulheres, 60% dos profissionais são jovens e pertencem à geração Y, 10% são homossexuais e 5% se classificam como veganos ou vegetarianos.

Essas informações podem parecer irrelevantes, mas são essenciais para conhecermos nossas pessoas e pensarmos em ações humanizadas que atendam as demandas internas, criem interação, promovam um clima positivo e a sensação de pertencimento em cada indivíduo.  

  1. Aponte os desafio de promover uma gestão humanizada.

Acredito que o principal desafio de se promover uma gestão humanizada está em olhar cada indivíduo e auxiliá-lo a desenvolver seu talento de forma que encontre seu caminho dentro da cultura da empresa. Quando acertamos no desenvolvimento de talentos, considerando o lado humano e as particularidades de cada um, as chances de termos um ambiente organizacional rico e harmonioso, que agregue valor aos negócios, são consideráveis.

Quando falamos em gestão humanizada, conhecer as diferenças e pensar em ações para cada pessoa ou grupo é essencial, especialmente quando a relevância está entre os valores da empresa. Independentemente da quantidade de pessoas, fazer todo mundo se sentir pertencente é fundamental para um ambiente corporativo com uma cultura organizacional diferenciada. Quando cito que 5% dos nossos talentos se consideram veganos, pode parecer um dado de pouca importância, mas devemos considerar que em tempos de comunicação facilitada, todos têm voz ativa e poder de influência. Nos nossos eventos, por exemplo, pensamos em um cardápio que atenda a todos.

  1. Qual o caminho que você encontrou para aplicar uma gestão de pessoas mais efetiva?

Em primeiro lugar, penso que para a criação de um ambiente profissional saudável é preciso motivar os talentos. Na Foregon, por exemplo, batizamos a área responsável pela gestão de pessoas de ‘Talentos Humanos’. Isso porque o profissional não deve ser visto como um mero “recurso”. E para conhecer os nossos profissionais, entendi que nada melhor do que investigar quem eles são quando chegam à empresa, que é um período de motivação pelo início de um novo ciclo profissional. Por isso, temos uma pesquisa de talentos no On Boarding com perguntas descontraídas e em uma linguagem leve sobre seus gostos, como estilo, preferências gastronômicas e musicais, características pessoais e familiares, sexualidade. Queremos que as pessoas se sintam à vontade para nos mostrar como são e no que acreditam.

Isso é importante para pensarmos em ações que contemplem cada indivíduo. Temos que ouvir todo mundo para evoluir. Além disso, temos um ambiente em estrutura aberta que estimula trocas de experiências e traz leveza ao cotidiano. Entendo que para uma gestão de pessoas humanizada, é preciso compreender o cenário, as mudanças internas, e buscar alternativas democráticas que sejam valorizadas por todos. É preciso ter um olhar empático e, por meio de ações simples, que exigem um acompanhamento, contemplar a todos. 

  1. Quais os principais programas implementados na empresa? 

Nosso principal programa na linha da gestão humanizada, que reflete a cultura organizacional da Foregon, é o Talents Bag, uma cesta de benefícios coletivos construída a partir das demandas dos talentos ou das necessidades que a área de Talentos Humanos identifica.

É um programa muito eficaz para a criação de um clima engajador, que contempla desde ações simples como day off de aniversário e ginástica laboral, à liberdade de vestimenta, até iniciativas de viés social, como uma recompensa surpresa para um grupo de talentos que realizou doação de sangue. É preciso perceber os movimentos internos, os gostos e preferências e desenhar ações simples que de fato façam a diferença.

Outra iniciativa que oferecemos é o Foregon Capacita, programa de desenvolvimento interno em que os talentos têm autonomia para propor cursos que queiram ministrar. Com isso, fortalecemos os pontos fortes de cada profissional e fazemos com que se sintam empoderados em transmitir conhecimento. Quando os talentos veem o quanto agregam de valor aos colegas e à cultura da empresa, é inevitável a sensação do orgulho de pertencer a ela, algo que contagia a organização de forma positiva. 

  1. Existem receios no decorrer dessa jornada?

Desenvolver talentos não é um trabalho fácil, mas quando isso é feito de forma correta e significativa, se transforma em um caminho sem volta. Vejo muitos ganhos nisso, especialmente para a cultura da empresa. Porém, conforme a empresa cresce, vemos as necessidades individuais divergirem. É difícil agradar a todos e contemplá-los em todas as ações ou projetos desejados. Às vezes ocorrem demandas que não são possíveis de se atender em curto prazo ou sugestões de ações que não estão alinhadas ao propósito imediato da companhia. Esse é o nosso principal desafio. Como a cultura da Foregon é de criar espaço para que as pessoas sejam livres para trocar ideias, devemos estar atentos a até que ponto a limitação de atender a todos não prejudica nosso modelo cultural forte.

  1. Qual a sua avaliação de todo esse processo? E quais seus conselhos aos RHs que passam por desafios semelhantes?

Vejo o processo de organização da gestão de talentos como algo essencial para a criação de uma cultura alinhada ao propósito das empresas. Afinal, elas são feitas por seres humanos. É importante considerar que não há uma receita ou um único caminho para se fazer um bom trabalho. Meu conselho para os gestores de Recursos Humanos que buscam estruturar uma cultura forte é investir na diversidade. Pessoas são complexas e têm talentos diferentes. Quando identificamos potenciais e conferimos bases ao seu desenvolvimento, temos algo valioso para a construção de uma cultura colaborativa e aberta ao novo, qualidades tão necessárias no mundo em que vivemos.

No caso da Foregon, a humanização é inerente à cultura da empresa e temos apoio do CEO em relação aos processos e valores. O desafio da área de Talentos Humanos é identificar o DNA, propósito e valores da empresa e tê-los como base para a concretização de ações. Independentemente da quantidade de profissionais, é preciso entender e mapear os aspectos mais valorizados, canalizar esforços em ações desejadas pelo público-alvo, que façam sentido para o modelo estratégico de gestão de pessoas. A prova de que estamos no caminho certo é receber o feedback dos nossos talentos e estarmos no ranking das 100 melhores empresas para se trabalhar. Somos certificados Great Place To Work.

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