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Como a inovação e colaboração está fazendo o RH repensar o seu papel?

Coluna 502

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A economia há muito tempo deixou de ser local, e hoje tudo que construímos tem a oportunidade de atuar em escala global, principalmente pelo exponencial avanço da tecnologia, que nos faz conviver com um mundo onde a colaboração alavanca incrivelmente a melhoria das condições da sociedade e dos resultados dos negócios.

Diante deste contexto, esta coluna tem como objetivo fazer algumas provocações e reflexões em cima de três tópicos:

  • SOCIAL - Qual o real papel das organizações na sociedade atual?
  • ECONÔMICO - Como as pessoas estão transformando os modelos de negócios, e vice-versa?
  • TECNOLÓGICO - Como as novas tecnologias, e os novos modelos de negócios têm impactado e impactarão a carreira dos profissionais e no papel organizacional da área de RH?

Há alguns anos entendi que para um profissional de RH vencer os desafios colocados pelos diferentes contextos de negócios, ele deveria se aprofundar em estudos voltados a “change management” e gestão de culturas organizacionais. Em virtude disso, em 2012 fui para INSEAD (Campus França), num maravilhoso programa desenvolvido em parceria com a renomada Fundação Dom Cabral, que me ajudou a emergir neste universo.

Passei um ano incomodado, após concluir o programa, pois sentia que algo estava faltando ainda no meu app de profissional de RH. Foi como um estalo que descobri a resposta: o que faltava era mergulhar e experimentar o novo mundo que estava se consolidando na frente dos meus olhos, representado pelo universo da INOVAÇÃO, do EMPREENDEDORISMO ... e que iria fazer o RH e seus profissionais passarem por um processo de “Uberização”.

Por mais que este mundo fizesse parte do meu dia a dia, usava UBER, conhecia o AIRBNB, era cliente do NETFLIX, mas de fato eu não havia aberto o meu “mindset” para um mergulho sem volta no Vale do Silício, na China em Israel ... no novo mundo.

Foi neste momento que comecei a estudar, ler, participar de programas, eventos, grupos e principalmente criar uma rede com especialistas em inovação dentro e fora do Brasil.

Quando mudarmos o nosso “mindset” e vivenciamos o mundo da Inovação e Empreendedorismo, começamos a entender porque pequenas empresas de “garagem” engolem tradicionais corporações e criam oportunidades de transformação da sociedade.

Quando falamos atualmente de Cultura Organizacional, muitas vezes nos remetemos aos choques de gerações, e é comum darmos destaque nas novas gerações que possuem como guia de escolha na vida as suas causas, as suas crenças, os seus valores, e por isso muitos jovens vão escolher, primeiro se entram e depois se ficam, nas organizações cujo propósito estiver alinhamento com os seus.

Já nas empresas de “garagem” (startups), o propósito surge, pois elas colocam o ser humano / cliente / consumidor no centro da discussão e da definição da problemática ou da necessidade que elas vão solucionar, e que justifica a sua criação e o investimento de grandes fundos de riscos e capital. Com isso, estas novas empresas nascem de fato com clareza de propósito e focadas no atendimento de um problema social detectado, que por meio do efeito multidão impulsionado pela tecnologia, a mesma em pouco tempo consegue a escala e impacto global. Não é fantástico?

Diante deste contexto, é importante descobrirmos como as pessoas estão transformando os modelos de negócios e se transformando, e com base neste horizonte, trarei algumas reflexões.

Quando analisamos grande parte dos modelos de negócios atuais vemos modelos sedentários, os mesmos são pautados em plataformas antigas, porém vitoriosas, mas que não solucionam mais as problemáticas vigentes e as necessidades latentes da sociedade, dos consumidores, dos seres humanos e das próprias organizações.

Quem dita um mercado, não são as empresas, são os consumidores, por isso quando uma solução é aceita pela sociedade, não há como voltar atrás.

Veja que instigantes algumas perguntas que farei abaixo sobre o WhatsApp, que há algum tempo gera grande incômodo nas gigantescas e históricas empresas de telecom.

  • Como ele conseguiu crescer tão rápido, sem ter o seu lançamento formal, sem ter equipes de vendas e estrutura de lojas?
  • Porque o WhatsApp não foi desenvolvido por uma das grandes empresas do setor de Telecom?
  • Como uma empresa jovem com esta, com pouco mais de 30 funcionários, foi comprada por bilhões de dólares?

A resposta simples que descobri para estas perguntas, foi porque as grandes inovações não parecem fazer muito sentido no início, além disso, o conceito de concorrência tem mudado bastante e rápido, por exemplo, qual o impacto dos modelos colaborativos e inovadores de transporte e hotelaria, nos negócios de estacionamento, venda de veículos, turismos, seguro de carro? Os impactos destes novos modelos de negócios não ficaram apenas restritos aos taxistas e a rede hoteleira, ele impactou outros segmentos também.

Abaixo apresento inovações em curso, para que possamos refletir sobre suas consequências nos antigos modelos de negócios, nos resultados dos atuais modelos de negócios, como as mesmas transformam a vida das pessoas e o papel de RH (estes pontos foram retirados do livro Incansáveis):

  1. Adiamento da morte (maior longevidade do ser humano);
  2. Carros elétricos;
  3. Carros sem motoristas;
  4. Drones para transportar humanos;
  5. Impressoras (imprimindo casas, pontes, órgãos humanos etc.);
  6. Mapeamento Genético;
  7. Democratização da energia (energia livre e de graça a todos);
  8. Internet Global;
  9. Inteligência Artificial e Robótica;
  10. Dinheiro do Futuro.

E por fim vou promover reflexões sobre como as novas tecnologias, e os novos modelos de negócios têm impactado e impactarão a carreira dos profissionais e no papel organizacional da área de RH?

Dentre os principais fatores que estão impulsionando os novos modelos de negócios, destaco:

  • Rebeldia (querer e acreditar que se pode mudar o mundo);
  • Ambiente colaborativo e de troca para a construção do novo;
  • Conhecimento (suporte de grandes centros de pesquisa e educação);
  • Capital (investidores e dinheiro querendo estimular novos negócios).

Somada aos fatores acima destacados, é notório que os novos modelos de negócios crescem alicerçados em novas metodologias de trabalho, que colocam o SER HUMANO no centro da mesa, como:

  • Design como ferramenta de gestão
  • Programação data Science - Inteligência Artificial / Machine Learning
  • Marketing Digital - Inbond
  • Métodos ágeis - Lean
  • Novas tecnologias - VR - 3D Printing

Neste mundo de inovação, colaboração e empreendedorismo, novos conhecimentos surgem e outros desaparecem, por isso aprender a aprender passa a ser uma das mais importantes competências dos profissionais e criar ambientes para que ela se desenvolva e sobreviva passa a ser prioridade da área de Recursos Humanos. Neste novo mundo, teremos que aprender a desaprender também, pois o que funcionou nos últimos 50 anos, não funcionará mais nos próximos 10 anos.

Alguns estudos citam que 50% dos empregos nos próximos anos não precisarão de diplomas, teremos com isso que ressignificar os atuais conceitos de aprendizagem organizacional que:

... passam a ser on demand (em tempo real).

... que criam novas skills, e a qualquer tempo (o conhecimento poderá caducar a cada 12 a 18 meses – Quanto tempo o tempo tem?).

.... altera a própria dinâmica de carreira, que tinha como base a antiga plataforma de plano de carreira, que poderá deixar de existir.

Com esta Uberização dos novos modelos de negócios, entendo que dentre vários pontos destacados nesta coluna, que mudam a vida das pessoas e empresas, a área de RH deverá atuar principalmente em cinco grandes pilares:

  1. Recrutamento baseado em cognição
  2. Performance / Produtividade
  3. Desenvolvimento de capacidades e ambientes para inovação
  4. Gestão da Cultura
  5. Employee Experience

Quais os caminhos você escolher percorrer a partir destes novos modelos?

Gustavo Mançanares Leme, executivo de RH com experiências em processos de transformações culturais e turn around de negócios. É um dos colunistas do Rh Pra Você. Foto: Divulgação. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.