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Carisma – Do sonho à realidade

Coluna 3362

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No dia de ontem, a caminho de uma reunião, ouvindo o noticiário no carro, surge uma notícia triste. O locutor caprichou na voz e disse em tom de manchete e voz embargada, a notícia sobre a tragédia ocorrida com um acidente de helicóptero no rodoanel, em São Paulo, perto do horário do almoço, informando a morte de Ricardo Boechat e o piloto da aeronave. Fiquei impactado, principalmente, porque, quase que diariamente, ouvia e via, nos noticiários da TV Bandeirantes, os comentários firmes, ora criticando, ora elogiando, ora reivindicando, desse jornalista tão popular e querido.

Durante todo o dia, e também à noite, todos os noticiários, incansavelmente, falaram do Boechat, das suas virtudes, do seu profissionalismo, mostrando cenas do acidente, com o helicóptero em chamas, e apresentando uma jovem corajosa que, enfrentando as determinações policiais, insistiu e conseguiu tirar o motorista do caminhão, no qual o helicóptero bateu ao tentar fazer um pouso de emergência. Mostraram, ainda, a sua residência, onde várias pessoas entravam e saíam, dando um apoio e levando um abraço aos seus familiares.

Surgiram muitas manifestações, desde diretores da TV Bandeirantes, do Presidente, do Vice-Presidente da república, jornalistas, governadores, políticos, artistas, colegas de profissão, amigos e, também, de pessoas pouco conhecidas, mas que, de algum modo, tinham algum vínculo ou amizade com esse jornalista. Aproveito para expressar minha condolência à sua família, sua esposa e seus filhos, em especial, principalmente, por ter por ele admiração. Eu gostava de suas provocações, de seus comentários e opiniões.

Isso tudo me levou a pensar um pouco mais sobre o motivo pelo qual uma pessoa torna-se famosa e tão querida, a ponto de gerar uma comoção nacional, movimentando a mídia e tantas pessoas em torno de sua morte. Há inúmeras pessoas, também com grande cultura, experientes, boas comunicadoras, atuando nessa ou em outras profissões, mas nunca terão ou atrairão tanta atenção ou admiração.

Qual a resposta a essa indagação?

Tenho estudado sobre esse assunto, de personalidades, de pessoas que conseguem encantar e impressionar as outras pessoas, desde ouvintes, plateias, auditórios, telespectadores, alunos e participantes de reuniões que disputam e ficam atentos para não perder nada do que essas pessoas falam. O dom em comum que essas pessoas têm, é o carisma.

Carisma é tido como o conjunto de habilidades ou poder de encantar e de seduzir, despertando, de imediato, a aprovação, admiração e simpatia dos ouvintes.

Levando em conta a nossa capacidade de ensinar e aprender, a questão mais importante é o como. Como posso desenvolver recursos para estimular o carisma?

Selecionei alguns comportamentos propiciadores dessa arte de encantar, os geradores de carisma:

Propósito – Uma pessoa alinhada com a sua missão existencial, ou seja, o seu propósito, tende a ser congruente, agindo em conformidade com aquilo que fala. A consistência surge na convicção daquilo que fala e mostra às pessoas. Não há mentira, há paixão e comprometimento.

Eloquência – De nada serve apenas a pessoa sentir, se não sabe se comunicar adequadamente, dar vida à fala ou, então, expressar as emoções. Por isso, saber falar com a alma e com o coração, usando os recursos de voz, gestos e interpretação, alinhados ao contexto e ao público alvo, é imprescindível para manter acesa a chama da atenção e o interesse das pessoas.

Contação de histórias – Uma das formas mais envolventes de cativar e impactar, positivamente, é a contação de histórias, atualmente, batizada de Storytelling, meio pelo qual se cria imagens e leva as pessoas a um esclarecimento maior de ideias, fortalecimento de argumentos, facilitação do entendimento e impacto na emoção dos presentes.

Entusiasmo e bom humor – Nada como ouvir uma pessoa que irradia uma energia positiva, com vitalidade, vigor, um sorriso presente e envolvente, agradando com a simpatia, sabendo instigar pela forma, além do rico conteúdo.

Conteúdo e consistência – De nada adianta uma forma atraente e agradável, se o conteúdo é pobre, se falta repertório, se não há organização e nem coerência. O conteúdo reflete toda a parte intelectual, planejamento e preparo do apresentador, considerando dados, informações, estatísticas, recursos audiovisuais e todo o conjunto de recursos para envolver a audiência.

Humildade – Nada mais desagradável do que ouvir uma pessoa prepotente, arrogante, antipática, enaltecendo suas qualidades, vangloriando-se dos seus feitos, mostrando-se com ar de superioridade. Diferente daquele que sabe reconhecer o valor das outras pessoas, que as respeita, as ouve com atenção, que olha nos olhos quando fala com elas e está aberto a aceitar o outro como ele é e não como gostaria que fosse.

Presença – Estar em estado de presença é estar conectado com o ambiente, com cada detalhe, com as pessoas, com a impressão que causa, com uma postura firme, decidida, atento aos seus pensamentos, às suas emoções e com o seu próprio corpo. Atenção e foco é a palavra mágica para designar o sentido de presença.

Ousadia – Ousadia e coragem são fundamentais para dizer o que tem que ser dito. Ela suscita a proatividade e a assertividade. Ser corajoso não significa ser agressivo ou mal educado, mas, simples e direto, falando com determinação e naturalidade, qualquer tipo de assunto, mesmo os mais delicados.

Imagem e boa impressão – Se quiser causar boa impressão, cuide para isso acontecer. Isso inclui a difícil arte da empatia, que é a capacidade de aguçar a sensibilidade para entender o outro, ou seja, seu momento psicológico, seu temperamento e porque age de determinada forma. A aparência deve ser bem cuidada, com zelo à higiene, criando um ambiente favorável e um impacto positivo desde o início.

Obviamente, há inúmeros outros detalhes que merecem atenção, tais como a objetividade, controle do tempo, evitar palavras em outros idiomas ou termos técnicos quando as pessoas não entendem, ajustar o volume e a velocidade da fala, caprichando na dicção.

Assim, com esses recursos, não há como não agradar uma plateia ou um público nas mais diversas situações do dia a dia de um profissional, tais como palestras, aulas, entrevistas, reuniões, liderança, apresentações de programas de TV ou participação em programas de rádio. Deixo uma pergunta para sua reflexão: Você tem investido em seu carisma? Há algo por fazer?

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO do Instituto Passadori. é um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação