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Brigas Familiares Impedem Que Mais De 10% Das Pequenas E Médias Empresas Cheguem À 4ª Geração     

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Por melhor que sejam trabalhados e elaborados os acordos entre sócios, brigas entre as partes podem acontecer. As contendas aparecem por acordos falhos, mal entendidos sobre questões empresariais, sucessórias e societárias.

O palco das grandes disputas, nas grandes corporações, acontece nos Conselhos de Administração e, ao se tornar pública, a briga traz problemas para a empresa e seus sócios através da desvalorização vertiginosa das ações negociadas na Bolsa.  

São conhecidos os casos da Usiminas, no qual houve uma divergência entre os sócios Ternium, grupo ítalo-argentino e a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, e o do Pão de Açúcar versus a francesa Casino. Este conflito custou em honorários e outros serviços cerca de R$ 500 milhões aos cofres dos associados.  Outro caso a ser recordado é o da família Gradin e da família Odebrecht brigando sobre questões de direitos de compra de ações.

Evitar desentendimentos é crucial para que sócios e empresas não sejam prejudicados. Isto é válido tanto para as grandes corporações como para as milhares de médias e pequenas empresas, sobretudo as familiares.

Nestas últimas, as brigas são tantas que menos de 10% delas chegam à quarta geração.  Podemos elencar como estopim dos conflitos a briga pela sucessão da gestão da empresa, a disputa para saber quem será o próximo CEO.

Outro motivo que leva a problemas surge quando parceiros querem se retirar da sociedade e vender a sua participação. Quanto vale as ações e a quem podem ser vendidas?  Outra questão são os atos ilegais dos gestores ou administradores, que igualmente levam a problemas. Talvez o melhor exemplo que temos são os casos da Odebrecht e JBS envolvidos na operação Lava Jato. Mas milhares de situações semelhantes ocorrem em muitas empresas familiares, levando seus sócios e gestores ao banco dos réus, o que pode destruir seus patrimônios e, sem exageros, suas vidas.

Temos também casos de conflitos de agenda, nos quais os próprios sócios exercem atividades ou são parceiros de negócios que concorrem com a própria empresa familiar. Muitos podem ficar espantados com isso, mas é mais comum do que se pensa. Divergências em relação à estratégia empresarial igualmente podem levar ao desentendimento entre os associados.

Em resumo, motivos não faltam para o surgimento de brigas. E há formas de evitar que isso aconteça? Podemos considerar, por exemplo, o desenvolvimento de Protocolos Familiares. Neles as famílias empresárias farão constar determinadas regras para assuntos importantes como: remuneração de familiares; critérios de ingresso de futuros herdeiros na empresa da família; critérios de distribuição de lucros; resolução de conflitos; etc. Estes protocolos podem ser elaborados preferencialmente e conjuntamente pelos membros da família com apoio de um consultor externo.  A criação de Conselhos de Família e Conselhos Consultivos também seria uma forma de envolver os familiares envolvidos no negócio e os futuros herdeiros nas questões patrimoniais, criando ambiente empresarial mais saudável.

Em caso de litígio mais sério, sempre se deve tentar chegar a um final feliz por meio da mediação. Em uma mediação bem conduzida por um profissional aceito por todas as partes não teríamos um vencedor ou um perdedor. A tendência é que os envolvidos saiam satisfeitos do embate.

Por fim, resta a ida a uma Câmara de Arbitragem ou a um Tribunal para a resolução do conflito por pessoas que, na maioria das vezes, entendem pouco ou nada sobre a dinâmica empresarial e da família. Infelizmente, neste caso sempre teremos após a promulgação da sentença um ganhador e um perdedor. Esta alternativa deve ser evitada a todo custo, pois pode trazer importantes sequelas para a condução dos negócios e para os membros da família empresária.

O mais importante é fortalecer o bom senso e a maturidade. No final das contas, as empresas e negócios são conduzidos por seres humanos que têm a habilidade de se comunicar e se entender sobre divergências.  

Por Thomas Lanz, fundador da Thomas Lanz Consultores Associados, empresa especializada em governança corporativa e gestão de empresas médias e grandes no Brasil.

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