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Brasil é o maior adepto da redução salarial na América Latina

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Nenhum país da América Latina é tão propenso à redução salarial e de jornada de trabalho quanto o Brasil. É o que diz o levantamento ‘Aprendizados e Tendências do Covid-19 na América Latina’, estudo inédito conduzido pela PageGroup, consultoria especializada em recrutamento executivo.

Segundo a pesquisa, o Brasil, nas medidas de combate ao coronavírus, é quem tem a maior predisposição para reduzir salários (11,8%), diminuir a jornada de trabalho (7,8%) e na adesão de trabalho em meio período (5,9%). Na visão de Patrick Holland, diretor executivo do PageGroup para América Latina, África e Oriente Médio, os dados mostram que a MP 936/2020, criada pelo governo como recurso para auxiliar na manutenção de empresas e empregos durante a crise, foi determinante para que gestores brasileiros fizessem de práticas como redução de jornada e salário ações cada vez mais estabelecidas.

“Como há um respaldo jurídico para a adoção dessas medidas, os empresários encontraram o suporte necessário para manterem suas operações ativas durante a pandemia. Como a maior parte das empresas foi afetada por interrupções de atividades e paralisações na linha de produção, tiveram de amargar quedas bruscas no faturamento. Com essa nova realidade, viram-se obrigadas a reduzir o salário e jornada de trabalho para mitigar esses impactos e manter os empregos ativos”.

Para manter empregos, reduções são necessárias

Na visão dos executivos respondentes, não há como manter empregos durante a pandemia se não existir uma redução nos custos da empresa. A opinião é compartilhada pela maioria dos entrevistados (52,7%). Entre outras medidas que podem contribuir para que o emprego seja protegido, estão:

  • Auxílio financeiro da empresa (26,2%);
  • Redução salarial (7,1%);
  • Diminuição da jornada de trabalho (4,2%)
  • Redução de benefícios e licenças não-remuneradas (3,8% para cada uma das opções);
  • Trabalho em meio período (2,1%).

Enquanto o gestor brasileiro é o mais adepto das reduções de salário, jornada e meio período, os executivos chilenos são os que mais apoiam as reduções de custos gerais (55,6%) e as reduções de benefícios (3,8%). Os argentinos são os que mais simpatizam com o auxílio financeiro das empresas (36,9%) e o México é o país latino que mais defende a adoção de licenças não-remuneradas (3,8%).

Quando questionados sobre uma possível redução significativa na folha de pagamento, os executivos brasileiros foram os únicos a obterem maioria favorável na região, com 50,9% de intenções de colocar o plano em prática. Nos demais países a opção foi rechaçada, em sua maioria, por argentinos (76,2%), colombianos (74,7%), mexicanos (65%), chilenos (61,5%) e peruanos (60,8%).

Peru e Brasil têm menores índices de adesão ao home office

O estudo revela como está o índice de adesão ao trabalho remoto. Os resultados apontam Peru e Brasil com menos adeptos a essa modalidade laboral. Os dois países obtiveram menores percentuais daqueles que somam mais de 80% atuando remotamente, com Peru (37%) e Brasil (40,5%). Em contrapartida, a Colômbia, com 58%, e a Argentina, com 54,6%, obtiveram maior êxito dos que representam mais de 80% trabalhando em casa.

Em outro indicador, que traz aqueles que representam menos de 20% atuando remotamente, o Brasil também não apresenta bons números. Enquanto a média da região para essa questão ficou em 16,5%, o percentual brasileiro foi de 19%, ficando abaixo apenas do Peru (22,6%) e Chile (20,4%).

Este item ganha mais relevância quando são avaliados os resultados da atual política de trabalho das empresas. A atuação remota tem a menor representatividade da amostra no Brasil (90,5%) quando comparado aos vizinhos Argentina (98,6%), Chile (98,4%), Colômbia (97,5%), Peru (96,2%) e México (95,6%).

Outro dado que chama atenção se refere ao trabalho no escritório durante a pandemia. Mais uma vez o Brasil aparece à frente nesse quesito, com 45,7%. É acompanhado, mais à distância, pelo Chile (26,3%), México (24,5%), Colômbia (18%), Argentina (15,7%) e Peru (15,4%).

Medidas governamentais orientam ações de combate à covid-19

Os executivos consultados no levantamento indicaram que os governos dos países onde atuam implementaram leis que trouxeram impacto na gestão das companhias.

Os resultados dessas medidas foram mais sentidos no orçamento da empresa (44,5%), produtividade (36,7%), demissões (35,8%), desenvolvimento comercial (32,9%), pagamento de encargos sociais (29,8%), contratações (19,5%) e compra de novos equipamentos e infraestrutura (8,7%).

Pós-pandemia e seus novos desafios

A pesquisa do PageGroup procurou saber quais sãos os principais desafios das empresas da região para incorporar novos talentos. O Brasil aparece à frente nos itens: dificuldade de encontrar profissionais com perfis específicos (32,1%), a área de RH não encontra o perfil (13,2%), escassez de talentos no mercado (28,3%), candidato está em quarentena ou isolado (19,8%) e não dispõe de meios para fazer remotamente (13,2%). Os argentinos saltam na liderança com: maior dificuldade é que a companhia está em quarentena (84,3%). No caso do Chile, ficam na dianteira da região: não conta com uma área de recrutamento (15,5%), não tem processo de integração remoto (26,2%) e não conta com canais de recrutamento (5,3%).

O levantamento aponta que a maior parte das empresas decidiu congelar contratações durante a pandemia. Contratações de cargos estratégicos foram verificadas com mais intensidade no Brasil (25,5%) e Colômbia (22,1%). Foram detectadas aumento na contratação de trabalhadores temporários no Brasil (3,8%) e México (2%). A falta de orçamento para novas contratações foi mais sentida no Peru (5,5%) e México (3,8%).

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