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Autoconhecimento Para Dirigentes Empresariais E A Boa Governança Corporativa

Coluna

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Tenho a honra de fazer parte do Comitê de Pessoas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Lá, temos discutido com um grupo muito seleto de profissionais como a Gestão de Pessoas influencia na boa governança de modernas empresas no Brasil.

A julgar pela quantidade de normas editadas de compliance, decretos normativos pelos órgãos governamentais, regras de contabilidade e controles, pela divulgação, até de certa forma, extenuante, pela mídia, diariamente, de tantos casos de corrupção, desvios éticos, práticas escandalosas de benefícios a empresas nacionais, como a JBS, para citar uma das mais recentes, dentre outros absurdos que fazem parte da Operação Lava Jato, amplamente de domínio público, poderíamos indagar, o que deu errado?

Tenho defendido a ideia da necessidade do autoconhecimento para dirigentes empresariais, visando a saúde psicológica da organização e, portanto, da sua sustentabilidade, segundo os pressupostos do triple bottom line, que considera as seguintes dimensões: Pessoas, Planeta e Lucro.

Esse meu ponto de vista encontra amparo em modernas publicações que tratam sobre boas práticas de governança corporativa que trazem luz à questão ao ponderar que quem falham não são as empresas, mas, sim, os indivíduos que delas fazem parte.

O consagrado pesquisador americano Jim Collins, autor da famosa obra Como as gigantes caem, explica que o declínio das grandes empresas apresenta cinco estágios, a saber: o excesso de confiança proveniente do sucesso, a busca indisciplinada por mais, a negação de riscos e perigos, a luta desesperada pela salvação e a entrega resignada à irrelevância.

Segundo mencionado por Joaquim Rubens Fontes Filho, na recente obra Governança Corporativa e Integridade Empresarial – Dilemas e Desafios organizada pelo IBGC,  “o declínio da confiança pública nas corporações hoje ameaça a legitimidade da atividade global". Para o autor, é fundamental considerar a natureza humana dos dirigentes empresariais, "materializada nos vieses de suas decisões", dentre outros aspectos comportamentais.

É chegada a hora de se incorporar nas agendas dos Conselhos de Administração das empresas brasileiras, pondero, discussões sobre o autoconhecimento, a formação do ego dos indivíduos e suas implicações nas relações humanas e, sobretudo, no processo decisório.

Um dos poderosos instrumentos de autoconhecimento que tenho estudado e utilizado, em minha jornada de transformação pessoal, é o Eneagrama. O Enegrama nos convida a desvendar o mistério da nossa verdadeira identidade. Ele se destina a iniciar um processo de questionamento, que pode levar-nos a uma verdade mais profunda sobre nós e sobre nosso lugar no mundo. O objetivo maior da metodologia é nos ajudar a interromper as reações automáticas da nossa personalidade, comandadas pelo ego, por meio da conscientização. Via de regra, nossa personalidade se vale de nossa capacidade inata de erguer defesas e compensações para o que nos magoou na infância.

Autoconhecimento realça que somos humanos. A meu ver, é paradoxal. Um certo esgotamento do homo economicus diante da complexidade da sociedade moderna, cada vez mais a clamar pela inclusão e pelo respeito à vida, apesar dos incríveis avanços proporcionados pela tecnologia.

Por Américo Figueiredo, docente no programa de pós-graduação do Insper e mentor de carreiras. É um dos colunistas do RH Pra Você.

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