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Autobiografia de um novo líder e a sua Expressão Corporal

Coluna 131

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Dando continuidade aos artigos anteriores, nessa série “Autobiografia de um novo líder”, comece analisando se já havia percebido ou não a importância da comunicação não verbal na sua vida.

Há um livro chamado “O Corpo Fala – A linguagem silenciosa da Comunicação”, no qual o autor Pierre Weil mostra que o tempo todo nosso corpo está comunicando alguma coisa sobre o que pensamos ou sentimos: nossa disposição, emoções, aparência, cuidados com o corpo, postura, além de gestos complementares ao conteúdo e contexto da fala. Por isso, este estudo pode ajudar você a entender melhor esta vertente da comunicação que, de acordo com o psicólogo norte-americano Albert Mehrabian, publicado no seu livro "Silent Messages", representa mais de 50% do que comunicamos.

Para iniciar, vamos propor que, a exemplo de artigos anteriores, você reescreva uma nova perspectiva, incluindo comportamentos e atitudes relacionadas à sua comunicação corporal. Vamos fazer algumas perguntas, fazer algumas provocações com o objetivo de estimulá-lo(a) a escrever um novo capítulo da sua história, levando em conta que não podemos mudar o nosso passado, mas construir, daqui para a frente, um futuro melhor.

Só para aquecimento, uma primeira pergunta: Você concorda que memorizamos mais aquilo que vemos do que aquilo que ouvimos?

Analisando a sua própria comunicação corporal, quais são, no seu entendimento, os pontos mais relevantes? Você acha que mantém até hoje gestos e hábitos trazidos da infância e adolescência? Considera que podem  atrapalhar a  sua    imagem profissional ou não? Por quê?

Faça uma lista dos seus gestos mais comuns, incluindo pequenos hábitos como coçar a ponta do nariz, mexer as sobrancelhas, balançar na cadeira enquanto fala ou trabalha, andar olhando para o chão, ficar com as mão nos bolsos enquanto fala diante de um público etc.

Você observa se gesticula mais em determinadas situações? Em quais, por exemplo? Por quê?

Na sua opinião, seus gestos e movimentos estão condizentes com a posição que ocupa hoje? Se não, o que considera necessário mudar?

Em relação às pessoas, você costuma observar gestos e hábitos? Por quê? O que te agrada e o que incomoda nos gestos e hábitos delas?  Escreva sobre isso. Existe alguém que você considera ter postura e gestos adequados? O que você mais admira nessa pessoa?

Alguma vez trabalhou com alguém quem tivesse uma “mania” que te irritasse? Por exemplo, ficar batendo os dedos na mesa, falar com o rosto muito próximo ao seu... O que fez a respeito? Escreva sobre isso.

Quando você se vê em um vídeo ou foto, o que acha da sua imagem? Descreva ao lado. E a sua postura corporal, como você a vê? Pense na sua forma de caminhar. Considera positiva?

Você concorda que a primeira impressão que uma pessoa causa é a mais importante? Por quê?

Se lembrar de alguém que te causou má impressão e depois concluiu que estava enganado, como reagiu? Registre essa história aqui.

Fale agora sobre suas preferências em relação à aparência e apresentação pessoal: que tipo de roupa adota para trabalhar? Sente-se à vontade com as suas escolhas? Qual a importância que dá à forma como as pessoas se vestem? Por quê?

Você já morou em alguma região onde a cultura não verbal era diferente da sua? O que você aprendeu com essa experiência? Vivenciou alguma gafe ou não teve problemas? Conte aqui, isso ficará registrado na sua autobiografia...

Anote agora como você ocupa o seu espaço no trabalho. Você tem objetos pessoais na sua sala? Por exemplo, porta-retratos, um relógio de mesa, um pôster do time de futebol, uma bela gravura etc. Por que você os trouxe para esse ambiente?        

Como você divide e usa o seu tempo no ambiente profissional? Tem controle sobre isso? Dê exemplos de reuniões com equipe, encontro com clientes etc. Você é uma pessoa pontual?

Tem o hábito de olhar nos olhos das pessoas quando fala com elas? Que tipo de olhar acontece? Ele é daquele tipo intimidador, fixo e firme até a outra pessoa olhar para baixo? Ou é aquele olhar tímido, eventual, no qual a predominância é olhar para baixo, mostrando timidez, medo e ansiedade? Ou ainda é aquele olhar amigo, acolhedor, que olha o suficiente, mas sem exagero, alternando eventualmente, assentindo com a cabeça, concordando com a ideia ou o ponto de vista da outra pessoa?

Sobre o seu jeito de caminhar, por acaso sabe o quanto ele diz para as outras pessoas? Trabalho na Avenida Paulista e, toda vez que estou andando, observo os diversos tipos e estilos de pessoas que vem do mundo todo. Há aquelas que parecem carregar o mundo nos ombros, como se tivessem um grande peso nas costas, inclinadas para a frente e olhar para baixo, outras andando depressa demais, como se estivessem sempre atrasadas para algum compromisso; outras calmas, desatentas, caminhando devagar, passeando, apenas apreciando a paisagem e há as que parecem que se julgam superiores, com o nariz empinado, um ar de empáfia, uma postura prepotente e arrogante, muito antipáticas aparentemente. Como você julga ser a sua postura? Escreva a respeito. O que acredita que as pessoas falam a seu respeito?

Há as que se vestem bem, com bom gosto, roupa com cores combinando ou contrastando com bom gosto e as que não estão nem aí com a aparência, nem com cuidados pessoais de asseio e um mínimo de higiene. E você, como se veste? Com roupas limpas, passadas e cuida para ter uma harmonia de cores?

Sobre simpatia, antipatia, apatia e empatia, cada um irradia um tipo predominantemente, entendendo a simpatia como a amabilidade gratuita, espontânea, natural; a antipatia um desagrado gratuito, no qual a pessoa não gosta de estar com outras pessoas; a apatia é a indiferença, mas a empatia merece toda a nossa atenção e interesse no outro, criando condições para haver uma profunda empatia, deixando o interlocutor muito à vontade e um ambiente favorável para todo o tipo de conversa: vendas, negociações, liderança, relacionamentos sociais e outros objetivos. No seu caso, como isso funciona? É uma pessoa sorridente, gentil e amável?

Procura, em uma conversa, deixas as pessoas à vontade? Perceba quanto há para escrever sobre você mesmo numa dimensão da realidade atual e do futuro.

Um bom exercício é olhar-se em um espelho para perceber um pouco do que outras pessoas percebem de você. Sugiro que faça um exercício diário, acrescente em seu caderno algo novo, se detectar algo que pode ser melhorado, esforce-se para esse aprimoramento, por exemplo:

- Olhe nos olhos das outras pessoas quando estiver falando com elas;

- Faça gestos comedidos, que reforcem o que está dizendo;

- Mantenha o corpo descansado, cause uma boa impressão, cuidando do asseio pessoal, unhas cortadas, cabelos arrumados, sapatos engraxados, bom gosto no vestir, sorriso presente, olhar simpático, sorriso nos lábios;

- Observe a sua postura, mantenha o corpo ereto, olhe para frente, caminhe firmemente, mostrando sempre que está de bem com a vida, com alegria e otimismo.

- Evite cara feia, isso quer dizer, uma aparência sisuda e mal humorada.

Se, por outro lado, percebe algo que te agradou e não tinha consciência, por exemplo:

- Expressão facial simpática, amável, amorosa, que expressa confiabilidade;

- Olhar meigo e respeitoso;

- Gestos congruentes com o conteúdo da fala;

- Interesse legítimo na outra pessoa quando conversa com ela;

- Aparência elegante, postura elegante, estado de presença;

- Simpatia pessoal, sorriso bonito e sincero,

Sugiro que comemore, fique feliz por ser possuidor dessa dádiva e desse cuidado, mas escreva na sua autobiografia e surpreenda-se com o ser humano comunicativo, simpático, agradável, confiante e extraordinário que você é, melhorando a sua performance, cada dia um pouquinho mais.

Por Reinaldo Passadori, Mentor, fundador e CEO da Passadori Comunicação, Liderança e Negociação. Adaptação do seu livro ‘Quem Não Comunica Não Lidera’ – Ed. Passadori. É um dos colunista do RH Pra Você. O conteúdo dessa coluna representa a opinião do colunista. Foto: Divulgação.

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