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Aprenda a cuidar melhor da sua saúde em ambiente de trabalho

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Apesar de ser comprovada a influência direta da qualidade de vida no engajamento do profissional e de grandes empresas já investirem há algum tempo nesta questão, ainda há uma quantidade considerável de organizações que tratam os colaboradores de maneira inadequada, cobrando apenas resultados sem tratá-los como indivíduos com necessidades próprias e diversas.

Ambientes de trabalho onde há assédio moral, estresse e pressão excessivos, lideranças controladoras, sobrecarga de trabalho ou falta de preparo podem levar o funcionário a um estado de constante alerta. Não é raro essa situação se transformar em algo maior e se tornar um transtorno psicológico, como depressão, ansiedade, síndrome de burnout e outros.

Pensando em tirar as dúvidas mais frequentes quando o assunto é a saúde mental no trabalho, o RH Pra Você conversou com a psicóloga Rosalina Moura, da Rumo Saudável, empresa especializada em soluções para o gerenciamento do estresse. Confira no nosso bate-papo quais são as características de um ambiente de trabalho tóxico, formas de aliviar o estresse e várias outras informações importantes sobre o assunto.

O que leva um colaborador a desenvolver um problema psicológico por causa do trabalho?

Estabelecer a relação entre doenças mentais e o trabalho não é simples. Ainda assim, há muita resistências por parte das empresas em detectar o problema. Tanto é que apenas 9% dos benefícios concedidos relacionados a afastamento por doença mental, cuja maior causa é a depressão, são acidentários (relativos à legislação de acidentes no trabalho), o resto é auxílio doença.

Sabemos que as pessoas estão submetidas a níveis cada vez mais elevados de estresse. Estamos vivendo em um mundo de acesso instantâneo à informação e à comunicação, com falta de barreiras entre a vida profissional e a pessoal e excesso de demandas. Isso mantém as pessoas em alerta constante. 

No Brasil, a crise econômica e política tem gerado insegurança e as pessoas têm medo de perder seus empregos. Alguns ambientes têm um excesso de competitividade interna, o que é nocivo e cria ambientes tóxicos. Estes aspectos e cenários representam riscos para o bem estar psicológico. Outros riscos são o assédio moral, estresse excessivo, chefias controladoras e rígidas, pressão excessiva, sobrecarga de trabalho, falta de treinamento para realizar o trabalho.  

Quais são as características de um ambiente de trabalho tóxico?

Mau humor, agressividade, competição não saudável, humilhação, falta de colaboração, hostilidade nas relações, falta de reconhecimento e de crédito, quando existe um clima de tensão no ar, chefes mal preparados, quando não assume os próprios erros e busca culpados o tempo todo, além da comunicação ineficiente, que gera rumores e fofocas. 

O que o colaborador deve fazer para aliviar o estresse e não se deixar contaminar caso o local de trabalho não seja saudável? 

É importante olhar a situação de fora e observar o que está acontecendo. Deve-se refletir também de que forma, sem perceber, a pessoa pode estar colaborando para a toxicidade do ambiente. Evitar confrontos diretos, participar de fofocas e espalhar boatos também ajuda muito. Colocar limites e aprender a dizer não é importante. Fazer alguma técnica simples de relaxamento baseada na respiração, como a meditação mindfulness, também ajuda a manter a calma e melhorar o equilíbrio interno. Além disso, ter atividades fora do trabalho que sejam prazerosas, manter bons e próximos relacionamentos, manter um estilo de vida saudável. Tudo isso ajuda muito. Em última instância, talvez seja útil avaliar a possibilidade de mudança de área ou até de empresa.

Algumas coisas importantes que as pessoas podem exercitar para lidar melhor com os problemas, controlar o estresse e manter uma boa saúde mental:

  • Buscar viver uma vida equilibrada;
  • Conhecer as suas forças e potencialidades;
  • Se apropriar da própria vida e não ficar em uma postura de vitimização;
  • Reconhecer os problemas sem jogá-los para debaixo do tapete;
  • Focar mais em soluções do que nos problemas;
  • Encontrar significado e propósito para a sua existência; 
  • Desenvolver a capacidade de sentir gratidão e reclamar menos; 
  • Criar e manter relacionamentos sociais; 
  • Desenvolver a capacidade de se abrir com pessoas em quem você confia;
  • Respeitar os seus limites e aprender a delegar; 
  • Praticar atividade física regular; 
  • Não deixar de procurar a ajuda de um profissional de saúde mental.

Como identificar se a pessoa ou um colega está com depressão? Quais são os sintomas?

Sentir tristeza é algo que faz parte da vida. Pode, inclusive, acontecer de a pessoa estar com depressão e não sentir tristeza, e sim apatia - o que dificulta a percepção da própria pessoa em relação a estar deprimida. Por isso, é importante ficar alerta aos principais sintomas desta doença, que podem se manter por semanas ou meses. Entres eles, estão:

  • Tristeza, irritabilidade, ansiedade ou angústia.
  • Perda do prazer em realizar as atividades que gosta.
  • Baixa energia para fazer as coisas.
  • Agitação ou lentificação psicomotora.
  • Pensamentos negativos e pessimistas, tudo é visto num tom cinzento.
  • Perda de esperança.
  • Isolamento social.
  • Dificuldade de concentração, o raciocínio fica mais lento.
  • Alterações no sono.
  • Mudanças no apetite.
  • Baixa libido. 

A depressão pode e deve ser tratada. Muitas pessoas com um quadro de depressão ou não procuram ajuda ou não recebem um diagnóstico adequado, o que implica no não tratamento. Existem diferentes tipos de depressão e de diferentes intensidades. Para cada caso, se aplicam tratamentos distintos, embora a psicoterapia seja sempre recomendada. Os antidepressivos podem ser eficazes, mas devem ser utilizados com cautela e de acordo com cada caso, sob prescrição médica.

O que você acha que deveria mudar atualmente nos ambientes de trabalho em geral para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores? Você acha que tais mudanças estão perto de acontecer? 

As empresas estão preocupadas com as questões do estresse e saúde mental e vemos um movimento crescente na direção de valorização do ser humano, com tendência a investir no ambiente e nas pessoas. No entanto, infelizmente, estas questões ainda não são valorizadas na maior parte dos locais ou vistas como estratégicas, o que dificulta a implementação das ações e programas. Muitas vezes os RHs sofrem por não terem respaldo e apoio.

As organizações devem saber Identificar os riscos e desenvolver políticas e estratégias para mitigá-los, tais como:

  • Identificar as causas do estresse e saber perceber quando este está excessivo;
  • Desenvolver programas de intervenção, como treinamentos de líderes para que desenvolvam competências emocionais e relacionais, saibam lidar com conflitos e identificar precocemente sinais de estresse;
  • Criar ambiente saudável desenvolvendo intervenção precoce e promovendo saúde;
  • Ter flexibilidade, como horários flexíveis;
  • Manter uma boa comunicação interna, clara e objetiva;
  • Treinar os líderes para lidar com pessoas e conflitos e para que possam também identificar os sinais e sintomas de estresse elevado e dos transtornos mentais comuns;
  • Ajudar os líderes a desenvolver boas práticas de gestão como feedback contínuo, clareza na comunicação e nas expectativas, estímulo à cooperação, clima de respeito e pressão dosada;
  • Implementar programas que desenvolvam as forças das pessoas e as competências para lidar com estresse e as emoções;
  • Ouvir e incluir a equipe nas decisões quando possível.